Durante onze anos, eu a mantive como um aeródromo de reserva, convencido de que esse rato cinzento, ao primeiro assobio, correria para lavar minhas meias e beijar minhas pegadas na areia, mas ela simplesmente decolou e foi embora.

Zalesski Egor Romanovich

Desde a infância, Egor Romanovich Zalesski aprendeu uma verdade simples e, para ele, indiscutível: o mundo não apenas gira ao seu redor — ele existe para ele.

Ele cresceu na pequena cidade poeirenta de Zatonish, afundada entre árvores, onde sob as velhas tílias o tempo parecia passar mais devagar, e os flocos das árvores de choupo flutuavam no ar como se a própria vida hesitasse. Nos olhos castanhos de Egor surgiu cedo uma luz inquieta e excessivamente confiante, que os adultos frequentemente confundiam com talento.

Os professores apenas davam de ombros:
– É um rapaz inteligente… é uma pena que não queira fazer nada.

E as velhas sentadas nos bancos dos prédios sussurravam quando ele passava, como se diante delas estivesse uma estranha aparição.

– Veja só, Tatyana Stepanovna… parece que nem é deste mundo – dizia a tia Nyura, ajustando o lenço na cabeça. – Rapazes com olhos assim não costumam nascer aqui.

A mãe de Egor apenas sorria cansada. Amava o filho com um amor cego, que tudo perdoa — um amor que não molda, apenas dissolve.

E assim o destino de Egor já estava decidido.

O rapaz rapidamente aprendeu: aquilo que quer, ele merece. Atenção não é um pedido, mas um estado natural. Amor não é um presente, mas uma resposta obrigatória do mundo.

As garotas o cercavam. Ele não via isso como um milagre, mas como algo natural. Com o tempo, isso deixou de ser suficiente. Ele não queria admiração — queria submissão.

I. O aeroporto de reserva

O serviço militar na guarnição naval do norte endureceu seu corpo, mas não abalou sua autoimagem. Quando voltou a Zatonish, o antigo mundo já não o esperava: os amigos haviam amadurecido, formado famílias e mergulhado em uma vida calma e comum.

Mas Egor ainda andava como se fosse o protagonista de uma história que tinha a obrigação de ser observada por todos.

Casou tarde. Casou-se com Larissa — uma mulher loira, de traços delicados, admirada por muitos na cidade. Ela era a “escolha ideal”.

Mas na casa de Egor já vivia alguém: ele mesmo.

Larissa tentou por muito tempo encontrar espaço nessa competição invisível, mas logo percebeu que não tinha rival — era apenas uma inquilina em um templo alheio. No fim, fez as malas e foi embora. Levou com ela a filha, Ksenia.

Egor ficou — entre ruínas onde seu próprio narcisismo ecoava.

II. O verão à beira do lago

A salvação foi uma velha casa de verão na margem do lago Svetloye, perto de Berezovaya Griva. Canteiros de morango, macieiras, cheiro de resina — e um mundo mais lento, onde é mais fácil acreditar que ainda há tempo para consertar as coisas.

Na vizinhança vivia a família Korneyev. Ivan Prokhorovich era um homem silencioso e duro, e sua esposa, Maria Valerievna, era o tipo de mulher que conseguia alimentar e acalmar qualquer pessoa ao mesmo tempo.

E havia Sofia.

Oito anos mais nova que Egor, desde a infância ela o observava em silêncio e com persistência — não com admiração, mas com uma fé ingênua de que um dia o mundo daria sentido ao que ela sentia.

Egor sempre soube disso. E sempre considerou isso natural.

– Olha só, mãe – riu uma vez, deitado na rede. – A Sonya me olha como se eu fosse algo especial.

O tempo passou. Egor foi descendo lentamente: bebida, noites sem rumo, dias que esfriavam.

Uma noite, meio bêbado, disse apenas:
– Calma. Eu sempre tenho um plano B. Sonya Korneyeva. Se eu quiser, ela vem.

Depois da frase, um longo silêncio ficou no ar.

III. Do outro lado da cerca

Aos trinta e oito anos, Egor foi hospitalizado com uma pneumonia grave. Nas noites de quase sufocamento, pela primeira vez não tinha medo da morte, mas de ninguém sentir sua falta.

Quando se recuperou, voltou ao lago.

E ali já não o esperava a antiga Sofia.

Mas uma mulher.

Calma, ereta, com um olhar estranho.

– Boa tarde, Egor Romanovich – disse friamente.

Essa frase destruiu mais nele do que qualquer doença.

Mais tarde soube: Sofia estava noiva, começando uma nova vida e prestes a se mudar.

Quando Egor implorou junto à cerca, a mulher apenas disse:

– Não há lugar para você na minha vida.

E entrou em casa.

IV. O que ele não era

Sofia foi embora. E Egor perdeu, pela primeira vez, não uma mulher — mas o seu próprio público.

O mundo de repente ficou em silêncio.

A mãe disse:
– Filho… você não perdeu a batalha. Perdeu quem estava lutando.

Egor começou então a viver de verdade. Passou a visitar sua filha, Ksenia. Começou a treinar. Trabalhar. E lentamente surgiu nele um novo tipo de responsabilidade.

V. Uma nova margem

Na academia, conheceu Margarita.

Ele não a admirou. Não a idealizou. Apenas a olhou como uma pessoa — não como um espelho, mas como realidade.

– Como você está se sentindo? – ela perguntou após o treino.

Egor sorriu:
– Como se eu estivesse aprendendo a viver pela primeira vez.

E não era exagero.

O relacionamento deles cresceu devagar, em silêncio. Ele já não queria possuir — queria estar presente. Era uma nova linguagem para ele.

Dois anos depois, pediu Margarita em casamento.

Não houve grande cerimônia. Apenas um jantar, onde finalmente ninguém estava representando um papel.

Epílogo

Anos depois, Egor vivia em uma nova casa à beira do rio. Trabalhou, riu e às vezes até ficou em silêncio — de verdade.

Um dia encontrou um antigo cartão-postal de Sofia entre papéis velhos.

Ela estava feliz. Com outra pessoa. Em outra vida.

Egor ficou olhando por muito tempo, depois sorriu.

– Cada um tem o seu tempo – disse baixinho, e abraçou Margarita.

E pela primeira vez na vida, ele não tinha um “aeroporto de reserva”.

Apenas um lar.

Visited 3 times, 1 visit(s) today
Scroll to Top