A manhã começou como qualquer outra — silenciosa, comum, sem nenhum acontecimento especial. Mas no momento em que minha esposa entrou na cozinha, pálida e visivelmente preocupada, tudo mudou de repente.
— Escuta — disse ela, com a voz baixa —, estou ouvindo uns barulhos estranhos no carro. Algo como… tic-tac.Franzi a testa.— Tic-tac? Você tem certeza? Ontem estava tudo normal.— Sim, exatamente isso — insistiu, franzindo as sobrancelhas. — Liguei o motor, dirigi um pouco,
e o carro funcionava normalmente… mas havia algo dentro dele que fazia um clique, como… um pequeno batimento mecânico.A descrição me deixou inquieto.Peguei meu casaco e saí para conferir.O ar da manhã estava frio, imóvel, quase inquietantemente quieto.
Primeiro, abri o capô. O motor estava limpo, todos os cabos no lugar, nada solto ou suspeito.Depois, agachei para inspecionar os pneus — todos em ordem, normais.Abri o porta-malas — vazio.Por um momento, pensei que talvez ela tivesse imaginado… talvez não fosse nada.
Ainda assim, algo dentro de mim me empurrou a olhar sob o carro.Deitei-me no asfalto áspero, sentindo o frio atravessar minhas roupas. Acendi a lanterna do celular e iluminei por baixo do veículo… e foi então que meu fôlego falhou.Ali, preso à parte de baixo do carro com fita isolante preta, havia uma pequena caixa.
Simples. Preta. Sem nenhuma marca.Mas inconfundível.Um rastreador GPS.Recuei tão rápido que quase bati a cabeça.De onde isso veio? Quem colocou aqui?Minhas mãos tremiam enquanto ligava para minha esposa.— Você sabia que há um rastreador sob o nosso carro?
A voz dela explodiu pelo telefone:— O quê? Um rastreador? Do que você está falando? Eu não coloquei nada!O pânico dela só aumentou o meu.Voltei cuidadosamente para debaixo do carro, retirei o dispositivo e o segurei na mão.
Era pequeno — pequeno demais. Uma antena se projetava para o lado, quase como se apontasse para mim.Uma onda de frio me percorreu.Alguém estava nos seguindo.Não hesitei. Dirigi direto para a delegacia, com o rastreador no banco do passageiro, como uma bomba prestes a explodir.
Dentro da delegacia, aproximei-me do policial de plantão e coloquei o aparelho no balcão.— Encontrei isto debaixo do meu carro — disse, tentando controlar a voz —. O que é? Quem poderia ter colocado aqui?O policial pegou o aparelho, examinou-o lentamente e assentiu.
— É um rastreador GPS. Onde exatamente você o encontrou?— Abaixo — respondi. — Preso ao chassi com fita.Ele trocou um olhar com outro policial. Não estavam surpresos, nem confusos… apenas preocupados.Então suspirou e se inclinou para mais perto.

— Tivemos um caso parecido recentemente — começou —. Parece que você não foi o primeiro.Um calafrio percorreu minha espinha.— O que quer dizer? Quem está fazendo isso?O policial esfregou a testa, como se decidisse se contaria toda a verdade.
— Veja bem — começou —, a oficina que você visitou… na verdade, não é apenas uma oficina comum. Claro, eles fazem consertos, trocam óleo, serviços básicos… mas nos bastidores, o dono está sob nosso radar há meses.Engoli em seco.
— Sob o radar? Por quê?— Porque eles escolhem clientes com carros de valor — disse o policial. — Colocam rastreadores sem que ninguém perceba. Depois observam onde o carro fica à noite. Quando conhecem a rotina… eles roubam.
Meu estômago virou.— Então, se eu não tivesse encontrado…Ele assentiu calmamente.— Seu carro provavelmente estaria desaparecido até o final da semana. Talvez até hoje à noite. Você chegou a tempo.De repente, o ar parecia pesado, como se alguém tivesse aumentado a gravidade.
Liguei para minha esposa.— Você se lembra para onde levou o carro ontem? — perguntei. Ela hesitou.— Sim… mas achei que era apenas um posto comum. Os preços pareciam normais, o lugar parecia limpo…Fechei os olhos.
— Tenha cuidado — disse suavemente. — Eles colocaram o rastreador lá.Houve silêncio na linha — um silêncio que pressiona até os tímpanos.


