Meu marido disse: “Eles vão trazer um bolo.” Por isso, não comprei carne nem carvão para 12 pessoas.

# Meu marido disse: “Eles vão trazer um bolinho.” Então me recusei a comprar carne e carvão para doze pessoas…

— Larissa, meus filhos vêm no sábado — anunciou Viktor, sem tirar os olhos do celular. — Os três, com suas famílias.

Larissa estava na pia, lavando cerejas. A água corria para dentro do escorredor, e as frutas maduras batiam suavemente no fundo.

— Os três? — perguntou ela. — Isso significa doze pessoas, Viktor.

— E daí? Eles estão com saudades do pai. É verão, temos a casa de campo. Não podem passar o fim de semana inteiro sentados em seus apartamentos!

— Sábado é depois de amanhã.

— Sim. Artyom me mandou uma mensagem. Eles chegam por volta do meio-dia. Kostya talvez chegue um pouco mais tarde, porque vai trabalhar. Você sabe como Kostya é.

Larissa conhecia todos muito bem. Artyom, Sveta, Alina, Denis, Olga e os seis netos de Viktor: Miron, Eva, Vasilisa, Timofey e os gêmeos Mark e Marta.

Ela também conhecia de cor as preferências de cada um. Quem não comia cebola, quem queria compota sem frutas, quem precisava de uma porção separada sem temperos e quem não comia nada além de macarrão com queijo.

Ela secou as mãos e se sentou em um banquinho da cozinha.

— Vitya, eles vão trazer alguma coisa?

— Como assim?

— Exatamente o que eu perguntei. Carne, legumes, qualquer coisa?

— Larissa, vamos lá! Eles estão vindo visitar o pai. O que você espera que façam? Que viajem carregando panelas e frigideiras? Vão trazer um bolo, como sempre.

— Um bolo — repetiu ela, assentindo. — Um bolo para doze pessoas.

— Vai ter comida de sobra. Você vai cozinhar, como sempre.

E pronto. Ele disse aquilo com a mesma naturalidade de quem pede para ela acender a luz.

Você vai cozinhar, como sempre.

Seis anos antes, durante o primeiro verão após o casamento, Larissa havia se esforçado ao máximo para causar uma boa impressão. Tinha medo de que os filhos de Viktor pensassem que o pai cometera um erro ao se casar com ela.

Levantava-se às cinco da manhã, temperava a carne, assava tortas, preparava vários pratos, lavava as janelas da varanda e colocava a linda toalha de mesa que guardava para ocasiões especiais.

Os filhos chegaram à uma da tarde. Comeram, foram ao rio, voltaram e comeram novamente. Depois foram embora às nove da noite, porque precisavam acordar cedo no dia seguinte.

Larissa terminou de lavar a louça à meia-noite e meia.

Viktor já estava dormindo.

— Larissa, você é uma verdadeira mágica! — exclamou Alina, esposa de Artyom, ao se despedir. Ela deu um beijo no ar, perto da bochecha de Larissa. — Que banquete! Comemos até não aguentar mais!

Aquela frase — você é uma verdadeira mágica — tornou-se uma tradição familiar. Todo verão, alguém a repetia, quase palavra por palavra.

No terceiro ano, Larissa já conhecia a rotina de cor.

As três famílias chegavam. Traziam um bolo e muita animação. Todos se divertiam, comiam até quase não conseguirem se mexer e voltavam para casa satisfeitos.

Todos, menos Larissa.

Ela comprava a carne, geralmente quatro quilos, porque Artyom comia bastante e Denis comia ainda mais. Comprava o carvão, os legumes, as ervas, o pão, a água mineral, o suco para as crianças e a cerveja para os homens.

Preparava tudo, lembrava-se das preferências de cada um e garantia que ninguém fosse embora com fome.

Cada reunião de sábado custava pelo menos doze mil rublos.

Isso quando ela ainda se dava ao trabalho de fazer as contas.

— Por que você não pede que eles contribuam? — sugeriu certa vez Nina, sua amiga e colega de trabalho.

— Como eu poderia pedir? Não sou mãe deles nem sogra deles. Sou apenas a esposa do pai.

— E o que você é agora?

Larissa soltou uma risada amarga.

