— Sveta, você está bem? Você parece estar desmoronando — falei, enquanto levantava o pacote fumegante. — O Viktor está em casa? Hoje é nosso aniversário de casamento. Vinte e cinco anos…
— Não… quer dizer, sim… mas ele está em uma reunião. Muito importante. Com os investidores — respondeu Svetlana, com o rosto pálido e os lábios tremendo.Ouvi passos pesados e decididos no corredor. Viktor entrou, e não estava sozinho.
Uma risada feminina ecoava atrás dele, artificial e estridente, e tudo dentro de mim se contraiu.Svetlana agarrou meu ombro, segurando firme no meu casaco.— Rápido, para o armário! — sussurrou, fechando a porta.
Fiquei presa em um espaço estreito, entre cabides e casacos pesados de inverno. O cheiro de couro e papel velho se misturava. Através das frestas da porta, podia ver parte do escritório.A porta do escritório se abriu.
— Svetik, que alegria, nos traz um café. Não entre, estamos em uma conversa séria — disse Viktor, sem nos olhar.Ao lado dele, uma mulher alta caminhava, vestindo um vestido vermelho justo. Ela ajeitava o cabelo pelo caminho, com os lábios curvados em descontentamento.
— Vitya, até quando? Você prometeu que resolveríamos isso hoje. Estou cansada de me esconder.— Angela, mais baixo — Viktor a puxou para perto. — Só mais um pouco. Minha dona já preparou tudo.
Ela acredita firmemente que estou salvando nosso futuro. Hoje à noite, ela assina a transferência da propriedade para minha irmã, como se fosse por causa dos oficiais de execução. Em uma semana, minha irmã transferirá para você. E tudo estará bem.
Levei a mão à boca para não gritar. Meu coração se apertou. Aquela casa… que compramos com cada centavo nos anos 90. Onde nosso filho cresceu. Onde conhecíamos cada rachadura no teto.— Ela realmente vai assinar? — Angela tocou a gravata de Viktor. — E se ela resistir?
— Marina? — Viktor riu de forma condescendente, com tanto desprezo na voz que me senti mal. — Em vinte e cinco anos, você nunca tomou uma decisão. Pergunta: “Vitya, isso realmente ajuda?” Eu digo: “Sim, querida, é pelo nosso futuro.” E ela assina.
Nem vai passar pela cabeça dela que seu futuro será um quarto coletivo, que eu generosamente concederei.Fecharam a porta do escritório.Caí no chão do armário, sobre caixas empoeiradas. O almoço que preparei por três horas estava esfriando.
Pato com cama de maçã — o favorito de Viktor.Depois de algum tempo, Svetlana abriu a porta. Ela limpava as lágrimas silenciosamente, a maquiagem borrada.— Marina Viktória, você precisa sair. Não consegui de outro jeito.
Há seis meses, ele enganou minha irmã. Ela era a contadora. Impondo-lhe enormes faltas, ameaçando prisão se não saísse. Eu só esperava o momento…— Você tem acesso ao computador dele? — perguntei friamente.
— Sim. E também às chaves do cofre. Ele frequentemente as deixa na gaveta quando esta garota está aqui. Ele perde completamente a cabeça.— Svetlana, precisamos de todos os documentos e contas em nome dele. Você consegue fazer isso?
Ela assentiu. Um olhar determinado surgiu em seus olhos, dando-me força também.Voltei para casa antes de Viktor. Retirei a mesa posta, guardei as velas. Coloquei sobre a mesa as cópias dos documentos. Descobri que a empresa do meu marido prosperava.
Sem dívidas, sem oficiais de execução. Só aquela garota recebia os pagamentos, provenientes das concessionárias de carros e joalherias.Viktor chegou às nove, alegre, com um buquê de crisântemos.
— Querida, estou em casa! Desculpe o atraso, os parceiros…Entrou na cozinha, jogou o buquê no chão e congelou. Eu estava junto à janela, a luz apagada, apenas a iluminação da rua iluminando levemente.
— Marina, o que é isso no escuro? Onde está o jantar? É uma comemoração.— A comemoração terminou no seu armário, Viktor — disse, sem olhar para ele.Ele congelou. Ouvi um suspiro pesado.
— Que armário? Do que você está falando? Você se sobrecarregou na cozinha?Acendi a luz. Coloquei na frente dele um gravador. Svetlana não apenas entregou os documentos, mas também gravou a conversa no escritório — lá não economizaram nas palavras.
Viktor ficou em silêncio por um tempo. Tentou pegar o gravador, mas segurei sua mão.— Não precisa. As cópias já estão com o advogado. E com seu parceiro também.

Tenho certeza de que vai se interessar para onde foram os fundos da empresa que você gastou com sua “favorita” sob o pretexto de trabalho.
Ele empalideceu imediatamente. Sentou-se na cadeira da manhã.— Marina, escute… Apenas palavras. Homens às vezes falam demais. Eu só queria me divertir, a casa… apenas pela nossa segurança!
— Chega, Viktor. Não sou idiota. Não irei ao quarto coletivo com sua irmã.— Sem mim, você não é ninguém! — gritou, levantando-se. — Tudo que tenho, consegui! A casa é minha, o carro é meu! Entendeu?!
Levantou a mão, mas não me movi.— Tente. E então, além do caso, haverá outro por falsificação de propriedade. Svetlana viu que você assinou no meu lugar.Viktor abaixou a mão lentamente. Tremia.
— O que você quer? — gaguejou.— Agora você vai embora. Com uma mala. A casa é minha. O carro é meu. Metade da sua empresa é minha. Amanhã de manhã, esses documentos estarão com as autoridades. Escolha.
Uma hora depois, a porta se fechou atrás dele. Fui até a janela, vendo-o caminhar na escuridão em direção ao carro, mala em mãos. Um homem pequeno, patético, à luz da lâmpada.Voltei para a cozinha. Joguei fora os crisântemos.
O pato ainda estava sobre a mesa. Cortei um pedaço e comi lentamente. Estava saboroso. Sem amargor, sem decepção — apenas comida.No dia seguinte, liguei para Svetlana.— Sveta, você vai trabalhar amanhã?
— Pedi demissão, Marina Viktória. Não aguento mais lá.— Venha para mim. Vou abrir meu próprio atelier. Preciso de alguém que saiba lidar com dinheiro e não tenha medo de desafios.Svetlana riu silenciosamente ao telefone.
— Vou, com certeza vou. Coloquei o telefone no gancho e, no espelho, vi meu próprio olhar. Olhos tranquilos. Sem lágrimas. Apenas a vida continua — agora honestamente, sem mentiras, propriedade alheia ou medo.


