«Você vive às custas do meu filho!» — declarou a sogra. A nora simplesmente ligou a televisão em silêncio.

— Você está gastando o dinheiro do meu filho com todo tipo de bobagem! Então, trate de me explicar para onde está indo o dinheiro dele!

Elvira Leonidovna falou tão alto que todos à mesa pararam de comer.

Rita levantou os olhos devagar. Sua sogra estava sentada diante dela, com os braços cruzados e aquela expressão de superioridade que Rita já conhecia muito bem.

Ao lado dela estava Maxim.

Seu marido.

E ele permanecia em silêncio.

Poucos minutos antes, porém, ele estava todo orgulhoso contando sobre a televisão nova.

— São 75 polegadas — havia dito. — Agora assistir a um filme é uma experiência completamente diferente.

A enorme televisão ocupava quase toda a parede atrás da mesa de jantar. Ao lado dela, brilhava o novo relógio inteligente de Maxim, que ele consultava a cada poucos minutos durante a refeição.

— E o relógio também foi uma ótima compra — acrescentara. — Peguei em promoção.

Rita apenas sorrira.

Ela sabia quanto o relógio havia custado.

Também sabia quem tinha pago pela televisão.

E pelo relógio.

Mas agora sua sogra estava sentada diante dela, acusando-a de gastar o dinheiro do próprio filho.

— Eu realmente não consigo entender como alguém pode ser tão irresponsável — continuou Elvira Leonidovna. — Meu filho trabalha duro. Ganha bem. E mesmo assim o dinheiro dele simplesmente desaparece!

Rita colocou o garfo sobre o prato.

— O dinheiro dele?

— Sim. O dinheiro do meu filho.

Maxim pigarreou.

— Mãe, talvez não seja necessário falar disso durante o jantar…

— É necessário, sim! — interrompeu ela. — Alguém precisa finalmente dizer a verdade.

Rita olhou para Maxim.

Ele desviou os olhos.

Naquele instante, ela entendeu.

Ele sabia exatamente o que a mãe estava insinuando.

Rita respirou fundo.

— Está bem — disse calmamente. — Então vamos falar sobre isso.

Elvira Leonidovna sorriu, satisfeita.

— Ótimo. Então explique para todos nós onde vai parar todo esse dinheiro.

Rita pegou o celular.

— Eu posso explicar.

Levantou-se, caminhou até a televisão e conectou o celular à tela.

Maxim ergueu a cabeça imediatamente.

— Rita, o que você está fazendo?

— Estou explicando.

A tela da televisão ficou preta.

Alguns segundos depois, apareceu nela a imagem do celular de Rita.

Ela abriu o aplicativo do banco.

Na enorme tela começaram a aparecer suas últimas transações.

Prestação da casa.

Conta de luz.

Água.

Internet.

Supermercado.

Seguro.

Farmácia.

E, finalmente, a parcela mensal da própria televisão.

O silêncio tomou conta da sala.

Elvira Leonidovna inclinou-se para a frente.

— O que é isso?

— Você queria saber para onde vai o dinheiro.

Rita passou para a próxima tela.

— Aqui estão os pagamentos dos últimos dois meses. Eu pago a casa. Eu pago as contas. Eu compro a comida. Eu cubro praticamente todas as despesas da família.

Maxim ficou vermelho.

— Isso é ridículo.

Rita olhou para ele.

— É mesmo?

Então abriu outra lista.

— Agora podemos olhar para as suas despesas.

Maxim quase saltou da cadeira.

— Isso não interessa a ninguém!

— A mim interessa — respondeu Rita tranquilamente. — Afinal, estamos falando das finanças da nossa família.

Na televisão apareceram várias despesas.

Rodas novas para o carro.

O relógio inteligente.

Equipamentos de pesca.

Restaurantes.

Bares.

Pedidos de comida.

E várias outras compras que Rita nem precisava explicar.

Elvira Leonidovna encarou a tela.

— Maxim…

Ele permaneceu calado.

— Você disse que só faria algumas pequenas melhorias no carro — disse ela.

— Era necessário!

— E o relógio?

— Estava em promoção!

Rita não conseguiu evitar um pequeno sorriso.

— A promoção custou quase o mesmo que nossas compras de supermercado de uma semana.

Ninguém respondeu.

Rita voltou a se sentar.

— Sabe o que é mais interessante?

Elvira Leonidovna olhou para ela.

— Você está me acusando de gastar o dinheiro do seu filho. Mas seu filho praticamente não contribui para as despesas da casa há dois anos.

— Isso não é verdade! — protestou Maxim.

— É, sim.

Rita abriu outra tela.

— Às vezes você manda dinheiro para comprar pão.

— E daí?

— Às vezes paga a internet.

— Está vendo? Eu pago algumas coisas!

— E uma vez por mês compra a comida do gato.

Alguém à mesa tossiu para esconder uma risada.

Maxim encarou a esposa.

— Nós temos uma conta conjunta! Temos um orçamento familiar!

Rita respondeu sem alterar a voz:

— Não. Nós tínhamos um orçamento familiar. A diferença é que eu colocava o dinheiro e você gastava.

A frase atingiu Maxim em cheio.

Elvira Leonidovna olhou novamente para a televisão.

Depois para o filho.

E finalmente para Rita.

Sua voz, que antes estava cheia de indignação, agora estava muito mais baixa.

— Por que você nunca me contou isso?

Rita deu de ombros.

— Porque eu não queria que você pensasse que eu estava falando mal do seu filho.

Ela pegou o celular.

— Mas, quando você me acusa, eu não preciso mais me defender. Posso simplesmente deixar os números falarem.

Maxim empurrou a cadeira para trás.

— Eu vou embora.

Rita olhou para ele.

— Para onde?

— Para a casa da minha mãe.

Elvira Leonidovna ficou assustada.

— Maxim, não foi isso que eu quis dizer…

Mas ele já havia se levantado.

Rita não disse nada.

No fundo, sabia que aquela decisão estava demorando para acontecer havia muito tempo.

Na manhã seguinte, Maxim começou a arrumar suas coisas.

Foi morar com a mãe.

Rita ficou na casa.

Naquela mesma tarde, mandou trocar as fechaduras.

Não por vingança.

Mas porque finalmente havia entendido que não era sua obrigação sustentar um homem adulto que se recusava a assumir a própria responsabilidade.

Naquela noite, Rita sentou-se sozinha no sofá.

A televisão de 75 polegadas iluminava a sala.

Ela pegou o controle, colocou um filme e se recostou confortavelmente.

Pela primeira vez em muito tempo, havia silêncio.

Nenhuma acusação.

Nenhuma cobrança.

Nenhuma explicação.

Apenas ela, seu sofá e a televisão que, segundo sua sogra, tinha sido comprada com o “dinheiro do marido”.

Rita sorriu.

Então murmurou:

— Finalmente posso assistir à televisão sem precisar prestar contas da minha vida a ninguém.

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