— Uma mágica.

A verdade era que ela realmente queria que Viktor e os filhos mantivessem um bom relacionamento. Não queria que ninguém a acusasse de se intrometer na família ou de fazer o marido se esquecer dos próprios filhos.

Por isso, assava tortas de framboesa porque Sveta adorava framboesas. Mantinha bolinhos caseiros congelados porque os gêmeos se recusavam a comer qualquer outra coisa. Chegou até a plantar três fileiras extras de pepinos, pois todos queriam levar potes de seus picles levemente salgados para os próprios apartamentos.

Então chegou junho do ano anterior.

Naquele mês, Larissa machucou as costas ao carregar baldes pesados até a estufa. Durante três dias, mal conseguia se endireitar sem fazer isso aos poucos.

Os convidados chegaram ao meio-dia, como sempre.

Ela estava de pé desde as seis da manhã.

Às quatro da tarde, a maior parte da comida já havia acabado. As crianças foram ao rio com Denis, enquanto os homens se acomodaram à sombra.

Larissa saiu para a varanda a fim de recolher os pratos vazios. Quando se aproximou, ouviu Alina conversando com Olga.

— Adoro vir para cá. É como ficar em um resort. Você chega, está tudo pronto, tudo limpo, e só precisa comer!

— Você tem sorte — suspirou Olga. — Passei metade do dia de ontem na cozinha da minha casa.

— Bem, você tem sua mãe. É sua obrigação ajudá-la. Mas a Larissa… — Alina baixou a voz, embora não o suficiente. — Ela gosta disso. Fica em casa o dia inteiro. O que mais tem para fazer? Colher pepinos e assar tortas? Deveria ser grata por receber nossas visitas. Caso contrário, ela e Viktor ficariam sentados na frente da televisão.

Larissa permaneceu imóvel, segurando os pratos.

Eles pareciam pesados. Suas costas latejavam. E a única coisa em que conseguia pensar era que não passava os dias sentada em casa.

Trabalhava havia vinte e oito anos como contadora em uma empresa de administração imobiliária. Tinha tirado dois dias de folga sem remuneração especificamente para preparar aquela visita.

Mesmo assim, não disse nada.

Levou os pratos para dentro, preparou mais uma porção de compota e ficou acordada até a uma e meia da manhã limpando a churrasqueira.

Artyom simplesmente dissera ao pai:

— Amanhã, pai. Vamos, não vamos fazer isso hoje à noite.

Na manhã seguinte, foram embora às nove.

Metade do bolo de mel havia sobrado. Alina o embrulhou e levou para casa.

— Senão, vai estragar — explicou. — Eva adora esse bolo.

Na segunda-feira, Larissa foi a um neurologista.

— Você tem uma protrusão discal na região lombar — informou o médico, examinando a imagem. — Não é nada catastrófico, mas precisa evitar carregar peso e passar dez horas por dia em pé diante do fogão. O que vai fazer daqui para a frente depende de você. Não sou seu supervisor.

Ela carregou aquelas palavras consigo durante um ano inteiro.

O que você vai fazer daqui para a frente depende de você.

Sua filha, Zhenya, tentou convencê-la a se impor.

— Mãe, diga isso diretamente a eles. Peça que tragam os mantimentos!

Zhenya morava em Voronezh, trabalhava em uma clínica veterinária e visitava a mãe apenas duas vezes por ano.

— Eles vão ficar ofendidos — respondeu Larissa.

— Ofendidos com o quê? Com a expectativa de trazer alguma coisa quando vão visitar vocês? Mãe, isso é perfeitamente normal!

— É normal para você e para mim. Mas, para eles, sou apenas a tia Larissa, com sua casa, seus pepinos e suas duas mãos.

— Então, pare de ser a tia Larissa com suas duas mãos, pelo menos uma vez!

Larissa ficou em silêncio.

— Seu pai vai ficar furioso.

— Viktor Sergeyevich não é meu pai — disse Zhenya com delicadeza. — E também não é seu chefe. Mãe, você tem cinquenta e três anos. Pretende cozinhar para eles até os setenta?

Naquela noite, Larissa ficou sentada na varanda muito depois do pôr do sol. O ar tinha cheiro de lilases e do churrasco preparado na propriedade vizinha.

