Galina Sergeyevna não entrou simplesmente no apartamento.
Ela invadiu como uma generala que toma posse de um território conquistado, empurrando à sua frente uma mala enorme e abarrotada, como se fosse um aríete pronto para derrubar qualquer último limite.
Atrás dela, Veronika arrastava os passos. Os tênis gastos rangiam no chão a cada movimento. Três mochilas pendiam dos seus ombros, e debaixo do braço ela carregava um bambolê dobrável. Ela não parecia uma visitante temporária — parecia alguém que estava se mudando de vez.
— Lenochka, minha querida! — anunciou Galina Sergeyevna ainda no corredor. — Ficaremos só por algumas semanas. Aconteceu uma catástrofe! Os canos do apartamento da Veronika estouraram. Está tudo inundado, até o porão!
Ela nem sequer tirou os sapatos.
Eu estava na porta da cozinha, segurando uma xícara de café preto. Era o meu segundo daquela noite — tão amargo que quase queimava, mas naquele momento era a única coisa que ainda me mantinha conectada à realidade.
Oleg surgiu da sala.
Ele pegou rapidamente uma das mochilas da irmã e evitou imediatamente meu olhar. Parecia um menino pego em falta, tentando desaparecer.
— Oleg, você disse que eles só viriam tomar um chá, eu disse calmamente.
Minha voz era tranquila.
Tranquila demais.
Daquela tranquilidade que vem antes da tempestade.
— Lena, é realmente uma emergência, murmurou ele. Não podemos deixá-las na rua.
Enquanto falava, ele recuava lentamente pelo corredor, como se procurasse uma saída para fugir da situação.
Enquanto isso, Galina Sergeyevna já havia tomado o hall de entrada. Abriu o armário, empurrou meus casacos para o lado e começou a organizar suas coisas.
— Veronika precisa de descanso agora, explicou ela. Aquele artista inútil destruiu completamente os nervos dela.
Veronika já tinha encontrado a fruteira.
Pegou uma maçã, mordeu alto e depois passou os dedos pegajosos na mesa brilhante.
Três horas se passaram.
Nesse curto tempo, o nosso apartamento mudou completamente.
Creme, loções e cosméticos de Veronika estavam espalhados por todos os lugares. Revistas de autoajuda empilhavam-se pela sala. No banheiro, seus frascos ocupavam todas as prateleiras.
Galina Sergeyevna ainda reorganizou a minha cozinha.
— Assim é muito mais lógico, declarou satisfeita enquanto mexia nos meus temperos.
Eu observava em silêncio.
Observava a minha casa deixar lentamente de ser minha.
À noite, Galina Sergeyevna entrou no nosso quarto.
O olhar dela parou imediatamente no novo colchão ortopédico, pelo qual eu tinha economizado durante meses.
Ela deu leves tapinhas nele, como se estivesse avaliando um objeto de valor.
— Oleg, traga os travesseiros, ordenou. Veronika vai dormir aqui.
Por um instante, achei que tinha ouvido errado.
— Como?
— Minha filha tem o corpo sensível, respondeu como se fosse óbvio. Ela precisa deste colchão. Vocês podem dormir na sala.
Veronika concordou com a cabeça.
— Sim, meu costas estão doendo ultimamente.
E começou a espalhar seus cosméticos na minha mesa de cabeceira.
Oleg ficou parado na porta.
Eu esperei.
Esperei ele dizer algo.
Lembrar que aquele era o nosso quarto.
A nossa cama.
A nossa casa.
Que existiam limites.
Mas ele permaneceu em silêncio.
Baixou apenas o olhar.
E naquele instante eu entendi algo.
A traição não tinha começado naquela noite.
Não tinha começado quando eles chegaram.
Já vinha acontecendo há muito tempo.
Eu só não queria ver.
— Então a Veronika vai dormir aqui? perguntei.
— Claro, sorriu Galina Sergeyevna. Família ajuda família.
Algo dentro de mim virou.
Não de forma explosiva.
Não com raiva.
Mas de forma definitiva.
Eu não gritei.
Não chorei.
Não discuti.
Apenas fui até a maior mala de Veronika.
O silêncio tomou conta do quarto.
— Lena, o que você está fazendo? perguntou Oleg.
Eu não respondi.
Arrastei a mala até a janela.
E a abri.
O ar frio da noite entrou no quarto.
— Lena! gritou Veronika.
Tarde demais.
Com um único movimento, levantei a mala e a joguei pela janela.
Por alguns segundos ela desapareceu na escuridão.
Depois veio um impacto surdo lá embaixo.
Veronika gritou.
Galina Sergeyevna me encarava como se me visse pela primeira vez.
— Você ficou louca?!
Eu me virei para ela.
— Não, respondi calma. Só estou cansada.

Peguei outra bolsa.
— Lena, para! gritou Oleg, segurando meu braço.
Eu o encarei.
Só isso.
E ele soltou.
A segunda bolsa seguiu a primeira.
Veronika chorava.
Galina Sergeyevna gritava.
E eu, pela primeira vez em meses, me sentia completamente em paz.
— Vocês têm dois minutos, eu disse. Para sair do meu apartamento.
Minha voz era baixa.
Mas foi ouvida.
Poucos minutos depois, a porta bateu com força.
Silêncio.
Um silêncio verdadeiro.
Não pesado, não sufocante — apenas vazio e respirável.
Sentei na beira da cama.
O colchão sustentava perfeitamente minhas costas.
Dez minutos depois, Oleg entrou no quarto.
Estava pálido.
Sentou-se no chão e ficou olhando para baixo por um longo tempo.
— Minha mãe disse que amaldiçoa o dia em que te conheceu, disse ele finalmente.
Eu sorri levemente.
— Então foi um bom dia.
Lá fora, as luzes da cidade piscavam sob a janela.
A cortina se movia com o vento da noite.
E pela primeira vez em muito tempo, aquela casa voltou a ser minha.
Algumas pessoas ultrapassam limites porque acreditam que nunca haverá consequências.
Confundem paciência com fraqueza.
Mas todo limite tem uma última linha.
E, às vezes, basta mostrá-la uma única vez para que ninguém mais a atravesse.


