O mundo de repente ficou em silêncio.Não por vergonha.Não pela dor da pancada.Mas pelo que eu senti.Minha mão descansava nas costas de Rohan… e não era um corpo sem vida.
Havia tensão nele. Força. Uma reação imediata que me atingiu como um choque elétrico nos braços.Rohan se moveu.Não foi um espasmo involuntário.
Não foi um movimento fraco e trêmulo.Foi um gesto puro, firme e controlado.Fiquei paralisada diante dele, meu coração batia descompassado, cada batida ressoando nos meus ouvidos.
—Você…? —sussurrei, sem coragem de terminar a frase.Seus olhos, aqueles olhares escuros, frios e penetrantes, finalmente abandonaram a farsa.
Pela primeira vez desde o casamento, havia vida neles.Rohan segurou meu pulso com firmeza.—Ananya —disse em voz baixa, mas firme—. Levante-se. Agora.
Imediatamente fiquei de pé, recuando como se tivesse tocado fogo.Ele respirou fundo… e então aconteceu o impossível.Ele plantou os pés no chão frio.
No início, com dificuldade, fazendo esforço.Depois, lentamente, equilibrando-se.E finalmente… ele se levantou.Eu sentia as paredes girarem ao meu redor, o mundo se borrando, meu coração batendo na garganta.
—Mas… —gaguejei, minha voz tremendo—. Disseram que você estava paralisado…Um sorriso amargo passou por seu rosto.—Cinco anos —respondeu, sua voz carregada de raiva e cansaço—. Cinco anos fingindo que não podia andar.
—Por quê? —perguntei, minha voz quebrando, lágrimas já se acumulando nos meus olhos—. Por que mentiu sobre isso?Rohan se virou para a janela, o luar desenhando sua silhueta: a de um homem que nunca foi fraco.
—Porque esta família não perdoa a força —disse seriamente—. Só sabe controlar.Então ele olhou para mim novamente. Agora seu olhar carregava outra coisa: a verdade que havia escondido por anos.

—E porque sua madrasta sabia da verdade.Um arrepio percorreu minhas costas, meu estômago se contraiu.—O que… o que quer dizer com isso? —sussurrei, quase sem voz.
Rohan deu um passo em minha direção. Já não havia distância entre nós. Sua presença esmagava todos os meus pensamentos.—Ela não deu você a um homem inválido —sussurrou, sua voz quase entrando no meu ouvido—.
A um homem que fingiu por sobrevivência.Minha mente se encheu de lembranças.O casamento apressado.O apego desesperado.A frase que me assombrava há anos:
“Você não precisa de amor. Você precisa de estabilidade.”—Quanto receberam por isso? —perguntei, minha voz trêmula, lágrimas agora escorrendo livremente.
Rohan não respondeu de imediato. Nos olhos dele, eu vi uma dor que ele havia escondido por anos.—Mais do que vale uma casa —disse finalmente, devagar—.
Mas menos do que você vale.Minhas pernas tremiam.Achei que tinham me forçado a casar com um homem quebrado.Na verdade… fui vendida como parte de um pacto sombrio entre duas famílias.
E isso ainda não era o pior.Porque Rohan se inclinou em minha direção, seu olhar ardendo, sua voz penetrando até meu coração:—Ananya… esta noite não foi um acidente.
Fui forçada a me casar com você porque você era a peça que faltava.Meu coração batia tão rápido que parecia que iria saltar do peito.
O mundo inteiro parou por um instante, e eu fiquei ali,
totalmente impotente, enquanto os segredos e mentiras desmoronavam diante de mim.E finalmente compreendi: nunca foi a fraqueza, mas a verdade que sempre nos separou da liberdade.

