“Tira essa porcaria daqui, a Inga não come isso!” — a sogra jogou a mesa posta no lixo, mas ouviu uma voz masculina no corredor.

Marina já estava ajustando a mesa festiva pela terceira vez, embora ela já estivesse perfeita desde a primeira. Os guardanapos estavam dispostos de forma simétrica, como se tivessem sido medidos com uma régua; as taças de cristal refletiam a luz como se não fossem vidro, mas fragmentos de gelo lapidados de tensão. O cheiro da carne assada vindo da cozinha tomava conta do apartamento — um aroma pesado, quente, excessivamente perfeito, que prometia mais problemas do que celebração.

Hoje não era apenas o aniversário de Valera.

Hoje era o “Dia X”.

— Marin, você está me ouvindo? — a voz de Valera no telefone chiava nervosamente, como se já estivesse em conflito com o próprio ar. — Arkady Borisovich vem com a esposa dele. Inga.

A mão de Marina parou no pano de cozinha.

— Inga? — perguntou lentamente. — Sua ex-esposa?

— Não começa! — interrompeu ele de imediato. — Inga agora está com Arkady. E isso… isso é a nossa chave. Se ela disser uma única palavra a meu favor, eu viro vice-diretor. Se não, acabou. Então sorria, entendeu? E não critique nada. Inga não é para a sua vida de repolho.

A ligação caiu.

Marina ficou muito tempo parada com o telefone na mão. Cinco anos de casamento. Cinco anos de economia, limpeza, e frases como “um dia vai melhorar”. E agora ela tinha que ser anfitriã para uma mulher que o marido ainda mencionava como se fosse um troféu perdido.

A porta se abriu com a chave.

Svetlana Petrovna, a sogra, entrou como se o apartamento também lhe pertencesse.

— Abafado, como um armário — disse imediatamente. — Isso não faz bem para o Valerik.

Atrás dela, Antoska entrou silenciosamente, como um pensamento ruim.

— A vovó disse que eu sou sujo… — sussurrou.

Marina se abaixou.

— Vai lavar as mãos. Hoje temos convidados.

Svetlana já examinava os pratos.

— E isso aqui é o quê? — apontou para a salada. — Maionese? Inga não come isso. Ela come rúcula. E ordem na vida.

— É o aniversário do Valera — disse Marina calmamente. — Não uma apresentação de dieta.

— O Valera gosta de não ter vergonha da esposa — retrucou a sogra.

E então a campainha tocou.

O ar mudou.

Valera entrou apressado.

— Eles estão chegando. Sorria. E não fale nada.

Na porta, Inga estava ali.

Não tinha envelhecido — apenas ficado mais cara. Seu olhar era frio, como uma decisão bem paga. Seu casaco valia mais do que metade dos móveis do apartamento.

— Olá — disse lentamente, olhando direto para Valera.

Como se Marina não existisse.

— O elevador estava apertado, Arkady subiu a pé — acrescentou com tédio.

Svetlana se derreteu.

— Inguinha! Como você está linda!

Inga sorriu levemente.

— A senhora também… se mantém.

Ela entregou o casaco a Marina.

— Guarde. Com cuidado. É cashmere.

Foi o primeiro momento em que a mão de Marina tremeu.

A noite começou a se parecer cada vez mais com uma peça mal encenada. Valera girava em torno de Inga, Svetlana a admirava, e Marina lentamente se tornava parte do cenário dentro da própria casa.

— Ainda em logística? — perguntou Inga.

— Sim, mas estou evoluindo! — gaguejou Valera.

— O apartamento de vocês… é fofo — Inga olhou ao redor. — Um pouco… pobre, mas limpo.

O rosto de Valera se contraiu.

— Marin, eu disse para pedirmos comida de restaurante!

— Eu cozinhei por dois dias — disse Marina baixinho.

— Aí está o problema — disse Svetlana. — Isso não é comida.

E antes que alguém pudesse impedir, a salada foi parar no lixo.

Silêncio.

Marina se levantou.

Pegou a travessa de “arenque sob casaco de pele” com calma.

— Não se ofenda — riu Inga. — Isso é só uma questão de evolução…

Marina virou a travessa com um único movimento.

A salada caiu sobre a roupa de Inga.

A perfeição bege deixou de existir num instante.

— Você ficou louca?! — gritou Valera.

A mão de Svetlana estalou.

O som do tapa foi limpo demais para aquele apartamento.

— Fora desta casa!

Marina se endireitou lentamente.

— Esta é a minha casa.

O silêncio agora era pesado.

Na porta, uma voz grave soou.

— Basta.

Arkady Borisovich.

Ele não gritava. Não precisava.

— Amanhã, RH. Demissão.

Valera desabou sob o olhar dele.

E então tudo se decidiu.

A porta se fechou atrás deles.

Marina ficou parada por um instante, como se não soubesse se aquilo tinha terminado ou apenas começado.

Antoska tocou sua mão com cuidado.

— Mamãe… acabou agora?

Marina olhou para ele, depois para a mesa destruída, para a festa arruinada.

Então sorriu — pela primeira vez naquele dia, de verdade.

— Sim — disse baixinho. — Agora começa a verdadeira festa.

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