Ela não estava pensando na carne nem nos doze mil rublos.

Pensava no fato de que, em seis anos, nenhum dos três filhos de Viktor havia feito uma pergunta simples.

“Larissa, você não está cansada?”

Nem uma única vez.

E a parte mais dolorosa era que, se tivessem perguntado, ela provavelmente teria sorrido e dito que estava tudo bem. Teria pedido que relaxassem e aproveitassem a visita.

Mas ninguém sequer se dera ao trabalho de perguntar.

Na quinta-feira, finalmente contou tudo a Nina no trabalho.

— Doze pessoas — repetiu Nina. — E um bolo.

— Um bolo.

— Larissa, eles pelo menos trazem guardanapos? — intrometeu-se Valya, que trabalhava no escritório ao lado. — Meu genro levou um pacote de guardanapos para a sogra uma vez e se gabou da própria generosidade durante seis meses!

As mulheres riram, mas havia pouco humor naquela risada.

— Minha sogra passou quarenta anos cozinhando e lavando para todo mundo — continuou Valya. — Quando ficou acamada, adivinhe quem foi visitá-la? Eu. Os próprios filhos ligavam uma vez por mês apenas para dizer que ela precisava aguentar firme.

Nina se virou para Larissa.

— Está vendo? Para eles, você não é um membro da família. Você é a funcionária. Ninguém visita os funcionários. Eles aparecem quando estão com fome.

— Obrigada, Nina. Isso me conforta bastante.

— Não estou tentando consolar você. Estou tentando fazer com que entenda. Você pode conversar até ficar rouca, e eles vão concordar com a cabeça, depois aparecer com outro bolo. Você precisa mostrar a eles o que acontece quando para de fazer tudo.

— Como?

— Simples. Nada de gritos, nada de bater portas. Coloque na mesa exatamente aquilo que eles trouxerem. Depois, sente-se ao lado deles.

Larissa empalideceu só de imaginar a cena.

— Viktor vai me matar!

— Não vai. Vai ficar emburrado por um tempo e depois comer suas tortas. Você tem cinquenta e três anos. Daqui a dez anos, continuará sendo tão gentil quanto agora, mas suas costas e seus joelhos estarão destruídos. E, eventualmente, eles vão parar de visitar você porque não haverá mais ninguém para alimentá-los.

A última frase a atingiu mais profundamente do que qualquer outra coisa.

Não a ideia de suas costas doloridas.

A ideia de que, um dia, eles poderiam simplesmente deixar de aparecer.

Naquela noite, Larissa pegou o celular e ficou olhando para ele por quase vinte minutos. Finalmente, ligou para Kostya, o filho mais novo de Viktor.

— Olá, Kostya. Você vem no sábado?

— Claro. Por quê? Aconteceu alguma coisa?

— Não. Queria pedir uma coisa. Você poderia trazer três quilos de carne para o churrasco e um saco de carvão?

— Claro. Pode deixar. Mais alguma coisa?

Larissa ficou tão surpresa que hesitou.

— Traga bastante água e suco para as crianças.

— Está bem. Quer que eu compre tomates também? Estão vendendo uns muito bons na feira.

— Sim, por favor.

A conversa durou trinta segundos.

Larissa ficou olhando para o celular por mais três minutos, perguntando-se por que um pedido tão simples parecera uma conquista monumental.

Com Sveta foi mais difícil.

— Estávamos pensando em viajar com pouca bagagem — disse a enteada, hesitante. — Você sabe quanta coisa precisamos levar quando viajamos com as crianças…

— Sveta, você poderia preparar algumas saladas? As suas ficam deliciosas.

— Está bem. Eu preparo. Larissa, você não está chateada conosco, está?

— Não.

— Você parece diferente.

Artyom foi a última pessoa para quem ligou. Mas Alina atendeu.

— Artyom está tomando banho. Aconteceu alguma coisa urgente?

— Não. Alina, queria perguntar se você poderia trazer quatro quilos de carne para o churrasco e um saco de carvão no sábado.

Houve uma pausa de três segundos.

