“Arrume suas coisas. Meu irmão não tem para onde ir” — disse o marido. Mas a esposa deu uma resposta que ninguém esperava.
Semyon entrou na cozinha usando casaco e botas enlameadas. Pegadas molhadas ficaram marcadas no tapete claro. Ele tirou lentamente as luvas e jogou as chaves ao lado do pão recém-cortado. A água que escorria do chaveiro rapidamente molhou a crosta do pão.
Daria estava em silêncio diante do fogão, segurando uma espátula de madeira. A comida fritava na panela com um leve chiado, a televisão ecoava baixinho na sala de estar e, no parapeito da janela, uma chaleira de chá já fria permanecia esquecida. A casa estava tomada pela habitual paz da noite, mas algo a incomodava. Desde o momento em que o marido entrou, ela sentiu que aquela noite seria diferente das outras.
Semyon não a beijou. Não perguntou como tinha sido o dia dela. Nem sequer tirou o casaco.
Em vez disso, falou com uma voz calma e objetiva:
— Arrume suas coisas. Meu irmão não tem para onde ir.
Daria colocou lentamente a espátula sobre a bancada.
— O que você disse?
— Pasha e Olesya vão morar aqui. Olesya já está no oitavo mês de gravidez. Eles não podem continuar em um apartamento alugado. Eles precisam de uma casa de verdade.
A mulher ficou alguns segundos apenas olhando para o marido.
Pensou que tinha ouvido errado.
— E… onde nós vamos morar?
— Na casa da sua mãe. Ela mora sozinha em um apartamento de um quarto, então vocês terão que se apertar um pouco. Não será para sempre. Eu já disse ao Pasha que eles podem se mudar no sábado.
Daria quase conseguiu ouvir algo dentro dela se quebrando para sempre.
Não era uma pergunta.
Não era uma sugestão.
Não era uma decisão tomada pelos dois.
Semyon já havia decidido por ela também.
Ele falava como se o apartamento pertencesse somente a ele.
Mas aquele apartamento de dois quartos estava no nome de Daria. Ela o comprou três anos antes do casamento. Durante cinco anos trabalhou em turnos noturnos como operadora, para pagar o financiamento o mais rápido possível. Enquanto seus amigos viajavam, ela fazia horas extras. Enquanto outras pessoas descansavam nos fins de semana, ela aceitava turnos duplos. Durante anos usou o mesmo casaco velho de inverno, porque cada centavo economizado ia para o pagamento da dívida.
Ela se lembrava perfeitamente do dia em que recebeu as chaves.
Paredes vazias.
Cheiro de tinta.
Chão sem acabamento.
Mas, para ela, aquele era o lugar mais bonito do mundo.
Era a primeira coisa na vida que ela havia conquistado apenas com seu próprio esforço.
Depois conheceu Semyon.
O homem realmente ajudou na reforma. Escolheu azulejos, montou móveis, discutiu com os trabalhadores e pintou as paredes nos fins de semana. Daria era grata por isso.
Depois do casamento, Semyon costumava dizer sorrindo:
— Como ficou lindo o nosso apartamento.
Daria sempre sorria.
Ela nunca o corrigiu.
Afinal, eles eram marido e mulher.
Ela achava que não importava o nome que estava no documento do imóvel.
A confiança valia mais do que qualquer papel.
Com o passar dos anos, o “nosso apartamento” simplesmente se tornou “nosso lar”.
E Daria gostava disso.
Mas agora o mesmo homem estava diante dela, distribuindo o destino dela como se pudesse decidir tudo com uma única assinatura.
— Você não acha que deveria ter perguntado primeiro a mim? — perguntou ela calmamente.
Semyon olhou para ela, confuso.
— O que eu deveria ter perguntado? Pasha está passando por dificuldades. Eu não vou deixar meu irmão na rua.
— E eu?
— Não dramatize.
Essas duas palavras machucaram Daria mais do que o próprio pedido.
Não dramatize.
Como se eles não estivessem falando sobre ela sair da própria casa.
Daria respirou fundo.
Ela conhecia bem a história de Semyon.
