O trem deu um solavanco ao passar pela mudança de trilhos, e Piotr parou no meio do corredor, como se tivesse levado um choque.
A mulher sentada junto à janela levantou lentamente a mão até a têmpora e colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha.
Exatamente assim.
Com a mesma leve inclinação da cabeça.
As têmporas de Piotr começaram a latejar.
Cinco anos haviam se passado desde a morte de Inna, mas ele ainda se lembrava daquele pequeno gesto com uma precisão dolorosa.
Inna fazia exatamente aquilo quando ficava nervosa.
Sem sequer perceber o que estava fazendo, Piotr caminhou até a frente, sentou-se diante da desconhecida e ficou olhando para ela.
O casaco da mulher era grande demais para o corpo, como se tivesse sido emprestado. O rosto era pálido, fechado, quase indiferente.
Mas as mãos…
Dedos finos, cuidadosamente entrelaçados sobre o colo.
E o leve movimento de um dos pés dentro dos sapatos gastos.
Tudo nela lembrava Inna.
A mulher finalmente percebeu o olhar insistente e levantou os olhos.
Piotr ficou sem jeito.
— Desculpe. Em qual estação você vai descer?
— Sosnovka.
A voz dela era grave, ligeiramente rouca e completamente desconhecida.
— Eu também. Posso acompanhá-la?
Ela deu um sorriso curto e desconfiado.
— Por quê?
Piotr respondeu com sinceridade:
— Não sei. Só quero.
Ela o examinou por um longo momento. Era evidente que não acreditava em uma única palavra.
Por fim, deu de ombros.
— Está bem.
Quando desceram do trem, a mulher atravessou a plataforma quase correndo, como se quisesse fugir dele.
Piotr foi atrás.
— Você sempre aborda mulheres desse jeito?
Ela parou de repente.
— Se eu quisesse incomodá-la, provavelmente teria escolhido uma mulher mais chamativa.
— Como é?
— Minha esposa morreu há cinco anos — explicou Piotr. — E você se move exatamente como ela.
A expressão da mulher mudou.
— Então está procurando uma substituta?
— Não. Não quero substituir ninguém. Só quero… conversar com alguém.
Ela continuou olhando para ele com desconfiança.
— Amanhã, às seis. Casa número dezessete, apartamento quarenta e dois. Mas se chegar atrasado, não vou abrir a porta.
Piotr apenas assentiu.
Na noite seguinte, chegou cinco minutos antes da hora.
Trazia nas mãos um buquê de crisântemos vermelhos-escuros e uma caixa de biscoitos.
O corredor do prédio cheirava a sopa de repolho e umidade.
Anna abriu a porta sem dizer uma palavra.
O apartamento era minúsculo. Um único cômodo, papel de parede manchado e uma máquina de costura no canto. Sobre a mesa havia pedaços de tecido de várias cores.
— Entre. Vou colocar a água para ferver.
Ela foi até a cozinha sem tirar o casaco.
Piotr franziu a testa.
— Está com frio? O aquecedor está fervendo de tão quente.
— Prefiro ficar assim.
Havia uma tensão estranha em sua voz.
Anna colocou chá, xícaras e pão fatiado sobre a mesa. Depois se sentou diante dele, ainda enrolada no casaco como se fosse uma armadura.
— Conte-me sobre você — pediu Piotr.
— Não há nada para contar. Trabalho costurando em casa. Moro sozinha.
— E família?
— Não tenho.
— Por quê?
Anna colocou a xícara sobre a mesa com tanta força que a porcelana bateu.
— Porque nem todo mundo tem sorte na vida. Entende? Existem mulheres que os homens simplesmente não enxergam. Ou enxergam, descobrem quem elas são e vão embora.
Piotr permaneceu em silêncio.
Havia tanta dor antiga na voz dela que nenhuma palavra de consolo parecia suficiente.
— Tire o casaco. Está quente aqui.
— Não vou tirar.
— Anna, não seja teimosa.
— Vá para casa, Piotr.