— Como assim? — perguntou Alina, com a voz subitamente controlada. — Nós vamos como convidados, não para um evento empresarial em que todo mundo precisa contribuir com dinheiro. Estamos indo visitar o pai! Ele criou aqueles filhos, e eles o visitam há vinte anos. Nunca ninguém nos passou uma lista de tarefas antes!

— Não estou dando uma tarefa. Estou fazendo um pedido.

— Bem, vamos ver o que conseguimos fazer.

Larissa sabia exatamente o que aquilo significava no vocabulário de Alina.

Não.

Viktor chegou em casa naquela noite, jantou e se sentou diante dela.

— Alina me ligou.

— Imaginei que ligaria.

— Larissa, por que você precisou fazer isso? Agora eles vão pensar que estamos sem dinheiro.

— Não estamos exatamente nadando em dinheiro. Ajudamos Zhenya a pagar parte da hipoteca, lembra? E o telhado da varanda precisa ser substituído. O profissional nos pediu cento e vinte mil rublos e disse que era um preço muito razoável.

— Mas eles são meus filhos!

— Artyom tem trinta e três anos. Trabalha como gerente em uma concessionária de automóveis, e o carro dele é mais novo que o nosso. Kostya trabalha por turnos. Denis dirige um táxi por doze horas seguidas. Eu sei que estão ocupados, Viktor. Mas são adultos!

— Você começou a falar como uma comerciante de feira. Conta cada coisinha!

— Sou contadora. Faço contas há vinte e oito anos.

Ele se levantou e foi para a sala de estar. Um instante depois, ela o ouviu resmungar:

— Você me humilhou diante dos meus filhos…

Larissa continuou lavando a louça.

Gastar doze mil rublos do dinheiro do casal para alimentar doze pessoas era perfeitamente aceitável.

Pedir que aquelas pessoas trouxessem a carne era uma vergonha.

No sábado, Larissa se levantou às sete da manhã.

Não às cinco.

Às sete.

Assou duas tortas, uma de framboesa e outra de repolho. Pegou um pote de pepinos levemente salgados na adega, cortou o pão, preparou o samovar, limpou a varanda e organizou as xícaras, o prato de doces e a geleia caseira sobre a mesa.

Tudo estava lindo.

E era só isso.

Ela não comprou carne. Não comprou carvão. Não colocou panelas grandes no fogão.

Viktor saiu para a varanda às onze e meia e ficou olhando para a mesa.

— O que… é isso?

— Chá.

— Larissa!

— O quê? Liguei para todos e pedi que trouxessem alguma coisa. Já trouxe a minha parte: a casa, as tortas, os pepinos e o samovar. O restante chegará com os convidados.

— E se não trouxerem?

— Então vamos tomar chá. Com bolo. Sempre há bolo.

Viktor ficou parado por um instante. Depois, foi furioso para o quintal e começou a arrastar a churrasqueira de um lado para o outro, fazendo força de maneira exagerada.

Artyom e Alina chegaram primeiro.

Miron e Eva correram imediatamente em direção aos balanços. Alina saiu do carro usando calças brancas e carregando uma caixa grande.

— Olá, pessoal! Trouxemos um bolo de mel!

Não trouxeram mais nada.

— Olá, meus amores! — Larissa beijou as crianças e pegou a caixa. — Artyom, cadê a carne?

Artyom coçou a nuca.

— Bem, Larissa… Paramos no mercado, mas a fila do caixa estava enorme, então pensamos que você provavelmente já tivesse comprado tudo.

— Não comprei.

— Nada mesmo? — perguntou Alina, incrédula.

— Nada mesmo. Entrem. O chá está quente e as tortas estão fresquinhas.

Vinte minutos depois, Sveta chegou com Denis, Vasilisa e Timofey.

Sveta segurava uma sacola de compras.

— Trouxemos salada!

Larissa espiou dentro da sacola. Havia um pequeno recipiente com salada de kani e milho, suficiente para aproximadamente duas pessoas.

— Obrigada, Sveta. Que gentil da sua parte.

Kostya chegou por último, por volta da uma da tarde. Saiu de seu carro velho, abriu o porta-malas e começou a descarregar as compras: duas garrafas de água de cinco litros, pão, suco, tomates, pepinos, três quilos de copa-lombo de porco marinada e um saco de carvão.