Quando ele tinha quatorze anos, o pai deles abandonou a família de repente. A mãe trabalhava em dois empregos para sustentar os filhos, e Semyon praticamente se tornou um pai para o irmão de um dia para o outro.
Era ele quem acordava Pasha de manhã.
Quem preparava seu café da manhã.
Quem o levava para a escola.
Quem participava das reuniões de pais.
Quem o ensinava a andar de bicicleta.
Quem o consolava quando ele chorava.
Ainda adolescente, carregava uma responsabilidade que muitos adultos não conseguiriam suportar.
Daria sempre admirou isso nele.
Foi exatamente por isso que ela não reclamou quando, um ano antes, Pasha pediu dinheiro para comprar um carro.
A viagem de férias deles já estava totalmente paga.
Faltavam apenas algumas semanas para a partida.
Mas naquela noite Semyon sentou-se ao lado dela no sofá.
— Eu sei que esperamos muito por essa viagem… mas Pasha precisa mais da nossa ajuda agora.
Daria ficou em silêncio por muito tempo.
Depois finalmente concordou.
— Tudo bem.
Eles cancelaram a viagem.
O dinheiro foi entregue a Pasha.
O irmão mais novo prometeu devolver tudo dentro de um ano.
Desde então, quatorze meses haviam passado.
O assunto do dinheiro nunca mais foi mencionado.
Pouco tempo depois, Pasha pediu ajuda novamente.
Dessa vez, precisava apenas da geladeira antiga.
— Só por uma semana — disse ele sorrindo.
— Claro — respondeu Semyon.
Daria também não disse nada naquela ocasião.
A geladeira voltou apenas três meses depois.
Estava cheia de comida de outras pessoas.
Com pratos que não eram deles.
Até havia um desenho infantil preso na porta com um ímã.
Como se aquela geladeira nunca tivesse pertencido à família.
Daria passou horas limpando tudo.
Sem reclamar uma única vez.
Porque acreditava que, em uma família, às vezes é preciso fazer concessões.
Mas agora algo completamente diferente havia acontecido.
Agora não era sobre uma viagem.
Nem sobre dinheiro.
Nem sobre uma geladeira emprestada.
Era sobre a casa dela.

O único lugar pelo qual ela havia trabalhado durante anos.
Enquanto isso, Semyon tirou o casaco tranquilamente.
Como se a conversa já tivesse terminado.
— Pasha vai trazer algumas caixas amanhã — disse ele. — Seria bom se você começasse a arrumar suas coisas até lá.
Daria virou-se lentamente para ele.
— Você realmente acha que eu vou embora?
O homem suspirou.
— Não faça uma cena.
— Responda.
— Daria… serão apenas alguns meses.
— Quem disse isso?
— Bem…
— Quem decidiu?
Pela primeira vez, Semyon ficou inseguro.
— Eu… eu achei que…
— Exatamente. Você achou.
A mulher caminhou até a entrada, pegou o molho de chaves e secou a água que ainda estava nele.
Por um momento, segurou aquelas chaves nas mãos.
Eram as mesmas chaves que ela recebeu anos antes, com lágrimas nos olhos, diante do cartório.
Naquele dia, pensou que elas representavam segurança.
Agora percebeu que segurança não vinha das paredes.
Vinha de saber se a pessoa em quem você mais confia realmente está ao seu lado.
E, naquele momento, pela primeira vez, sentiu que o marido não queria apenas ajudar o irmão.
Ele estava disposto a sacrificar tudo aquilo que era mais importante para Daria.
A mulher levantou lentamente o olhar.
Sua voz permaneceu calma, mas havia nela uma firmeza que Semyon nunca tinha ouvido antes.
— Tudo bem. Se você já decidiu quem vai morar aqui…
Ela fez uma pausa.
— …então até domingo você também vai sair deste apartamento.
Na cozinha, ficou um silêncio tão profundo que até o leve chiado da panela parecia alto.
Semyon olhava para a esposa em choque.
Pela primeira vez, entendeu que, daquela vez, Daria não iria recuar.
Continua na próxima parte…


