A pobre esposa chegou ao tribunal com os gêmeos – a amante desmaiou quando o juiz revelou o segredo.

Na sala de audiências da Suprema Corte da Cidade do México, o ar estava pesado e frio. O cheiro de cera recém-polida se misturava ao aroma de perfumes caros. Era o cheiro do poder — e, para Diego Garza, o cheiro de uma vitória iminente.

Diego ajustou lentamente a manga de seu terno italiano sob medida e olhou para seu relógio de ouro.9:05.Um sorriso satisfeito e zombeteiro se formou em seus lábios.

Sua esposa — ou melhor, a mulher que em poucas horas seria sua ex-esposa — estava atrasada.Típica Camila.Sempre nervosa, sempre um pouco desorganizada, e constantemente envolta no cheiro de talco de bebê e detergente barato.

Aos olhos de Diego, ela nunca pertenceu ao mundo de arranha-céus de vidro reluzentes e carros de luxo.Ela fazia parte do passado. Um passado que Diego queria apagar a qualquer custo.

Ao lado dele, Valeria Montenegro cruzava as longas e perfeitas pernas.Valeria era tudo o que Camila não era.Elegante. Radiante. Predadora.

Ela usava um conjunto branco impecável que custava mais do que todo o guarda-roupa de Camila junto, e seus diamantes brilhavam a cada movimento.

Valeria colocou lentamente a mão perfeitamente manicurada no braço de Diego.— Você acha que ela terá coragem de aparecer? — sussurrou, alto o suficiente para que os repórteres no fundo da sala ouvissem.

— Ou finalmente percebeu que já perdeu este jogo há muito tempo?Diego soltou uma risada baixa e desdenhosa.— Camila é teimosa, disse ele preguiçosamente. Mas não é inteligente.

Ela virá. Ela acha que se derramar lágrimas suficientes, o juiz terá pena dela.Ele bateu o dedo na grossa pasta à sua frente.O contrato pré-nupcial.

À prova de falhas.Pelo menos era o que prometera Arturo Vargas, um dos advogados de divórcio mais temidos do país.Nesse momento, as enormes portas de carvalho da sala de audiências se abriram com um rangido.

As conversas cessaram imediatamente.Todos esperavam a mesma coisa.Uma mulher quebrada.Uma esposa chorando.Alguém que imploraria.

Mas quando Camila entrou, o ar na sala mudou.Ela parecia exausta.Vestia um suéter cinza grande demais e um vestido desbotado com estampa de flores que Diego já tinha visto nela três anos atrás.

Mas ela não estava sozinha.Com a mão esquerda, segurava a mão de Mateo, e com a direita a de Sofía.Os gêmeos de três anos estavam impecavelmente vestidos. Mateo usava um terno azul-marinho, e Sofía, um vestido branco como a neve.

Pareciam dois pequenos anjos no meio de uma tempestade iminente.Camila não olhou para as câmeras.Também não olhou para os repórteres sussurrando.Ela olhou diretamente nos olhos de Diego.

Seu olhar era calmo.E inabalável.No fundo do coração, ela rezava silenciosamente.— Eu estou aqui, disse ela finalmente.Sua voz era baixa, mas toda a sala a ouviu.

— E trouxe meus filhos porque eles precisam ver isso.Valeria riu alto.— Pelo amor de Deus! Ela trouxe as crianças para um processo de divórcio? zombou. Diego, essa mulher não tem uma pitada de elegância.

— Ordem no tribunal! — exclamou o juiz Robles, batendo seu martelo.Camila atravessou calmamente a sala.Sentou-se sozinha à mesa da defesa.

Não tinha advogado.Tirou de sua bolsa um pequeno bloco de desenho para que as crianças pudessem desenhar em silêncio.Arturo Vargas se levantou imediatamente.

— Meritíssimo, começou em tom arrogante, a ré compareceu sem representação legal, atrasada, e obviamente não tem recursos financeiros para continuar com este processo.

Fazendo uma breve pausa, continuou:— Meu cliente solicita a guarda total das crianças.Um murmúrio percorreu a sala.

— A Sra. Garza vive em um bairro pobre, continuou Vargas. Ela não oferece o ambiente adequado para criar os filhos. Meu cliente, por outro lado, pode proporcionar escolas de elite, babás e segurança.

Camila ouviu em silêncio.Não interrompeu uma única vez.Quando Vargas terminou, o juiz Robles olhou para ela.— Sra. Garza, disse ele, a senhora assinou este contrato pré-nupcial?

Camila assentiu lentamente.— Sim.Sua voz permaneceu calma.— Eu o assinei por amor.Ela vasculhou a bolsa e tirou um grosso envelope marrom.— Mas Diego esqueceu um pequeno detalhe.

Diego ergueu uma sobrancelha.Camila aproximou-se do púlpito.— Parece que ele esqueceu quem eu era antes de me tornar garçonete.Valeria riu alto.— E quem era você? Ninguém!

Camila virou-se lentamente para ela.Seu sorriso era frio.— Eu apenas me escondia, disse ela suavemente.O juiz pegou os documentos.Começou a ler.Na primeira página, levantou as sobrancelhas.

Na segunda, empalideceu.Na terceira, sua mão começou a tremer.Olhou para Diego.A sala ficou em silêncio absoluto.— Senhor Garza… disse finalmente o juiz.

— O senhor sabe de quem é o algoritmo da Garza Dynamics?Diego riu.— Meu.— Não, respondeu o juiz.Ele olhou para Camila.— A detentora da patente é Camila Cárdenas.A sala exalou em uníssono.

— E o que é ainda mais interessante… continuou o juiz.— Camila Cárdenas é a única herdeira do império de telecomunicações Cárdenas.Os flashes das câmeras dispararam.Repórteres gritaram.

O rosto de Diego empalideceu.— Isso é impossível…— A senhora, disse o juiz friamente, não é proprietária da empresa.Uma pausa.— Você é apenas uma funcionária.Diego caiu de joelhos.

De repente, as portas se escancararam.Agentes do Ministério Público entraram na sala.— Diego Garza e Valeria Montenegro, anunciou a voz. Vocês estão sob prisão por suspeita de fraude e espionagem industrial.

Algemas estalaram.Valeria gritou.Diego implorou.Camila apenas pegou Sofía nos braços e segurou a mão de Mateo.O juiz Robles inclinou-se respeitosamente para ela.

— Caso encerrado, Sra. Cárdenas.Camila assentiu silenciosamente.E saiu da sala de audiências.Seis meses depois, do quinquagésimo andar da recém-renomeada Torre Aurora, toda a cidade se estendia à sua frente.

Camila estava junto à janela.Vestia um terno elegante e discreto.Ela não era mais uma vítima.Era a CEO de uma das maiores empresas de tecnologia do continente.Sua assistente entrou.

— Sra. Cárdenas… outra carta chegou da prisão. De Diego Garza.Camila olhou para o envelope.Depois, jogou-o na gaveta junto com as outras cartas não abertas.

— Destrua-o, disse calmamente.Em seguida, caminhou em direção à sala de jogos.Mateo e Sofía brincavam em um belo tabuleiro de xadrez.Camila se ajoelhou ao lado deles.

Acariciou seus cabelos.— Na vida, disse ela suavemente, não vence quem ataca primeiro.Sofía olhou para cima.— Então quem?Camila sorriu.— Aquele que sabe o que deve proteger.— E que nunca esquece que a luz sempre acaba vencendo a escuridão.

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