Meu marido quis mostrar aos amigos quem manda em casa. Eu ouvi — e virei tudo de cabeça para baixo.

Se você encontra uma mulher cujo caráter — digamos assim — já foi “assado”, coberto com glacê e depois deixado esfriar, então há uma coisa que é melhor esclarecer desde o início: não vale a pena colocá-la de volta no forno na tentativa de trocar o recheio.

Simplesmente não funciona.A mulher, claro, é um ser flexível. Mas essa flexibilidade se parece mais com a de uma mola de aço: quanto mais você pressiona, com mais força ela volta. E, se você exagera, ela não se acomoda em silêncio — devolve tudo com um estalo alto e alegre.

Mas há homens que nunca entendem isso.O meu marido, Vágik, por exemplo, aos quarenta e cinco anos de repente descobriu em si um Pigmalião. Decidiu que eu não era uma pessoa pronta, mas uma matéria-prima — algo que, com a “educação” certa,

poderia ser moldado numa esposa obediente, refinada, com padrão Michelin.Essa grande ideia explodiu durante as festas de maio. Vágik convidou os antigos amigos para a dacha — Misa e Tólik. Homens sérios, com leve barriga, que resolvem problemas geopolíticos mundiais entre uma grelha e outra.

Enquanto isso, eu passei a manhã inteira girando como um pião: marinando carne, cortando legumes, lavando salada, arrumando a mesa, organizando a casa. O clássico “trabalho de bastidor” das festas.Depois saí para a varanda com a tigela de salada na mão.

E ouvi.Atrás da esquina, a voz de Vágik — confiante, didática:— Estou te dizendo, mulheres são como massa de modelar! Só precisa moldar direito. Aposto uma garrafa de conhaque que em poucas horas transformo a minha Lena numa esposa perfeita!

— Como assim? — resmungou Misa. — A tua Lena tem personalidade.— Reforço negativo! — respondeu Vágik triunfante. — Tem que criticar. Ela vai sentir vergonha, vai se adaptar, evoluir… aprendam, rapazes!Fiquei ali parada com a salada.

E por um instante tudo ficou em silêncio dentro de mim.Normalmente, nesse momento vem a ofensa. A discussão. O drama.Mas algo diferente começou em mim.Vágik esqueceu uma coisa: eu não sou massa de modelar.Sou uma mulher cansada, mas que não quebra. E se você começa a “me moldar”, eu não fico melhor.

Fico mais criativa.Entrei entre os convidados com o meu sorriso mais bonito — aquele que só se usa em último caso.Vágik já estava em modo de palestra.— Lena — disse alto, para todos ouvirem — por que você cortou os legumes tão grandes? A esposa do Misa corta tudo bem fininho!

Silêncio.Os convidados congelaram.Eu ri.— Ah, Vágika! Você tem razão! Isso está horrível!E, com um movimento decidido, virei toda a salada no lixo.— Se não é perfeito, então não existe! — disse alegremente. — Meu marido só merece o melhor!

Vágik piscou.Essa reação não estava no seu “manual de treinamento”.— Lena… não precisava disso… — murmurou Misa.— Claro que precisava! — respondi. — Aqui só trabalhamos com qualidade!Depois virei para Vágik:

— Você está certo, querido. Eu não sou cuidadosa o suficiente. Aliás… acho melhor você mesmo assar a carne.E coloquei os espetos nas mãos dele.Ele ficou parado, congelado.— O quê?— Claro. Você é o mestre da casa. Pelo menos até o controle remoto.

E fui me trocar.Quinze minutos depois voltei com um robe de seda e uma taça de tônica gelada.A churrasqueira estava em caos. O carvão não pegava. Os homens estavam perdidos.Sentei ao lado de Tólik.— Então, rapazes, como vai o grande projeto? — perguntei inocentemente.

Vágik me lançou um olhar.— Lena, assim não dá! Vem ajudar!— Não posso — suspirei. — Estou acumulando energia feminina.Depois virei para Misa:— Aliás, conta de novo como o Vágik consertou aquela torneira… sabe, aquela lendária, que acabou alagando o vizinho de baixo.

Risadas explodiram.O resto do dia já não foi sobre “moldar” ninguém.Vágik, em silêncio, grelhou algo que parecia mais um experimento do que um jantar. Não tentou mais ser sábio.À noite, Misa se inclinou e disse para ele:

— Vágik… massa de modelar, né?E riu, dando um tapinha no ombro dele.— O homem sábio não molda a mulher. Só não se esquece de que ela está viva.Eu apenas sorri.Porque há uma coisa que é bom que todos lembrem:

Quando alguém tenta te “reformar”, às vezes basta devolver a ele o próprio reflexo.O resto ele mesmo resolve.

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