# A sogra humilhou a mãe da nora diante de toda a família, sem saber que a casa pertencia a ela.

A sogra humilhou a outra consogra na frente de toda a família — só não sabia que a casa pertencia a ela

Irina já sabia que o almoço de domingo estava arruinado antes mesmo de o prato principal ser servido.

Ludmila Pavlovna estava sentada à cabeceira da mesa e olhava para a varanda com um ar tão orgulhoso, como se tivesse escolhido pessoalmente cada tábua dali, pago por cada uma delas e talvez até pregado o primeiro prego.

Já era a segunda vez que contava aos parentes quanto o filho havia trabalhado naquela casa.

— Sem o Sérioja, este lugar não seria nada — declarou, satisfeita. — Ele não é o tipo de homem que fica sentado esperando que os outros resolvam a vida por ele.

Serguei ficou tenso.

Irina lançou-lhe um olhar de lado. Conhecia aquela expressão. O marido sabia exatamente aonde a mãe queria chegar, mas ainda não queria repreendê-la na frente de todos.

Se falasse com muita dureza, Ludmila Pavlovna ficaria imediatamente ofendida.

E então começaria o de sempre:

“Agora nem ao meu próprio filho posso dizer nada.”

Havia doze pessoas sentadas à mesa. Misha, o filho de seis anos de Irina e Serguei, estava comemorando o aniversário.

Também estavam presentes a irmã de Serguei, Oksana, com o marido, uma tia, um primo com a esposa e os pais de Irina.

Olga Sergeevna, mãe de Irina, estava sentada discretamente na ponta da mesa. Acabara de colocar algumas batatas no prato do neto.

Ela havia chegado primeiro naquela manhã.

Trouxera bolo caseiro, legumes frescos e várias caixas de comida. Passara duas horas ajudando Irina na cozinha e nem sequer permitira que a filha lhe agradecesse.

Ludmila Pavlovna parecia não notar nada disso.

Tudo começou com um comentário aparentemente inocente

— O Sérioja realmente é um rapaz habilidoso — declarou Ludmila Pavlovna, enquanto ajeitava cuidadosamente o guardanapo. — Sempre disse que um homem deve cuidar da própria família. Não pode esperar que os pais da esposa coloquem tudo pronto no colo dele.

A mão de Irina parou no ar.

Ela estava prestes a colocar a travessa de sobremesa sobre a mesa.

— Ludmila Pavlovna, por que está dizendo isso agora?

A mulher olhou para ela com uma expressão inocente.

— O que eu disse?

— A senhora sabe muito bem.

— Ora, Irina! Estou elogiando meu filho. Olhe ao redor! Que casa linda ele fez.

Serguei colocou a xícara sobre a mesa.

— Mãe, hoje é o aniversário do Misha. Não vamos começar de novo.

— Começar o quê? Eu não disse nada de errado.

— Então vamos deixar assim.

Ludmila Pavlovna sorriu.

Mas Irina sabia que aquilo era apenas o começo.

E realmente era.

Alguns minutos depois, ela começou a contar como havia ajudado Serguei a comprar móveis anos atrás.

Depois veio a história da geladeira.

Em seguida, falou sobre quanto havia ensinado o filho a ser responsável.

Por fim, chegou ao ponto de dizer que Serguei “nunca esperou que a vida viesse pronta”.

Olga Sergeevna continuava em silêncio.

Serguei ficava cada vez mais tenso.

— Mãe, vamos realmente parar com esse assunto de quem deu o quê.

— Eu não estou fazendo contas — respondeu Ludmila Pavlovna, ofendida. — Nunca fiz isso.

— Então não vamos falar sobre isso.

— Só estou dizendo que também houve uma ajuda significativa do nosso lado.

Foi então que Olga Sergeevna pousou o garfo.

— Ludmila Pavlovna — disse calmamente. — A senhora está querendo dizer que eu não ajudei minha filha?

— Por que está levando isso para o lado pessoal?

— Porque está falando de mim.

— Eu estava falando de maneira geral.

— Não. A senhora está falando de mim.

De repente, todos à mesa ficaram em silêncio.

Oksana olhou para o prato.

O marido começou a girar o copo entre os dedos.

