— Não aperte tanto! — ordenou Svetlana, enquanto se examinava no espelho.
Enrolei a fita escorregadia do espartilho nos dedos e puxei mais uma vez.
A renda cravou-se apertada nas costas da noiva.
— Está doendo, sua idiota! — minha irmã sibilou, sacudindo os ombros.
— Aguenta, Svetochka — cantarolou minha mãe, da porta. — O vestido de noiva precisa ficar perfeito.
Dei o último nó e me endireitei.
Svetlana se virou diante da penteadeira. A seda branca acompanhava seu corpo. As sete semanas de gravidez ainda não deixavam nenhum sinal visível.
— Você está com as alianças? — perguntou ela, em tom profissional.
— Estou.
— Muito bem. Só peço uma coisa, Lerka: não faça essa cara amarga diante do oficial do registro.
Não respondi.
Apenas tirei um grão de poeira invisível da manga do meu vestido.
— Svetlana tem razão — disse minha mãe, aproximando-se e ajeitando o véu. — Não estrague o grande dia da sua irmã. As pessoas estão olhando. O que aconteceu, aconteceu.
Olhei nos olhos da minha mãe através do espelho.
Aconteceu.
Que palavra conveniente.
Quatro anos da minha vida simplesmente “aconteceram”.
Quatro anos que passei ao lado de Maxim.
Nós morávamos no meu apartamento. Dormíamos na mesma cama. Fazíamos planos sobre financiamento imobiliário, um futuro juntos e até sobre ter um cachorro.
Então, dois meses atrás, Maxim voltou do trabalho.
Estava estranhamente calado.
Sentou-se na cozinha, olhou para mim e pronunciou aquela única frase que destruiu toda a nossa vida em comum em um instante.
Svetlana estava esperando um filho dele.
Eles tinham dormido juntos na casa de campo dos meus pais.
Em maio.
Enquanto eu estava em uma viagem de trabalho.
E agora eu estava ali.
Eu era a testemunha da noiva.
Porque, segundo minha mãe:
“Continuamos sendo uma família, Valeria. Não precisamos lavar nossa roupa suja em público.”
— Vou chamar um táxi — falei calmamente e saí do quarto.
O corredor estava sufocantemente quente. O cheiro de laquê se misturava ao perfume barato dos parentes.
A porta do banheiro estava entreaberta, e Maxim saiu de lá.
Recém-barbeado.
Vestindo um caro terno azul-escuro.
O mesmo terno que eu havia comprado para ele em fevereiro, no aniversário dele.
— Lerotchka… — ele se aproximou, constrangido. — Como você está?
Olhei para os sapatos dele, perfeitamente engraxados.
— Ótima, Max. Melhor impossível.
Ele deu um passo em minha direção e tentou tocar meu cotovelo.
Afastei-me.
— Lero, não fique emburrada — sorriu ele, com um ar arrependido. — Não podemos mandar no coração. Foi assim que aconteceu. Mas… nós continuamos sendo pessoas próximas, não?
Não respondi.
Apenas fiquei olhando para aquele sorriso meloso e falso.
— Minha mãe disse que você vai se mudar no domingo — acrescentou alegremente. — É verdade?
Algo dentro de mim se retesou.
— Sim. A maior parte das minhas coisas já está empacotada.
Minha mãe apareceu então no quarto. Tinha ouvido o final da conversa.
— Isso mesmo, minha menina esperta, Lera — disse ela, acariciando o ombro de Maxim. — O apartamento da sua avó é espaçoso, tem dois quartos. E Svetlana logo terá o bebê. Para que vocês, jovens recém-casados, fiquem pulando de aluguel em aluguel?
O apartamento da minha avó.
Sim.
Só que minha avó havia registrado o apartamento em meu nome.
Eu era a única proprietária.
Cinco anos antes de morrer.
Porque fui eu quem cuidou dela, enquanto minha mãe e Svetlana viajavam de resort em resort.
Mas a família sempre falava daquele apartamento como se fosse um patrimônio de todos.
— Você é uma mulher de carreira, afinal — continuou minha mãe, enquanto ajeitava a gravata de Maxim. — Ganha bem. Pode alugar uma quitinete bonita para você. Para que uma mulher sozinha precisa de um apartamento maior?
— Quando se está sozinha, não é preciso de muita coisa — respondi.
— Então, depois do registro no cartório, você entrega as chaves para Max — assentiu ela, satisfeita. — Esse será o presente de casamento de vocês.
Coloquei a mão na bolsa.
Meu telefone vibrou brevemente.
“Valor integral recebido. Compra e venda registrada. 09:14.”
Guardei o telefone devagar.
— O presente estará lá — respondi.
Sorri.
— Eu prometo.
No cartório, a marcha nupcial de Mendelssohn soava falsa.
A oficial, com o cabelo preso em um coque alto, falava monotonamente sobre o barco do amor e o porto da família.
