Quando Vera voltou da entrevista de emprego, mal podia acreditar no que via.

Vera se levantou, segurou delicadamente a pequena mão de Polina e, passo a passo, com cuidado, caminharam em direção à casa. Cada passo da menina era incerto, como se a qualquer momento quisesse voltar atrás. Vera sentia o medo na mãozinha da filha,

mas se esforçava para permanecer calma.– Não precisa ter medo, meu bem – sussurrou, com uma voz que misturava tranquilidade e firmeza. – Só vamos descobrir o que aconteceu, e depois voltamos para casa, está bem?Polina apenas assentiu, entrelaçando os dedinhos firmemente com os da mãe.

Quando a campainha tocou, Valya abriu a porta. Seu rosto estava pálido, o cabelo bagunçado, e havia olheiras profundas sob os olhos.– Vera! Eu já… já ia chamar a polícia! – gritou, a voz tremendo de medo. – Só dei um passo na cozinha e,

quando voltei… Polina… não estava em lugar nenhum!– O que aconteceu? – perguntou Vera, com o coração disparado, mal conseguindo conter o tremor na voz.Valya ficou de braços abertos, sem saber o que dizer. – Não sei… Estávamos desenhando, e então alguém bateu na porta.

Era uma mulher. Ela disse que conhecia o pai da criança… o pai verdadeiro. Polina ficou pálida e não disse nada. Eu fechei a porta, mas percebi que algo a incomodava. E alguns minutos depois… ela já não estava mais lá!O coração de Vera se apertou.

– Quem era essa mulher? O que exatamente ela disse?– Não sei… Nunca a tinha visto antes. Era alta, de casaco escuro, uns trinta anos. Talvez fosse uma antiga cuidadora da casa onde ela morava…Polina, que até então permanecia em silêncio, falou baixinho,

mas de forma clara:– Ela disse… que a mamãe veio me buscar, e você esqueceu…Vera quase desabou com aquelas palavras. Ela se abaixou, segurou os ombros da filha e olhou em seus olhos.– Meu tesouro… nunca, entende? Nunca iria te esquecer. Aquela mulher mentiu.

Polina apenas assentiu, mas lágrimas se formaram em seus olhos. Vera sentiu um alívio silencioso, sabendo que agora a filha estava segura.Valya suspirou. – Me desculpe, Vera… Eu realmente me virei só por um instante.– Tudo bem, Valya, não te culpo – disse Vera,

envolvendo a menina carinhosamente. – O importante é que agora ela está aqui.Naquela noite, o apartamento estava silencioso. Dima já sabia o que havia acontecido – Vera havia ligado a caminho. Ele agora estava sentado na sala, com Polina no colo,

enquanto a menina cantava baixinho uma canção que acabara de inventar.Vera preparou chá na cozinha, e o vapor subia lentamente no ar. Levou para eles.– Aqui, aqueça-se, meu bem – disse, acariciando os cabelos da filha.Polina tomou um gole de chá,

depois passou a caneca para Dima e falou baixinho, com voz insegura:– Achei que teria que voltar… para aquele lugar.– Você não vai mais lá – respondeu Vera, firme. – Este é o seu lar. Nós somos sua família.Dima assentiu, abraçando o ombro da filha com força.

– Nós dois sempre estaremos aqui, Polina. Sabe o que faremos amanhã? – perguntou, tentando esboçar um pequeno sorriso.– O quê?– Vamos ao parque, onde tem o grande lago, e vamos comprar algodão doce. Um tão enorme que mal vai caber na sua mão!

Polina sorriu, só um pouco, mas de forma genuína, e Vera percebeu que aquele sorriso dizia mais que palavras.Alguns dias depois, Vera recebeu um e-mail sobre o seu primeiro dia de trabalho: “Bem-vinda à equipe!” – escreveu Marina.

Mas antes de sair, ela se sentou na cozinha, observando Polina tomar o café da manhã. A menina já não estava tão triste quanto no ponto de ônibus. No caderno, ela desenhava: três pessoas de pé – mãe, pai e filha. Acima, em letras grandes, escreveu: “Família”.

Os olhos de Vera se encheram de lágrimas.– Que desenho lindo, meu bem.– Somos nós – disse Polina, simplesmente. – E o coelhinho também está conosco.O velho coelhinho de pelúcia ainda estava na mesa, sorrindo.Vera acariciou os cabelos da filha e sussurrou:

– Agora tudo vai ficar bem. Eu juro.Ao fechar a porta, ouviu a voz de Polina vindo do quarto:– Mamãe, volte logo!E Vera, que esperou a vida inteira ouvir aquelas palavras, sorriu e respondeu:– Sempre voltarei, meu tesouro. Sempre.

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