A tia passou a ajeitar o guardanapo com tanto empenho que parecia que a paz da família dependia daquilo.

Mas Ludmila Pavlovna não recuou.

— Não entendo por que precisam levar tudo como uma ofensa. Eu fico feliz que as crianças estejam vivendo bem. Serguei trabalhou muito para conseguir esta casa.

O coração de Irina apertou.

De novo.

Sempre a mesma coisa.

Serguei trabalhava.

Serguei consertava.

Serguei construía.

Serguei “tinha feito a casa”.

Só havia uma coisa que a sogra não sabia.

De quem era a casa onde ela estava sentada.

 

A história da casa

Três anos antes, Irina e Serguei haviam se mudado do apartamento onde moravam na cidade.

Misha tinha apenas três anos, e o apartamento estava ficando pequeno demais.

Aquela casa, porém, era espaçosa.

Tinha um jardim.

Tinha um quarto separado para a criança.

E era confortável para viver durante todo o ano.

Serguei realmente havia trabalhado muito na casa.

Com as próprias mãos, trocou parte do piso da varanda, consertou a escada, instalou portas novas em dois quartos e, nos fins de semana, muitas vezes trabalhava do amanhecer até a noite.

Enquanto isso, Irina cuidava da organização e da decoração interna.

Olga Sergeevna, por sua vez, havia comprado materiais várias vezes, pago algumas despesas e ajudado sempre que podia.

Ninguém mantinha uma contabilidade.

Não existia algo como:

“Eu dei tanto, você deu tanto.”

Aquilo era uma família.

Pelo menos era assim que Irina e seus pais pensavam.

Ludmila Pavlovna, porém, chegou a uma conclusão completamente diferente.

Ela via o filho trabalhando ali todos os fins de semana.

E, pouco a pouco, uma ideia se formou em sua cabeça:

A casa era de Serguei.

No começo, ela apenas dizia:

“Vocês têm uma casa linda.”

Ninguém dava importância à frase.

Naquele dia, porém, ela já não disse “a casa de vocês”.

### “Esta casa é dele, não é?”

— Oksana, vocês ainda não decidiram o que vão fazer nas férias de verão? — perguntou de repente Ludmila Pavlovna.

— Ainda não — respondeu Oksana.

— Então venham para cá por uma semana. Há espaço de sobra.

Oksana olhou surpresa para o irmão.

— Precisamos conversar sobre isso com o Serguei.

— Por quê? Vocês são família.

Serguei franziu a testa.

— Mãe, por que você está convidando pessoas para a nossa casa?

O rosto de Ludmila Pavlovna endureceu.

— “Nossa casa”? Estou falando da minha própria filha!

— Não é essa a questão.

— Então qual é?

— É que isso deveria ser combinado conosco.

— Uma semana! Não façam um problema por causa disso.

Serguei não respondeu.

Mas foi então que Ludmila Pavlovna pronunciou a frase que mudaria tudo.

— Eu achava que aqui você era o dono.

Olga Sergeevna levantou lentamente a cabeça.

— E por que a senhora achava isso?

Ludmila Pavlovna olhou para ela.

— Porque Serguei faz tudo aqui há três anos. Foi ele quem reformou. É ele quem trabalha. Esta casa é dele, não é?

Silêncio.

Um silêncio longo e desconfortável.

Serguei já estava abrindo a boca para responder.

Mas Olga Sergeevna falou primeiro.

— Não.

Ludmila Pavlovna olhou para ela, sem entender.

— Não?

— Não é a casa dele.

— Então de quem é?

Olga Sergeevna recostou-se tranquilamente na cadeira.

— Minha.

Ninguém se mexeu.

Até Misha parou de comer o bolo.

Ludmila Pavlovna olhou primeiro para Irina.

Depois para Serguei.

E novamente para Olga.

— Como assim, sua?

— A casa e o terreno estão registrados em meu nome.

O rosto da mulher mudou em um instante.

— Mas… Serguei…

— Mãe — disse o homem calmamente. — A casa nunca foi minha.

— Mas você reformou tudo!

— Sim.

— Então por quê?

— Porque nós moramos aqui.

— E você sabia disso?

Serguei sorriu, mas não havia alegria alguma naquele sorriso.