Ela se levantou e virou-se para a janela.
Seus ombros tremiam.
Piotr aproximou-se e colocou delicadamente a mão sobre o ombro dela.
Então ficou imóvel.
Sob o tecido grosso, sentiu algo irregular.
Uma protuberância evidente.
Sua mão recuou involuntariamente.
Anna virou-se imediatamente.
Não havia vergonha em seus olhos.
Apenas raiva.
— Pronto. Agora já pode ir. Todos vão embora nesse momento. Você não é o primeiro e não será o último.
Com um movimento brusco, ela tirou o casaco.
Uma curvatura pequena, mas claramente visível, aparecia na parte superior de suas costas.
Anna ficou diante dele com o queixo erguido, como se estivesse diante de um tribunal.
— Já viu o suficiente? Então vá.
Piotr não conseguiu dizer nada.
Anna esperava.
A cada segundo, seu rosto ficava mais vermelho.
— Desculpe — conseguiu dizer finalmente. — Eu não queria…
— Ninguém quer nada. Adeus, Piotr.
Ele foi embora.
Em casa, jogou-se no sofá e fechou os olhos.
Repetidamente, via as mãos de Anna.
Seus movimentos.
Aquela inclinação da cabeça.
Os movimentos de Inna.
E depois as costas dela.
Tentava imaginar como seria abraçar Anna, mas alguma coisa dentro dele se contraía.
O telefone tocou.
Era sua irmã, Tamara.
— Petya, onde você se meteu? Estou procurando você em todos os lugares! Convenci Valentina Stepanovna, do terceiro prédio, a conhecê-lo. Ela é uma mulher maravilhosa! Alegre, cheia de vida e cozinha muito bem. Você vai no domingo.
— Tamara, me deixa em paz.
— Até quando vai viver assim? Já faz cinco anos que você está de luto por Inna! Se ela estivesse viva, seria a primeira a brigar com você por ter se fechado desse jeito. Homem sem mulher não é homem de verdade!
— Tamara…
— Você trabalha no depósito, volta para casa e acabou! Isso não é vida, Petya!
Piotr colocou o telefone no silencioso.
Mas as palavras dela continuaram girando em sua cabeça.
Talvez ela tivesse razão.
Talvez ele realmente estivesse agarrado a um fantasma.
À lembrança de uma mulher morta.
A uma desconhecida que se movia como Inna, mas carregava uma história completamente diferente.
Mesmo assim, naquela noite ele não conseguiu dormir.
Os olhos de Anna apareciam o tempo todo diante dele.
Aquele olhar seco e desafiador.
O queixo erguido.
Uma mulher que passara a vida inteira esperando que, pelo menos uma vez, alguém não desviasse o olhar.
Na manhã seguinte, Piotr foi até a cidade.
Comprou um buquê de rosas vermelhas-escuras.
E uma linda bolsa de couro.
Ao meio-dia, voltou para Sosnovka e ficou esperando diante do prédio.
Anna apareceu por volta das três horas. Carregava uma pesada bolsa cheia de tecidos.
Quando viu Piotr, parou.
— O que está fazendo aqui?
— Precisamos conversar.
— Já disse tudo ontem. Vá para casa.
Ela tentou passar por ele, mas Piotr ficou em seu caminho.
— Anna, me dê uma segunda chance.
— Para quê?
— Para não julgarmos um ao outro por causa de um único momento ruim.
Ela estreitou os olhos.
— Está com pena de mim?
— Não.
— Então o que você quer?
Piotr respirou fundo.
— Ontem eu fiquei com medo. Fui covarde. Mas passei a noite inteira pensando em você.
— Não preciso da sua pena.
— Eu não sinto pena de você. Quero conhecê-la.
Anna ficou muito tempo olhando para ele.
Por fim, pegou as rosas.
Aproximou-as do rosto e respirou o perfume.
Por um breve instante, sua expressão suavizou.
— Tia Liza diria que, se uma pessoa ainda consegue sentir a dor de outra, então seu coração ainda não morreu completamente.
