Meu marido proibiu terminantemente que eu aparecesse na casa de campo da mãe dele. Abri a porta com a minha própria chave e ouvi uma voz familiar vindo da escuridão.

Kira passou os dedos pela superfície fria e lisa da ilha da cozinha. O cheiro da madeira recém-tratada misturava-se ao aroma quente do parquet caro e ao vapor do café acabado de fazer. A luz do sol inundava o enorme apartamento de pé-direito alto com intensidade quase excessiva — de manhã, até a claridade parecia limpa demais.

Vadim estava sentado à mesa, deslizando o dedo pelo telefone com desinteresse. Mal tocava no café da manhã cuidadosamente preparado, como se nem o notasse.

— Vadik, olha só… ficou tudo tão bonito — disse Kira, sentando-se diante dele, com um sorriso cheio de alegria sincera e infantil. — Ainda é estranho acordar e não estar num apartamento de um quarto. Sua avó… é incrível o que ela fez por nós.

Vadim suspirou e largou o telefone.

— Kira, precisa começar toda manhã com isso?

Sua voz era dura. Dura demais.

O rosto da jovem se contraiu por um instante, mas ela rapidamente disfarçou. Fazia apenas dois meses que tinham se mudado para o luxuoso apartamento no centro da cidade, que Anna Vasilievna, a avó de oitenta anos de Vadim, havia transferido para eles.

Na época, a idosa dissera apenas:
— Esta casa é grande demais para mim… mas vocês precisam de vida, não de solidão.

E foi embora. Pelo menos, era isso que diziam.

— Só estou agradecida — respondeu Kira baixinho. — Só isso.

Vadim virou-se para a janela.

— Minha mãe disse que ela está bem. Está no sul, com a irmã. Passeando, descansando, aproveitando a vida.

Kira assentiu, mas algo apertou seu peito. A história parecia perfeita demais.

Então, um dia, Vadim viajou “a trabalho”.

E Kira ficou sozinha no silêncio pela primeira vez.

E o silêncio trouxe perguntas.

Na manhã de sábado, ela entrou no carro.

Sessenta quilômetros. Só isso.

Zarechnoye era silenciosa, quase deserta. A velha casa no fim do terreno não parecia arruinada à primeira vista — apenas abandonada. Como se alguém não tivesse ido embora, mas escondido algo.

O portão rangeu, mas se abriu.

Havia um cadeado na porta… meio aberto.

O coração de Kira disparou.

— Tem alguém aqui? — perguntou, insegura.

Do interior da casa veio um ruído fraco e frágil.

Quando entrou, o ar era gelado, e cheiro de mofo e umidade impregnava as paredes.

E ali, na penumbra…

uma figura.

Uma senhora idosa, enrolada em xales, tremia sentada no sofá.

— Vovó…? — sussurrou Kira.

A mulher levantou os olhos.

E o mundo parou.

— Kirochka… você… como me encontrou?

Kira caiu de joelhos ao lado dela.

— Disseram que estava no sul. Com sua irmã…

A velha sorriu amargamente.

— Não existe sul. Nem irmã. Tudo era mentira.

As palavras caíam lentamente, como pedras.

— Vadim… e a mãe dele… me trouxeram para cá. Disseram que seria melhor assim. Mais tranquilo.

A mão de Kira fechou-se em punho.

— E deixaram a senhora aqui… desse jeito?

A idosa abaixou a cabeça.

— Disseram que, se eu contasse algo… me colocariam num asilo. Que eu nunca mais veria a luz do sol.

O silêncio que veio depois foi mais pesado do que qualquer grito.

Kira levantou-se.

Seu rosto havia mudado.

— Arrume suas coisas. Agora mesmo.

Dez minutos depois, já estavam indo embora.

Não havia quase nada para levar.

Ao voltar para a cidade, Kira chamou primeiro um médico. O diagnóstico foi curto, mas chocante:

— Se ela tivesse ficado lá mais algumas semanas… talvez não sobrevivesse ao inverno.

Depois, chamou um advogado.

O melhor.

E esperou.

Quando Vadim voltou para casa, jogou a bolsa no chão com um sorriso.

— Então, sentiu minha falta?

Mas na sala não houve resposta.

Só silêncio.

E uma poltrona.

Nela, Anna Vasilievna.

Viva.

O rosto de Vadim empalideceu.

— Isso… isso não é possível…

— Fui a Zarechnoye — disse Kira calmamente. — Ao lugar onde você me proibiu de ir.

Vadim riu nervosamente.

— É um mal-entendido! Ela… ela está confusa! Nós só queríamos ajudar!

— Ajudar? — A voz de Kira tornou-se gelada. — Vocês a deixaram numa casa sem aquecimento. Sem telefone. Cercada de mentiras.

Vadim aproximou-se.

— O apartamento é nosso! Ela assinou!

— Vocês a chantagearam.

Em um instante, tudo desmoronou.

— Tenho um advogado — disse Kira. — E uma denúncia.

O rosto de Vadim se deformou de raiva.

— Você vai destruir tudo por causa de uma velha?!

Kira sorriu amargamente.

— Não. Por sua causa.

O divórcio foi rápido.

O processo, mais rápido ainda.

As provas eram claras demais.

A doação foi anulada.

O apartamento voltou para Anna Vasilievna.

Vadim perdeu o emprego.

A mãe dele perdeu o apartamento.

E perderam um ao outro.

Um ano depois, Kira já vivia outra vida.

Orquídeas floresciam na sala, e o cheiro de canela e maçãs assadas vinha da cozinha.

Anna Vasilievna, envolta num cobertor quente, trouxe chá para ela.

— Você trabalha demais, Kirochka.

Kira sorriu e colocou o lápis ao lado dos projetos.

— Agora já não preciso ter medo de nada.

Ela olhou para a idosa e depois para além da janela.

— Só me arrependo… de não termos aberto aquela porta mais cedo.

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