Svetlana segurava a mão de Maxim.
Ela brilhava.
Maxim amassava nervosamente a ponta do paletó.
Eu estava na primeira fila, diretamente atrás da minha mãe.
— Olhe para eles — sussurrou tia Raya, irmã da minha mãe. — Que casal lindo! E você, Lerka, não fique triste. Vai encontrar outro. O importante é que finalmente conseguimos casar Svetlana.
Olhei para ela.
— Conseguimos casar Svetlana — repeti baixinho.
— Maxim, você aceita Svetlana como sua esposa?
— Sim!
— Svetlana, você aceita Maxim como seu marido?
— Sim!
As alianças foram colocadas em seus dedos.
As alianças que, até aquele momento, estavam na minha bolsa.
A sala explodiu em aplausos.
Minha mãe enxugava ostensivamente os olhos com um lenço de renda.
Svetlana se virou para mim.
Havia triunfo em seus olhos.
O triunfo da irmã mais nova que finalmente conseguiu roubar o brinquedo de outra pessoa.
Eu sorri de volta.
Todos pensavam que eu estava destruída.
Ninguém sabia de um único número.
450.000 rublos.
Era quanto Maxim me devia.
Seis meses antes, ele havia destruído o carro de outra pessoa. Ameaçaram processá-lo.
Nós choramos juntos.
E eu fiz um empréstimo pessoal em meu próprio nome para salvá-lo do tribunal.
Até hoje, eu vinha pagando.
Minha mãe sabia.
Svetlana também.
E nenhuma das duas se importou.
— Beija! Beija! — alguém gritou no fundo da sala.
E Maxim beijou minha irmã.
Eu os observei.
E, pela primeira vez, não senti dor.
Senti algo completamente diferente.
Vazio.
E expectativa.
Ainda faltavam duas horas para a festa de casamento.
O restaurante Zolotoy Vek brilhava sob lustres exageradamente ornamentados.
As mesas estavam abarrotadas de saladas, aperitivos e pratos quentes. O DJ tocava músicas antigas.
Os convidados já estavam no terceiro copo.

O rosto da minha mãe estava vermelho, manchado, e naturalmente ela dominava a mesa principal.
— Queridos convidados! — berrou o mestre de cerimônias, usando um paletó brilhante. — Agora vamos ouvir a querida irmã da noiva! Valeria, por favor, venha até aqui!
O salão ficou em silêncio.
Até o tilintar dos garfos cessou.
Todos sabiam a verdade.
Todos esperavam um escândalo, lágrimas ou uma falsa reconciliação familiar.
Levantei-me.
Peguei um copo de água mineral.
Caminhei lentamente até a mesa dos recém-casados.
Svetlana ficou tensa.
Seus dedos agarraram a toalha da mesa.
Maxim baixou os olhos.
— Svetlana. Maxim.
Minha voz soou calmamente pelos alto-falantes.
— Vocês esperaram muito por este dia.
Minha mãe assentiu, satisfeita.
— Somos uma família. E a família é o mais importante. Vocês decidiram começar uma nova vida. E eu pensei que deveria ajudá-los.
Coloquei o copo sobre a mesa.
Tirei da bolsa um envelope branco e grosso.
E o coloquei diante de Svetlana.
— Este é o meu presente de casamento.
Svetlana agarrou o envelope imediatamente.
Minha mãe chegou a se levantar parcialmente da cadeira.
— O que tem aí, Lerotchka? — perguntou em voz alta. — As chaves do apartamento da sua avó? Afinal, foi disso que conversamos!
— Quase — sorri. — Abra, Sveta.
Minha irmã rasgou o envelope.
Tirou os documentos.
Abriu-os.
A cor desapareceu de seu rosto em um instante.
— O que… é isso? — sussurrou.
O microfone ainda estava ligado.
Todos ouviram.
— Um contrato de compra e venda — respondi claramente.
Um murmúrio de choque percorreu o salão.
Tia Raya quase engasgou com um sanduíche de caviar.
— Vendi o apartamento da nossa avó três dias atrás.
Silêncio.
— Por nove milhões de rublos. O dinheiro já está na minha conta.
Minha mãe se levantou de um salto.
— Você não tinha esse direito! É patrimônio da família! Svetlana está grávida!
Olhei para ela.
— O apartamento estava no meu nome. Minha avó o deixou para mim. Eu decidi o que fazer com ele.
— Mas nós tínhamos combinado que…
— Vocês tinham combinado. Sem mim.
Minha mãe ficou sem palavras.
E eu continuei:
— Aliás, vendi com desconto. Queria resolver tudo rapidamente. Uma família de oito imigrantes comprou.
Maxim me encarava de boca aberta.
O terno azul que eu havia comprado para ele parecia, de repente, apertado demais.
