# O garoto mais popular da escola me convidou para o baile. Então a polícia chegou por causa dele.
Durante a maior parte dos meus anos no ensino médio, eu sentia como se vivesse atrás de uma parede invisível.
As pessoas me notavam, mas nunca pelos motivos que eu queria.
Notavam a marca de nascença que cobria o lado esquerdo do meu rosto.
Notavam as roupas de brechó que minha mãe e eu podíamos comprar.
Notavam que eu quase sempre almoçava sozinha.
E nunca me deixavam esquecer disso.
No último ano, eu já tinha desistido de acreditar que algo mudaria. Aprendi a manter a cabeça baixa, evitar contato visual e atravessar os corredores lotados o mais discretamente possível. Aos dezessete anos, desaparecer tinha se tornado a minha maior habilidade.
Quando a temporada do baile de formatura chegou, a escola se encheu de cartazes coloridos, conversas animadas e contagens regressivas nas redes sociais. Em todos os lugares, falavam sobre vestidos, acompanhantes e festas.
Eu não queria participar disso.
Não porque eu odiava o baile.
Mas porque eu já sabia como minha história terminaria.
Ninguém me convidaria.
Isso parecia tão certo quanto o nascer do sol.
Uma noite, eu estava sentada com minha mãe na nossa pequena mesa da cozinha. Ela jantava rápido antes de sair para o segundo trabalho.
— Hannah — disse ela com cuidado — você já pensou no baile?
Eu ri sem humor.
— Pensar em quê?
— Só se forma uma vez.
— E eu só tenho um rosto — respondi.
Assim que as palavras saíram da minha boca, me arrependi.
Minha mãe estendeu a mão e segurou a minha.
— Não deixe que outras pessoas definam o seu valor.
Era uma frase bonita.
Mas depois de quatro anos de zombarias, sussurros e humilhações, era difícil acreditar nisso.
A manhã seguinte começou como qualquer outra.
Cheguei à escola, abri meu armário e peguei meus livros.
Então ouvi uma voz conhecida.
— Oi, Hannah.
Me virei.
Meu coração quase parou.
Era Caleb Parker.
O Caleb Parker.
O astro do time de futebol.
Um aluno exemplar.
O garoto mais popular da escola.
O tipo de garoto que nunca tinha dificuldade para encontrar alguém para um evento.
Por um segundo, pensei que ele estivesse falando com outra pessoa.
Mas não havia ninguém atrás de mim.
— Posso te perguntar uma coisa? — ele disse.
— Claro — respondi, com cautela.
Ele sorriu, mas parecia nervoso.
— Você gostaria de ir ao baile comigo?
O corredor pareceu desaparecer ao meu redor.
Os sons ficaram distantes.
Eu apenas o encarei.
— Você quer me chamar?
— Sim — ele disse. — Você.
— Por quê?
Foi a única coisa que consegui perguntar.
Caleb hesitou por um momento.
— Porque eu acho que você é uma boa pessoa, Hannah. E porque estou cansado de ver como as pessoas te tratam.
A resposta parecia sincera.
Talvez até sincera demais.
Mas uma parte de mim queria acreditar nele.
Precisava acreditar.
Então eu disse sim.
A reação na escola foi imediata.
Sussurros me seguiram pelos corredores.
Os alunos me encaravam abertamente.
Alguns pareciam confusos.
Outros, divertidos.
Minha melhor amiga Megan parecia preocupada.
— Hannah, por favor, me diz que você vai ter cuidado — disse ela no almoço.
— O que você quer dizer?
— Algo nisso não parece certo.
Tentei ignorar a preocupação dela.

Mas no fundo eu sentia o mesmo.
Principalmente alguns dias depois, quando Brittany Dawson me parou no banheiro.
Ela estava encostada na pia, sorrindo.
— Aproveite o baile, Hannah.
Havia algo em seu tom que me arrepiou.
Algo que apertou meu estômago.
Ainda assim, ignorei os sinais de alerta.
Pela primeira vez em anos, algo bom parecia estar acontecendo comigo.
Eu não queria estragar isso com desconfiança.
Durante dias, minha mãe trabalhou em um vestido antigo que guardava no fundo do armário. Todas as noites, depois do trabalho, ela costurava cuidadosamente sob a luz da cozinha.
Quando a noite do baile finalmente chegou, o vestido estava lindo.
Quando Caleb apareceu na porta do nosso apartamento com um corsage na mão, minha mãe quase chorou.
— Você está linda — ele disse.
E pela primeira vez em muito tempo, eu quase acreditei nisso.
O ginásio da escola tinha sido transformado.
Luzes, decoração e música enchiam o espaço.
Assim que entramos, centenas de olhares se voltaram para nós.
Os sussurros começaram imediatamente.
Mas Caleb segurou minha mão e me levou para a pista de dança.
Por um breve momento, tudo pareceu normal.
Quase mágico.
Então começaram os comentários.
— Olha o Caleb fazendo trabalho voluntário hoje!
Alguém riu.
Outra voz gritou:
— Quanto será que pagaram pra ele fazer isso?
O riso se espalhou pelo salão.
Cada palavra me atingia como um golpe.
Todas as minhas inseguranças voltaram de uma vez.
Senti lágrimas queimando meus olhos.
— Caleb — sussurrei. — Eu quero ir embora.
Ele olhou para mim e assentiu imediatamente.
— Tudo bem.
Fomos em direção à saída.
O riso ainda nos seguia.
Eu mantinha os olhos no chão.
Então, de repente, as portas do ginásio se abriram com força.
Três policiais entraram.
A música parou.
As conversas cessaram.
O salão inteiro ficou em silêncio.
Os policiais caminharam com determinação entre a multidão.
Direto em nossa direção.
Meu coração batia tão forte que doía.
Eles pararam na nossa frente.
O policial mais alto olhou para Caleb.
— Você precisa vir conosco imediatamente.
Um murmúrio de choque percorreu o salão.
Meu estômago se revirou.
Virei-me para Caleb.
— O que você fez?
O rosto dele ficou pálido.
Ao redor, os alunos já estavam pegando seus celulares.
O policial me encarou.
— Você não sabe?
— Não sei o quê? — perguntei.
Por alguns segundos, ninguém falou.
Então Caleb respirou fundo.
— Hannah — disse com a voz trêmula — eu preciso te contar a verdade.
E naquele instante, diante de centenas de colegas, eu percebi que aquela noite, que deveria ser a melhor lembrança da minha vida, estava prestes a mudar tudo para sempre.

