A garota de quem todos riram passou no estranho teste do príncipe
Durante quatro anos, o príncipe Adrian procurou uma esposa. Mas havia uma exigência tão estranha que, em pouco tempo, todo o reino começou a fazer piadas sobre ela.
Ele queria uma mulher com “pernas perfeitas”.
O conselho real estava desesperado. Adrian era o único herdeiro do trono, e o futuro da família real dependia, em grande parte, de seu casamento.
— Alteza, já examinamos centenas de candidatas — disse Leon, o velho artesão do palácio, com voz cansada. — Talvez devêssemos mudar um pouco essa exigência.
Adrian apenas balançou a cabeça.
— Não. Tudo deve permanecer exatamente como está.
Ninguém sabia por que o formato das pernas era tão importante para ele.

Candidatas vinham de todas as partes do reino. Algumas passavam meses fazendo dietas. Outras frequentavam aulas de dança para aperfeiçoar seus movimentos. Algumas até usavam sapatos especiais, acreditando que isso melhoraria seu desempenho no teste.
Mas todas precisavam enfrentar a mesma prova estranha.
Leon havia construído um aparelho especial feito de madeira, metal e placas móveis de medição. No centro havia duas partes estreitas e douradas, onde a candidata deveria colocar os pés.
Ela precisava ficar completamente imóvel durante alguns segundos.
Então o aparelho dava sua resposta.
Para algumas, ouvia-se apenas um leve estalo.
Para outras, um sinal mais forte.
Em alguns casos, Leon simplesmente balançava a cabeça.
Durante quatro anos, nenhuma candidata havia apresentado o resultado que Adrian esperava.
Naquele dia, mais um grupo de jovens mulheres chegou ao salão do palácio.
Todas estavam elegantemente vestidas. Algumas eram altas e muito magras, outras usavam penteados sofisticados e joias caras.
Entre elas estava Emma.
Ela era diferente de todas as outras.
Era baixa, tinha um corpo mais cheio e usava um simples vestido cor de vinho. Não tinha joias caras nem um penteado elaborado.
Assim que entrou no salão, algumas das outras candidatas trocaram olhares e começaram a rir baixinho.
— Ela realmente veio fazer o teste? — sussurrou uma delas.
— Talvez tenha entrado na sala errada — respondeu outra.
Emma ouviu tudo, mas não abaixou a cabeça.
Leon conferiu a lista.
— Emma.
Ela deu um passo à frente.
Algumas risadas voltaram a ecoar pelo salão.
Adrian, sentado em seu alto assento, observava as candidatas como sempre fazia.
— Tem certeza de que quer fazer o teste? — perguntou Leon.
Emma ficou em silêncio por alguns segundos.
— Se as regras são iguais para todas, por que eu não deveria tentar?
O salão ficou em silêncio.
Pela primeira vez naquele dia, Adrian olhou diretamente para ela.
— Deixem-na fazer o teste — ordenou.
Emma caminhou até o aparelho.
Colocou os pés exatamente nos lugares indicados.
— Não se mexa — avisou Leon.
Emma permaneceu imóvel.
Um segundo.
Dois.
Três.
Então o aparelho emitiu um som estranho.
Estalo.
Depois outro.
Leon imediatamente se inclinou sobre o mecanismo.
Seu rosto mudou.
— Isso é impossível…
Alguém no salão soltou uma risada.
— O que aconteceu?
Leon levantou a cabeça.
— Ela passou.
O salão inteiro ficou em silêncio.
— O quê?
— Ela passou no teste — repetiu Leon.
E foi então que aconteceu algo que ninguém havia visto durante quatro anos.
Adrian se levantou.
Todos olharam para ele.
Durante quatro anos, o príncipe quase nunca se levantava em público. Muitos acreditavam que aquilo era apenas uma peculiaridade de seu comportamento.
Mas a verdade era muito mais dolorosa.
Quatro anos antes, Adrian havia sofrido um grave acidente durante uma caçada. Suas pernas ficaram seriamente feridas. Mais tarde, os médicos descobriram que ele também sofria de uma rara doença articular hereditária.
E havia algo que o assustava mais do que tudo.
Existia o risco de que a doença fosse transmitida aos seus futuros filhos.
Era justamente por isso que aquele aparelho havia sido criado.
Ele não media beleza alguma.
O mecanismo analisava a posição dos pés, o alinhamento dos joelhos, a distribuição do peso corporal e outros fatores físicos que, segundo os médicos, poderiam estar relacionados ao risco genético.

Adrian havia feito questão de espalhar a ideia de que procurava apenas mulheres com pernas bonitas.
Não queria que as candidatas soubessem o verdadeiro objetivo do teste.
Caso contrário, elas poderiam tentar manipular os resultados.
E, pela primeira vez em quatro anos, alguém havia apresentado um resultado quase perfeito.
Emma continuava parada, sem saber o que pensar.
— Então… eu passei? — perguntou baixinho.
Adrian caminhou em sua direção.
— Isso não significa que você tenha que se casar comigo — disse ele.
Emma o encarou, surpresa.
— Então por que me trouxe até aqui?
O príncipe sorriu pela primeira vez.
— Porque, em quatro anos, você é a primeira pessoa que realmente quero conhecer.
Emma ficou em silêncio.
Adrian então olhou para todos os presentes no salão.
Naquele dia, todos aprenderam uma lição que jamais esqueceriam:
Às vezes, justamente a pessoa que todos consideram a candidata com menos chances é aquela que acaba sendo exatamente quem você estava esperando a vida inteira.