— Lera… nós deveríamos ter conversado sobre isso… — gaguejou. — O que vamos fazer agora? Para onde vamos?
Olhei para ele.
— Não faço ideia.
Fiz uma breve pausa.
— Mas entreguei as chaves aos novos proprietários há uma hora.
Svetlana jogou os documentos no chão.
— Sua miserável! — gritou. — Você está se vingando de mim! Foi por isso que fez tudo isso! Por causa daquele desgraçado!
— Já que estamos falando de desgraçados…
Tirei outro documento da bolsa.
Uma cópia do contrato do empréstimo.
Coloquei-o diante de Maxim.
— 450.000 rublos, Maxim. É quanto você me deve. Vai pagar até o fim do mês. Se não pagar, vou à Justiça. Tenho provas de todas as transferências e todos os recibos.
O salão inteiro ficou em silêncio.
Era possível ouvir até o zumbido do refrigerador do bar.
— Como você pode fazer isso?! — minha mãe levou a mão ao peito e depois voltou a cair teatralmente na cadeira. — Você está colocando sua própria irmã grávida na rua! Seu próprio sangue! Você não é humana, Valeria!
Olhei para os três.
Maxim.
Svetlana.
Minha mãe.
As pessoas que acreditavam que família significava que eu deveria sacrificar tudo, enquanto para eles tudo era permitido.
Ajustei a alça da bolsa no ombro.
— Mas eu sou humana, mãe.
Sorri por um instante.
— Só finalmente aprendi que família não significa permitir que me usem.
Virei-me.
Caminhei em direção à porta.
Eu já estava quase saindo quando Maxim gritou atrás de mim.
— Lera!
Parei.
Não me virei.
— Há mais alguma coisa que você não contou? — perguntou ele, com a voz rouca.
Virei-me lentamente.
— Sim.
Todos no salão estavam olhando para mim.
Peguei meu telefone.
Abri uma mensagem.
— Você se lembra daquela noite na casa de campo, quando você e Svetlana ficaram juntos?
O rosto de Maxim congelou.
Svetlana empalideceu.
— Eu não guardei apenas provas das suas transferências bancárias — falei.
No instante seguinte, uma televisão na parte de trás do restaurante se acendeu.
O mestre de cerimônias havia deixado o projetor ligado.
Na tela apareceu uma data.
17 de maio.
Logo abaixo, o nome de um arquivo de vídeo.
Do telefone de Maxim.
O caos tomou conta do salão.
— O que é isso?! — gritou minha mãe.
Maxim levantou-se de um salto.
— Desligue isso!
Mas era tarde demais.
Os primeiros segundos do vídeo foram suficientes.
Não porque fosse possível ver alguma coisa.
Mas porque era possível ouvir a voz de Svetlana.
“Lera nunca vai descobrir.”
Svetlana encarou a tela como se estivesse vendo sua própria sentença de morte.
E então finalmente me virei.
— Eu não fiz o empréstimo para salvar você, Maxim.
O homem me encarou.
— Fiz para ter uma prova para o dia em que eu não quisesse mais mentir para mim mesma.
Caminhei até a porta do restaurante.
— Você vai pagar o empréstimo. O apartamento vocês não vão receber. E o vídeo estará amanhã com meu advogado.
Minha mãe começou a chorar.
Svetlana levantou-se e correu atrás de mim.
— Lera, espere!
Dessa vez, virei-me.
— O que você quer?
O rosto da minha irmã se contorceu.
— Eu… eu só queria ter alguma coisa minha pelo menos uma vez na vida.
Sorri.
— Sveta, você não queria a minha vida.
Olhei para o vestido de noiva dela.
— Você queria que eu deixasse de ter uma vida própria.
Então saí.
Lá fora, o vento de verão bateu no meu rosto.
Trouxe cheiro de asfalto.
E algo mais.
O cheiro da liberdade.
Meu telefone quase explodia dentro da bolsa com as ligações recebidas.
Minha mãe.
Svetlana.
Maxim.
Uma atrás da outra.
Não atendi.
Coloquei o telefone no silencioso e continuei andando.
Na esquina, porém, parei.
Recebi uma nova mensagem.
De um número desconhecido.
Abri.
“Valeria, acho que precisamos conversar. Fui eu quem enviou a gravação da casa de campo para você.”
Abaixo havia uma segunda mensagem:
“E há mais uma coisa que você não sabe sobre Maxim.”
Na terceira mensagem, minha respiração parou.
“A criança que Svetlana está esperando não é de Maxim.”
Fiquei muito tempo apenas olhando para a tela.
Eu achava que naquele dia finalmente havia encerrado o pior capítulo da minha vida.
Mas então compreendi uma coisa.
Eu não tinha chegado ao fim da história.
Estava apenas abrindo a primeira página.
E desta vez, eu não seria a vítima.
Eu seria aquela que faria a última pergunta.
E todos os outros teriam medo da resposta.