— Olá, Larissa! Olga, venha me ajudar, por favor. Trouxe um pouco de tudo, por precaução. Artyom sempre esquece alguma coisa.

Larissa se aproximou e o abraçou.

Kostya pareceu surpreso, mas retribuiu o abraço.

À uma e meia, todos se sentaram à mesa.

Havia o samovar, as duas tortas, um pote de pepinos, um prato de doces, o pequeno recipiente de salada e o bolo de mel.

As seis crianças olharam para a mesa de olhos arregalados.

— Cadê o churrasco? — perguntou Miron.

— O churrasco ficará pronto quando os homens o prepararem — respondeu Larissa calmamente. — O tio Kostya trouxe a carne e o carvão. Mas um saco não será suficiente para todos. Artyom deveria ter trazido outro.

O rosto de Viktor ficou vermelho.

— Larissa, chega!

— Liguei para Alina na quinta-feira e pedi que trouxesse a carne. Não decepcionei ninguém, Viktor. Pela primeira vez, simplesmente não corri para salvar todo mundo, fazendo o trabalho que cabia aos outros.

O silêncio foi tão completo que conseguiram ouvir um cachorro latindo no quintal vizinho.

Denis finalmente se levantou.

— Certo. Vou ao mercado. Onde fica?

— Lugovoye, a sete quilômetros daqui — respondeu Kostya. — Vou com você. Dividimos a conta.

— Esperem um pouco! — interrompeu Alina. — Por que precisamos ir às compras? Viemos como convidados! Estamos vestindo e preparando as crianças desde as seis da manhã!

— Eu também estou assando tortas desde as seis da manhã — respondeu Larissa.

— Mas ninguém obrigou você a fazer isso!

— Exatamente. Ninguém obrigou. Durante seis anos, ninguém me obrigou.

Alina olhou para o marido. Artyom encarava o prato.

— Artyom, diga alguma coisa!

Ele suspirou.

— Para falar a verdade, Larissa tem razão. Nós realmente aparecemos aqui sempre trazendo apenas um bolo.

— Só vemos o pai duas vezes por ano! — protestou Alina. — Agora precisamos pagar para visitá-lo?

— Não se trata de dinheiro — disse Larissa baixinho. — Sempre consegui arranjar dinheiro de alguma maneira. Fiz isso durante toda a minha vida. O problema é o cansaço, Alina. Minhas costas doem. O médico me disse para não passar dez horas por dia em pé diante do fogão. No ano passado, finalmente percebi uma coisa: não sou obrigada a fazer tudo isso sozinha. Simplesmente me acostumei.

Denis e Kostya foram ao mercado e voltaram com mais carvão, bolinhos, ketchup e sorvete para as crianças.

Olga levou silenciosamente os tomates para a cozinha e começou a lavá-los.

Sveta ficou parada por um instante, piscando confusa. Então, de repente, perguntou:

— Larissa, você gostaria que eu descascasse as batatas?

— Há algumas no galpão, dentro de um balde.

— Quantas devo descascar?

Larissa se acomodou na poltrona da varanda.

— O suficiente para doze pessoas.

Ela se sentou.

No meio do dia.

Com convidados em sua casa.

Pela primeira vez em seis anos.

Então pegou um livro. Era um romance policial comum, com a capa rasgada, mas segurá-lo nas mãos lhe dava uma sensação maravilhosa.

Mais tarde, Alina passeou pelo quintal, tirando fotos das crianças com o celular. Por fim, sentou-se ao lado de Larissa.

— Larissa… Acho que fui muito dura com você antes.

— Acontece.

— É que minha mãe sempre fez tudo sozinha. Sempre. Quando chegávamos, a mesa estava lotada de comida. Ela quase nunca se sentava. Estava sempre correndo de um lado para o outro, garantindo que todos tivessem o que precisavam. Acho que nos acostumamos a pensar que era assim que as coisas deveriam ser.

Larissa refletiu por um instante.

— Como está sua mãe?

Alina baixou os olhos.

— Ela está com a pressão alta. Não nos convida para a casa de campo há dois anos porque diz que está cansada demais. Na verdade, ficamos ofendidos.

— Alguma vez vocês perguntaram por que ela deixou de convidá-los?