Anna abaixou os olhos.
— Mas estou cansada de acreditar nas pessoas.
— Então não acredite em mim ainda. Apenas deixe-me voltar amanhã.
Anna assentiu lentamente.
E Piotr voltou.
No dia seguinte.
E no outro.
E no outro.
Todas as noites, depois do trabalho, aparecia com pão, maçãs, leite ou alguma pequena lembrança.
Sentava-se na cozinha de Anna e observava enquanto ela trabalhava.
No começo, quase não conversavam.
Depois, Anna começou a se abrir.
Contou sobre tia Liza, que a criara depois que seus pais rejeitaram a própria filha por causa de sua deformidade física.
Contou sobre a escola, onde as outras crianças zombavam dela.
Contou sobre um rapaz que prometera amá-la, mas depois ria dela com os amigos pelas costas.
Piotr ouvia.
E a cada história, sua raiva crescia contra todos aqueles que haviam passado a vida inteira fazendo Anna acreditar que valia menos que os outros.
Certa noite, alguém tocou a campainha.
Anna abriu a porta.
Tamara estava do outro lado.
— Petya! Estou procurando você por toda parte! Você nunca está em casa e não atende ao telefone. A vizinha viu você vindo para cá.
Ela olhou Anna de cima a baixo.
— Quem é essa mulher?
— Tamara, vá para casa.
— Espere. Deixe-me olhar para ela.
O olhar de Tamara ficou duro.
— Piotr, você ficou louco? Vai escolher essa mulher em vez de uma mulher normal?
Anna ficou pálida.
— Por favor…
Mas Tamara não parou.
— Olhe para ela! Ela é corcunda! Há milhares de mulheres nesta cidade e justamente ela você escolheu?
O rosto de Piotr mudou.
Ele se virou para a irmã.
— Cale a boca. E vá embora.
— Eu só quero o seu bem!
— Eu não preciso do seu bem!
Sua voz foi tão firme que até Tamara se assustou.
— Minha vida inteira você me disse como eu deveria viver. Com quem deveria fazer amizade. Com quem deveria me casar. Como deveria lamentar Inna. Quanto tempo eu deveria chorar. Agora acabou.
Tamara o encarou, atônita.
— Petya…
— Vá embora.
— Você vai se arrepender! Todo mundo vai rir de você!
— Que riam.
Piotr abriu a porta.
— Esta é a minha vida, Tamara. Não a sua.
Finalmente, Tamara foi embora.
Piotr fechou a porta atrás dela.
Quando se virou, Anna estava sentada no chão.
Chorava em silêncio.
Piotr ajoelhou-se ao lado dela e a abraçou desajeitadamente.
— Ela tem razão — sussurrou Anna. — Eu não sirvo para você. Um dia você vai se arrepender.
— Por favor, fique quieta por um momento.
Anna estremeceu.
Piotr virou delicadamente o rosto dela para si.
— Escute-me. Eu não me importo nem um pouco com o que você tem nas costas. Entende? Isso não é importante. O que importa é que você está aqui. Quando estou com você, não me sinto mais vazio. Ao seu lado, consigo respirar novamente.
As lágrimas escorreram pelo rosto de Anna.
— Mas eu não sou Inna.
— Eu sei.
Piotr acariciou delicadamente sua face.
— Você é Anna. E é Anna que eu quero conhecer.
Ele a beijou.
Anna se aconchegou nele.
Dessa vez, não chorava de vergonha.
Chorava porque, pela primeira vez, alguém havia ficado.
Uma semana depois, Piotr levou Anna para sua casa.
O apartamento era espaçoso, mas durante anos parecera vazio.
Três dias antes, ele havia guardado as fotografias de Inna em uma caixa.
Anna caminhou lentamente pelos cômodos.
Tocou as cortinas.
Passou os dedos pelas lombadas dos livros.
Então sussurrou:
— Aqui dá para respirar.
Piotr olhou para ela.
