O pacote chegou ao centro da mesa com um leve farfalhar. Minha sogra tirou as pequenas caixas de dentro dele como se fossem adereços de uma apresentação cuidadosamente planejada: uma para a direita, outra para a esquerda, todas perfeitamente alinhadas.
– Katalin, afaste a salada um pouco – disse ela, sem sequer olhar para mim.
Era 8 de março. O apartamento dela na rua Timiryazev, a mesa festiva estendida até a parede, o burburinho dos parentes e eu, que mais uma vez havia chegado primeiro. Desde cedo eu estava cozinhando: tinha preparado a gelatina de carne na noite anterior, o frango estava dourando no forno, fiz duas saladas e passei até a meia-noite montando o bolo Napoleão, camada por camada, para que estivesse perfeito pela manhã.
Enquanto isso, ela assistia a uma série na sala.
– Meninas, trouxe um presente para cada uma! – anunciou solenemente, levantando a primeira caixa. – Perfume. De verdade, não aquela porcaria barata de mercado.
As caixas foram passando pela mesa. Primeiro, sua filha recebeu uma, depois a tia que havia vindo do interior, depois a vizinha que convidavam todos os anos porque “coitada, é sozinha”. Depois mais uma mulher recebeu um presente, alguém que, naquela casa, aparentemente era mais importante do que eu.
Eu estava sentada na ponta da mesa e contava.
Dez caixas.
Onze mulheres.
A última também encontrou uma dona. Minha sogra juntou a sacola vazia e a colocou cuidadosamente debaixo da cadeira, como se não houvesse mais nada a fazer.
– Mãe, e a Kata? – Igor finalmente perguntou.
O silêncio caiu sobre nós tão de repente que foi possível ouvir a torneira pingando na cozinha.
Pela primeira vez naquela noite, minha sogra olhou para mim.
– Katalin ainda não é uma mulher – disse ela calmamente, como se estivesse falando sobre o tempo. – É um filho que transforma uma mulher em uma verdadeira mulher. Até lá, ela é apenas uma menina. Perfume é cedo demais para meninas.
Alguém soltou uma risadinha. Zhanna de repente achou seu pequeno frasco de perfume extremamente interessante.
– Ora, Rimma Zakharovna… – começou a tia, cautelosamente.
– O que é “ora”? Estou dizendo a verdade. Vocês estão casados há cinco anos e ainda não têm filhos. Na minha época, nessa altura, já estávamos comprando mochilas escolares, não passando o tempo em cafés.
Apertei o garfo com força e fiquei olhando para a cristaleira. Ali estavam as fotos da família: Zhanna com o recém-nascido nos braços, Zhanna em frente à maternidade, Zhanna com um carrinho de bebê no pátio. Eu não aparecia em nenhuma delas. Nos primeiros anos, aquilo me doía. Depois, quase nem percebia mais.
– Não fique ofendida – acrescentou ela, com uma voz mais doce. – Quando você tiver um filho, terá tudo. Perfume também.
Igor falou baixinho:
– Mãe…
– O que foi esse “mãe”? A verdade dói, mas continua sendo a verdade.
Ela levantou o copo.
– Às mulheres de verdade! Às mães! Quem já passou uma noite inteira acordada ao lado de uma criança vai me entender.
Todos beberam. Eu também. Não queria criar uma cena.
Mais tarde, todos elogiaram a gelatina de carne, elogiaram o frango e, quando minha sogra puxou o bolo para perto de si, sorriu para mim.
– Então, Katic, corte o seu próprio bolo.
Meu próprio bolo.
Levantei-me, peguei a forma com as duas mãos, levei-a para a cozinha e coloquei-a de volta na prateleira de cima da geladeira. Depois voltei e parei na porta da sala de jantar.
– A sobremesa é para as mulheres – disse calmamente. – Aqui, eu sou apenas uma menina. Meninas não servem bolo.
Todos os rostos se viraram para mim ao mesmo tempo.
Minha sogra caiu na gargalhada.
– Vocês ouviram? Ela ficou ofendida por causa de um frasquinho de perfume! Por causa de um frasco de trezentos rublos!
Olhei para ela.
– Eu não teria me levantado por trezentos rublos.
Fui até o corredor pegar meu casaco.
Igor me alcançou na escada. Quando entramos no carro, ele ficou muito tempo sem ligar o motor.
– Por que você precisou fazer disso um problema tão grande? – perguntou, cansado. – Ela não falou por mal.
Uma semana depois, minha sogra apareceu em nossa casa num sábado de manhã, sem avisar. Olhou ao redor do apartamento, criticou a nova cortina do banheiro, abriu a geladeira e depois tirou um caderno florido.
– Há uma mulher em Kovilkino – disse ela. – Ela dá ervas e faz orações. As mulheres que vão até ela têm filhos. Vá até ela por duas semanas.
Fiquei em silêncio.
Então ela disse a frase definitiva:
– Igor não tem culpa de ter ficado com uma mulher assim. Um homem precisa de um filho homem.
Peguei o caderno, fui até a lixeira e joguei-o dentro.
– Esta é a minha casa – disse baixinho. – Na minha casa, ninguém fala sobre o meu útero. Nunca.
Naquela noite, descobri algo que mudaria tudo.
No outono, nós realmente tínhamos ido ao médico. Juntos, de mãos dadas. Eu sabia os resultados dos exames de cor. O problema não estava em mim.

– Você contou para sua mãe? – perguntei a Igor.
Ele ficou em silêncio por um longo tempo, baixou os olhos e assentiu.
– Contei em dezembro.
– E o que ela respondeu?
Sua voz quase não se ouvia.
– Ela disse: “Não se humilhe. Deixe que pensem que o problema é da Katalin. Você é um homem.”
Naquele momento, tudo se encaixou: os perfumes, o brinde às “mulheres de verdade”, as indiretas, os olhares de pena. Ela não estava enganada. Não tinha me machucado por acidente. Ela conhecia a verdade e, mesmo assim, escolheu fazer de mim a culpada para preservar a masculinidade do filho.
Meses depois, pouco antes da Páscoa, Igor voltou a tocar no assunto.
– Mamãe está convidando todo mundo para almoçar – disse ele, cauteloso. – E pediu que você fizesse aquele bolo Napoleão.
“Aquele bolo Napoleão.”
Ela não mandou dizer que sentia minha falta. Não disse que estava arrependida. Apenas fez um pedido, como se eu ainda fosse a confeiteira gratuita da família.
Sentei-me diante dele.
– Eu nunca mais entrarei na casa dela – disse. – Nem este ano, nem daqui a dez anos, nem no aniversário dela e nem sequer no funeral.
Igor me olhou, chocado.
– Você a odeia tanto assim?
– Eu não a odeio – respondi. – Apenas finalmente estou prestando atenção à maneira como me tratam.
Dois anos depois, nasceu nossa filha, Asya.
Minha sogra ligou certa vez para dizer que havia tricotado para ela um macacão rosa com pequenas orelhas.
– Afinal, eu sou a avó dela – disse, esperançosa.
Segurei o telefone com força e respondi calmamente:
– Não. A senhora é Rimma Zakharovna. E essa diferença permanecerá para sempre.
Quando desliguei o telefone, Asya estava no corredor tentando calçar minhas botas, as duas no pé errado. Sentei-me ao lado dela no chão e fiquei observando enquanto ela tentava resolver tudo sozinha.
Foi então que finalmente compreendi: não é um filho que transforma uma mulher em mulher. É o momento em que ela finalmente cria coragem para dizer que também merece respeito.


