“Denisinho, meu filho, coma logo essa sopa antes que esfrie!” — a voz de Tamara Vassílievna enchia a cozinha como uma ordem militar disfarçada de cuidado maternal.
Denis suspirou, deixou o telefone de lado e, obedientemente, pegou a colher de prata da família.
Naquele dia, ele completava trinta e oito anos.
Trinta e oito.
E, ainda assim, estava sentado no mesmo apartamento, à mesma mesa, comendo a mesma sopa que sua mãe preparava para ele havia quase trinta anos.
O amor de Tamara Vassílievna era como um cobertor grosso de penas. Quente, reconfortante… e, às vezes, quase sufocante.
Na cozinha, tudo permanecia igual. Os copos de cristal brilhando no armário, o piso de madeira rangendo sob os pés, o velho relógio na parede marcando o tempo exatamente como fazia vinte anos antes.
Como se o tempo tivesse simplesmente parado.
— Você jogou suas meias debaixo do sofá de novo? — perguntou Tamara, enquanto ajeitava automaticamente uma mecha de cabelo na testa do filho.
— Mãe, depois eu pego.
— Aham. Igual à semana passada.
— Eu peguei na semana passada.
— Sim. Depois que eu encontrei.
Denis sorriu.
Provavelmente já tinham repetido aquela conversa umas mil vezes.
Então respirou fundo.
— Mãe… eu vou me casar.
A concha parou no ar.
O rosto de Tamara endureceu.
No instante seguinte, a concha caiu com um grande respingo dentro da sopa quente.
— O quê?!
— Vou me casar.
Seguiu-se um silêncio de alguns segundos.
Então veio a tempestade.
— Com quem?!
— Com a Nastya.
— Que Nastya?
— A única Nastya com quem eu estou.
— Há quanto tempo?
— Seis meses.
— SEIS MESES?!
Tamara olhou para ele como se tivesse acabado de anunciar que estava se mudando para Marte.
— E você só me conta isso agora?!
— Não surgiu oportunidade…
— Em seis meses não surgiu oportunidade?!
O interrogatório começou imediatamente.
Idade.
Trabalho.
Salário.
Pais.
Avós.
Saúde.
Tipo sanguíneo.
Por pouco ela não perguntou qual era o símbolo dele no jardim de infância.
Quando soube que Nastya trabalhava em um banco, Tamara estreitou os olhos com desconfiança.
— Em um banco?
— Sim.
— Entendo…
Ela não entendia.
Mas já não gostava da ideia.
No sábado seguinte, Nastya apareceu pessoalmente.
Chegou elegantemente vestida, trazendo um lindo bolo e uma garrafa de vinho caro.
Ela sorria.
Tamara Vassílievna, não.
Na porta, examinou a jovem dos pés à cabeça.
O bolo.
O vinho.
A jovem novamente.
Depois, sem dizer uma palavra, colocou nas mãos dela um enorme par de chinelos desajeitados.
Nastya percebeu que aquilo era apenas o aquecimento.
E não estava errada.
O jantar parecia uma cúpula diplomática entre dois países inimigos.
Todos sorriam.
Ninguém relaxava.
— Experimente a nossa sopa — disse Tamara com uma doçura suspeita. — Imagino que hoje em dia vocês jovens só comam fast-food.
— Eu gosto de cozinhar — respondeu Nastya calmamente.
— Sério?
— Sim.
— E o que cozinha?
— Caldos leves.
Tamara quase congelou.
— Caldos?
— Sim.
— Isso não é comida. Isso é dieta.
Denis já sentia que em breve precisaria chamar uma ambulância para uma das duas.
Depois vieram os assuntos delicados.
Doenças.
Hereditariedade.
Histórico familiar.
Passado.
Futuro.
Apartamento.
Filhos.
Dinheiro.
Nastya, para surpresa de todos, manteve-se firme.
Respondia a cada ataque com calma.
E, às vezes, até contra-atacava.
Tamara lidava cada vez pior com isso.

Mas a situação realmente ficou perigosa quando chegou a mãe de Nastya.
Nina Pavlovna.
Uma mulher decidida.
De opiniões fortes.
E absolutamente sem medo.
As duas mulheres sentaram-se frente a frente na cozinha.
Mais tarde, Denis diria que parecia uma negociação entre duas potências nucleares discutindo o destino do mundo.
No começo, discutiram sobre tudo.
Sopa.
Carne.
Variedades de maçã.
Medicamentos.
Educação dos filhos.
Casamento.
Até sobre a maneira correta de descascar batatas.
Então aconteceu algo inesperado.
A discussão lentamente se transformou em conversa.
A conversa virou confidência.
E descobriram que haviam passado a vida inteira fazendo exatamente a mesma coisa.
Superprotegendo os filhos.
Interferindo em seus relacionamentos.
Tentando poupá-los de qualquer decepção.
E, sem perceber, tornando suas vidas mais difíceis.
Por alguns segundos, houve silêncio.
Então Nina Pavlovna começou a rir.
Tamara a acompanhou.
As risadas ficaram cada vez mais altas.
Poucos minutos depois, conversavam como se fossem amigas há vinte anos.
Denis e Nastya, assustados, refugiaram-se na sala.
Da cozinha vinham sons de taças se chocando e gargalhadas animadas.
— Denis… — sussurrou Nastya. — Você percebe que essas duas acabaram de formar uma aliança?
— Percebo.
— E acho que isso é muito pior do que quando estavam brigando.
Denis olhou para a porta.
Outra gargalhada ecoou do outro lado.
— Você acha que deveríamos nos mudar?
— De preferência para outro continente.
— Não adiantaria.
— Verdade.
Nesse momento, ouviram a voz de Tamara na cozinha:
— As férias deles vamos organizar juntas!
— E também vamos ajudar a decorar o apartamento! — acrescentou Nina.
Denis fechou os olhos.
Nastya caiu na risada.
As duas mães finalmente fizeram as pazes.
Só que às custas dos próprios filhos.