— Então esta agora é a sua casa. Comigo. Se você quiser.
Anna ficou em silêncio por um longo momento.
— E Tamara?
Piotr deu um pequeno sorriso.
— Tamara vai ter que aprender que minha vida não pertence a ela.
Anna sentou-se ao lado dele.
— Ela nunca vai perdoar você.
— Não preciso do perdão dela.
E realmente, Tamara não o perdoou.
Ligava todos os dias.
Gritava.
Dizia que Piotr estava envergonhando a família.
Dizia que os vizinhos estavam falando dele.
Dizia que Anna havia destruído sua vida.
Piotr simplesmente desligava o telefone todas as vezes.
Um mês depois, Tamara apareceu na porta do apartamento acompanhada de duas vizinhas.
Gritava no corredor.
— Piotr! Você enlouqueceu! Essa mulher enfeitiçou você!
Piotr saiu.
Durante um longo momento, apenas olhou para a irmã.
— Terminou?
— Não! Eu não vou permitir que você…
— Vai permitir.
Tamara ficou em silêncio.
— Esta é a minha vida, Tamara. Não a sua.
— Petya…
— Se você vier aqui novamente para gritar, vou tomar medidas legais. Agora vá para casa.

As duas vizinhas trocaram olhares constrangidos.
Tamara ficou ali, de boca aberta.
Ela não esperava por aquilo.
Lentamente, virou-se e foi embora.
Depois disso, nunca mais ligou.
Mais tarde, Piotr soube por conhecidos que Tamara reclamava com todo mundo sobre seu irmão ingrato.
Ele não sentiu alegria com aquilo.
Mas também não sentiu culpa.
No final do mês, Anna mudou-se definitivamente para a casa dele.
Levou sua máquina de costura, duas malas e uma fotografia emoldurada da tia Liza.
Ela havia morrido dois anos antes, mas Anna sempre acreditara que ela fora a única pessoa que a amara sem condições.
— Ela teria gostado de você — disse Anna enquanto colocava a fotografia sobre a cômoda.
Piotr sorriu.
— Eu gostaria de tê-la conhecido.
— Ela teria dito que você é teimoso como uma mula.
— E?
— E que isso é uma boa qualidade.
Piotr abraçou Anna por trás.
Dessa vez, ela não tentou esconder as costas.
Não se encolheu.
Não sentia mais vergonha de si mesma.
Apenas se apoiou nele.
— Passei a vida inteira pensando que morreria sozinha — sussurrou. — Achava que um dia me encontrariam naquele apartamento minúsculo… talvez só quando os vizinhos começassem a sentir o cheiro.
— Não diga isso.
Anna olhou para ele.
— E agora acordo todas as manhãs e ainda não consigo acreditar que isso está realmente acontecendo comigo. Que você está aqui.
Piotr virou-a delicadamente para si.
— Então acredite.
Anna sorriu.
Pela primeira vez, sorriu de verdade.
Não era um sorriso perfeito.
Não era como nos filmes.
Era um pouco torto.
Um pouco inseguro.
Mas era verdadeiro.
Lá fora, a chuva de novembro batia contra a janela.
Piotr ficou olhando para a rua por um longo tempo.
Inna havia partido cinco anos antes.
E durante cinco anos ele vivera como se tivesse enterrado a própria vida junto com ela.
Mas agora Anna estava ao seu lado.
Uma mulher que a vida havia humilhado vezes demais.
Uma mulher que aprendera que todo amor vinha acompanhado de condições.
Uma mulher cujo corpo carregava uma marca visível.
E, ainda assim, seu coração continuava tendo espaço para o amor.
Piotr não sabia o que o dia seguinte traria.
Não sabia quais dificuldades ainda os esperavam.
Mas tinha certeza de uma coisa:
Ele não havia encontrado Inna novamente.
Havia encontrado Anna.
E talvez fosse exatamente por isso que, pela primeira vez em cinco anos, Piotr sentia que finalmente havia voltado para casa.