Alina permaneceu em silêncio por um longo momento.

— Não. Nunca pensamos em perguntar.

Larissa assentiu.

Já não estava com raiva. Sentia apenas uma tristeza incômoda ao imaginar outra mulher, em outra cidade, que talvez tivesse deixado de convidar os filhos porque já não tinha forças para servi-los.

Às quatro da tarde, finalmente colocaram a carne na churrasqueira.

Artyom assumiu o comando porque Viktor estava tão ofendido com o mundo inteiro que permanecia deitado na rede.

— Pai, o que há com você?

— Nada. Estou descansando. Pelo visto, agora não posso mais fazer nada aqui!

— Pai, ninguém disse que você não pode descansar. Mas nove pessoas estão trabalhando enquanto você fica deitado na rede. Vamos, pelo menos ajude a virar os espetos!

Resmungando, Viktor se levantou.

No fim, todos tiveram uma refeição maravilhosa.

Olga cozinhou os bolinhos. Denis fritou batatas com cebola e bacon. Sveta cortou os tomates e os pepinos, enquanto as crianças levavam o pão para a mesa.

As tortas desapareceram em poucos minutos. Os pepinos acabaram quase tão rápido. Todos comeram o bolo de mel até a última migalha, e ninguém embalou sobras para levar para casa.

Então, às oito da noite, aconteceu algo que Larissa não presenciava havia seis anos.

Alina se levantou e começou a recolher os pratos.

— Olga, vamos lavar a louça. Sveta, traga tudo o que está na mesa para dentro!

As três mulheres trabalharam juntas na pequena cozinha da casa de campo, enquanto Larissa se sentava na varanda, ouvindo-as rir de alguma coisa que conversavam entre si.

Timofey adormeceu em seu colo.

O ar cheirava a carvão e grama ao entardecer.

Às dez e meia, não havia mais nenhum prato espalhado pelo quintal. Kostya limpou a churrasqueira, e Denis levou o lixo para jogar fora no caminho de volta para casa.

Antes de partir, Sveta abraçou Larissa com força.

— Obrigada por tudo. E, por favor, nos perdoe, está bem?

— Voltem sempre — respondeu Larissa.

Pela primeira vez em seis anos, disse aquilo e realmente quis dizer.

A discussão começou assim que a última porta do carro bateu.

— Bem, você conseguiu transformar tudo em uma confusão! — Viktor andava de um lado para o outro na cozinha. — Meus filhos vieram visitar o pai, e você os colocou para descascar batatas!

— Você não gostou do dia?

— Não é esse o ponto! Você me fez parecer um mendigo diante dos meus próprios filhos! Uma mesa de chá e um bolo! É assim que se recebem convidados?

— Um bolo — repetiu Larissa. — Foi exatamente o que eu lhe disse na terça-feira. Um bolo para doze pessoas. Apenas mostrei a todos o que acontece quando presumem que vou providenciar tudo.

— Isto é uma casa! Você deve receber os convidados como se deve!

— Esta é a minha casa — disse Larissa baixinho.

Viktor ficou em silêncio.

— A casa dos meus pais. Eu cresci aqui.

— Ah, lá vem você de novo! “Minha casa, minha casa!” Eu consertei a cerca, não consertei?

— Sim. Uma vez, há dois anos, com Kostya. Obrigada por isso.

Ela dobrou o pano de prato.

— Viktor, não se trata da cerca. Trata-se do fato de que minha contribuição para esta família é medida apenas por panelas limpas e refeições preparadas.

Viktor se sentou.

Ficou em silêncio por um longo tempo. Então disse exatamente aquilo que Larissa esperava — e temia — ouvir.

— A propósito, tenho pensado em uma coisa. Talvez devêssemos transferir a casa de campo para Artyom. Ele é o filho mais velho. Tem uma família para sustentar. Nós dois já não precisamos de tanto espaço.

Larissa se virou para ele muito lentamente.

— Então é disso que se trata.

— Você entendeu errado!

— Não. Entendi perfeitamente.

Na segunda-feira, durante o intervalo do almoço, ela entrou em um escritório de advocacia do outro lado da rua do trabalho. Passara por ali todos os dias durante vinte anos sem nunca entrar.