— É claro que eu sabia.

### “E você ficou ouvindo tudo isso?”

Ludmila Pavlovna estava claramente constrangida.

Mas apenas por alguns segundos.

Então voltou ao ataque.

— E por que ninguém me contou isso?

— Quando deveríamos ter contado? — perguntou Serguei. — Você nunca perguntou.

— Porque eu simplesmente presumi!

— Esse era exatamente o problema.

Ludmila Pavlovna então olhou para Olga Sergeevna.

— Então a senhora ouviu tudo isso e deliberadamente não me corrigiu?

Olga permaneceu tranquila.

— Até hoje ao meio-dia, a senhora nunca havia dito na minha frente que a casa pertencia ao Serguei.

— Mas você sabia que eu pensava assim!

— Eu não sabia.

— Não diga isso!

— Eu realmente não sabia.

Olga ficou em silêncio por um instante.

Depois acrescentou:

— Mas hoje ouvi a senhora falando sobre como eu teria feito tão pouco pelos meus filhos. Então pensei que talvez fosse hora de esclarecer esse mal-entendido.

Ludmila Pavlovna ficou imóvel.

E Irina sentiu, pela primeira vez, que sua mãe não apenas havia se defendido.

Ela também havia colocado elegantemente em seu devido lugar alguém que tinha ido longe demais.

### A última frase

Ludmila Pavlovna olhou ao redor, ofendida.

— Então precisava dizer isso na frente de todo mundo?

Serguei suspirou.

— Mãe, ninguém quis humilhar você.

— Claro. Foi muito conveniente.

— O que tornou este almoço constrangedor não foi a escritura da casa.

— Então o quê?

Serguei olhou para a mãe.

— O fato de você ter passado meia hora explicando para Olga Sergeevna o quanto ela fez pouco por nós…

Ele fez uma pausa.

— …enquanto estava sentada na casa dela.

Depois daquela frase, ninguém disse nada.

Oksana quebrou o silêncio.

— Mãe… o Serguei tem razão.

Ludmila Pavlovna olhou para a filha, chocada.

— Você também está contra mim?

— Não estou contra você. Só acho que realmente não havia necessidade de começar essa discussão.

Olga Sergeevna então falou:

— Oksana, se vocês quiserem vir para cá no verão com as crianças, podem vir, é claro. Só vamos combinar antes da próxima vez.

— Está bem — concordou Oksana.

Ludmila Pavlovna ficou em silêncio.

Não discutiu mais.

Terminou o chá.

Levantou-se.

Despediu-se de Misha.

Depois foi embora.

No corredor, porém, sussurrou para Serguei:

— Vocês fizeram questão de me humilhar na frente de todos.

Serguei ajudou a mãe a vestir o casaco.

Depois respondeu calmamente:

— Mãe, ninguém quis humilhar você. Nós pedimos várias vezes que parasse.

Ludmila Pavlovna não respondeu.

Serguei acompanhou-a até a porta.

Antes de sair, ela se virou mais uma vez.

— Você poderia ter ficado do lado da sua própria mãe.

Serguei ficou em silêncio por alguns segundos.

Então disse apenas:

— E quem ficaria do lado da Olga?

Dessa vez, Ludmila Pavlovna não conseguiu responder.

Saiu.

A porta se fechou atrás dela.

### Uma semana depois

Mais tarde, Oksana ligou novamente para Olga.

— Sobre a visita no verão… realmente não queremos causar nenhum problema.

— Oksana, não há problema algum. Se quiserem vir, venham. Só precisamos combinar antes.

— Obrigada.

Uma semana depois, a própria Ludmila Pavlovna ligou para o filho.

Nunca mais discutiu sobre a casa.

Também deixou de convidar Oksana sem o conhecimento do irmão.

E havia mais uma coisa.

Depois daquele domingo, ninguém mais ouviu Ludmila Pavlovna dizer:

“É a casa do Sérioja.”

Porque agora todos conheciam a verdade.

E talvez Ludmila Pavlovna também tivesse aprendido que, antes de começar a distribuir papéis na vida dos outros, não custa verificar primeiro quem é realmente o dono da casa em que você está sentada com tanta confiança.

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