O advogado examinou o certificado de herança e o extrato do registro do imóvel.

— Você herdou a casa e o terreno antes do casamento — explicou ele. — De acordo com a legislação familiar, esses bens são propriedade particular sua. Não fazem parte do patrimônio conjugal e não podem ser divididos em um divórcio. Somente você, como proprietária, pode decidir o que fazer com eles. Nem a vontade nem o consentimento do seu marido podem substituir sua decisão e assinatura. Ele não pode vender o imóvel, doá-lo ou transferi-lo para o nome de outra pessoa sem sua autorização pessoal.

— Então é só isso?

— Exatamente. Se decidir doar o imóvel a um dos seus filhos, podemos preparar os documentos. Se não quiser, ninguém poderá obrigá-la.

Larissa voltou ao trabalho com um sorriso no rosto.

Não porque estivesse feliz.

Mas porque, depois de tantos anos, finalmente compreendera exatamente onde terminava o nós e começava o eu.

Viktor ficou emburrado durante nove dias.

No décimo dia, voltou do trabalho, ficou sem jeito no corredor e finalmente falou:

— Larissa, que tal irmos à casa de campo no sábado?

— Por que não?

— Comprei carvão. Dois sacos.

— Ah, é?

— Também vou comprar a carne. Você só precisa preparar sua marinada. A sua é melhor do que a de qualquer outra pessoa.

— Vou preparar.

Cerca de duas semanas depois, Sveta ligou para Larissa à noite, sem nenhum motivo específico.

Nunca havia feito isso antes.

— Larissa, estive pensando no que aconteceu. Nós realmente nos comportamos muito mal. Denis me pediu para imaginar doze pessoas chegando à nossa casa e ficando sentadas, esperando que eu preparasse o churrasco.

— E conseguiu imaginar?

— Consegui. Foi horrível! Será que podemos ir em agosto? Basta nos dizer o que levar.

— Quer que eu dite uma lista de compras?

— Por favor! Isso facilitaria muito as coisas. Sem uma lista, sempre esqueço alguma coisa.

Em agosto, a família se reuniu novamente.

Artyom trouxe a carne e o carvão. Kostya trouxe água, legumes e uma melancia enorme. Sveta chegou com três saladas diferentes em recipientes e almôndegas de carne para as crianças.

Alina trouxe outro bolo de mel. Mas, dessa vez, também carregava uma grande sacola de pratos e talheres descartáveis quando saiu do carro.

— Assim não precisaremos lavar tanta louça — explicou. — Achei injusto deixar você novamente com uma montanha de pratos.

— Alina, você é uma estrela! — riu Larissa.

Alina suspirou.

— Na verdade, sou uma pessoa perfeitamente normal. É só que ninguém nunca me disse que uma única pessoa não precisa fazer tudo sozinha.

Em setembro, Larissa e Viktor fecharam a casa de campo para a temporada.

Viktor lavava os potes de conserva dentro de um barril, enquanto Larissa cortava os últimos ásteres do jardim.

— Larissa?

— Hum?

— Você realmente teria servido apenas chá se Kostya não tivesse trazido a carne?

— Sim.

— E não teria se sentido mal por isso?

Larissa pensou por um instante.

— Sabe do que me arrependo? Daqueles seis anos. Durante seis anos, nunca me sentei em uma poltrona na minha própria casa de campo no meio do dia. Nunca fui ao rio com meus netos porque estava sempre presa na cozinha. É disso que me arrependo.

Viktor esfregou um pote com o pano de prato.

— Acho que eu também não fui muito melhor. Fiquei deitado na rede enquanto todos trabalhavam.

— Não foi mesmo — concordou Larissa.

— Bem… Me desculpe.

Larissa colocou os ásteres em um balde com água.

— Guarde os potes no galpão. E coloque o carvão lá também, para que fique seco até a primavera.

— Eles virão novamente no próximo verão, de qualquer maneira — comentou Viktor.

Larissa sorriu.

— Que venham. Mas com carne e carvão.

E, naquele momento, Viktor finalmente entendeu uma coisa.

Sua esposa nunca quis punir os convidados.

Ela simplesmente queria, pela primeira vez em seis anos, ser uma convidada em sua própria casa.

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