Gala decidiu ir até a casa de campo para arrumá-la enquanto o marido estava em viagem de negócios. Mas uma surpresa inesperada a aguardava lá.

Gália foi à casa de campo para arrumar tudo enquanto o marido estava em uma viagem de negócios. Mas, quando entrou na casa, uma cena destruiu o casamento deles em um único instante.

Gália esperava por aquele fim de semana havia muito tempo.

Seu marido, Serguei, estava em uma viagem de negócios. Os filhos estavam passando os primeiros dias das férias na casa da avó, e ela finalmente conseguiu tirar dois dias de folga.

Era raro ter um momento em que não precisava cuidar de ninguém.

Não precisava cozinhar.

Não precisava correr de um lado para outro.

Não precisava trabalhar.

Não precisava organizar a rotina da família.

Ela decidiu ir até a casa de campo, limpar tudo antes do início da temporada de verão e finalmente passar algumas horas tranquilas cercada pela natureza.

Na bolsa, colocou produtos de limpeza, panos, luvas de borracha, uma caixa do seu chá favorito e dois livros que queria ler há muito tempo.

Ela já imaginava a noite perfeita: sentada na varanda, ouvindo os sons da floresta e observando o pôr do sol.

Ao deixar a cidade para trás, a estrada ficou cada vez mais silenciosa.

Os prédios de concreto deram lugar lentamente a florestas de pinheiros, campos floridos e pequenas aldeias.

Gália abriu a janela do carro, respirou profundamente o ar fresco e sorriu.

Ela sempre amou aquele lugar.

A casa de campo havia sido construída por eles dez anos antes.

Cada viga, cada árvore e cada flor carregava uma lembrança.

Ali, o filho deles havia aprendido a andar de bicicleta.

Ali, eles comemoravam os aniversários da família.

E foi ali também, quando no terreno ainda havia apenas uma fundação de concreto, que Serguei pediu sua mão em casamento.

Mas, quando chegou, ela percebeu imediatamente que havia algo errado.

O portão estava entreaberto.

Ela sempre o trancava.

No quintal, havia um SUV prateado estacionado.

O carro de Serguei.

Gália parou.

*Talvez ele tenha voltado mais cedo?* pensou.

Mas logo afastou essa ideia.

Serguei sempre ligava quando seus planos mudavam.

Sempre.

Ela caminhou devagar até a porta da frente e girou a maçaneta com cuidado.

Dentro da casa, sentia-se o cheiro de café recém-passado.

Então outro aroma chegou até ela.

Um perfume feminino forte e doce.

Ela não conhecia aquele cheiro.

Não era o dela.

Da sala vinham vozes e risadas.

Uma jovem mulher ria.

— Serguinho… você é realmente incrível…

O coração de Gália começou a bater acelerado.

Ela caminhou lentamente até a porta entreaberta.

E olhou para dentro.

Serguei estava sentado no sofá.

Vestia a camisa xadrez favorita que ela havia dado a ele no Natal do ano anterior.

Ao lado dele estava uma jovem mulher.

Ela parecia ter cerca de trinta anos.

Tinha cabelos longos e escuros, maquiagem elegante e usava um suéter caro.

Sobre a mesa havia uma garrafa de vinho tinto, duas taças, frutas e queijo.

Eles não estavam se beijando.

Não estavam abraçados.

Mas Serguei segurava delicadamente a mão daquela mulher.

Era o suficiente.

Gália pigarreou.

Os dois levantaram a cabeça assustados.

O rosto de Serguei ficou pálido.

— Gália…? O que você está fazendo aqui?

— Vim limpar a casa — respondeu ela calmamente. — Pelo visto, você também encontrou uma maneira de aproveitar sua viagem de negócios.

A jovem mulher levantou-se, constrangida.

— Acho que… eu deveria ir embora.

— Fique, Irina — disse Serguei. — Precisamos conversar.

Gália entrou lentamente na sala e sentou-se na poltrona diante deles.

Por fora, parecia tranquila.

Mas suas mãos tremiam.

Ela as apertou uma contra a outra para que ninguém percebesse.

Um longo silêncio tomou conta do ambiente.

Finalmente, ela perguntou:

— Há quanto tempo?

Serguei abaixou a cabeça.

— Seis meses.

As palavras atingiram Gália como um golpe.

Seis meses.

Durante todo esse tempo ele havia mentido.

Por seis meses ele falou sobre horas extras, viagens de negócios e projetos importantes.

Enquanto isso, ela o esperava todas as noites com o jantar pronto.

Lavava suas camisas.

Preocupava-se com ele.

E nunca, nem por um segundo, desconfiou.

Agora ele estava dentro da casa que os dois haviam construído juntos.

— Eu nunca quis destruir a família de vocês — disse Irina baixinho. — Simplesmente aconteceu.

Gália soltou uma risada amarga.

— Sério?

— Vocês vieram para a nossa casa de campo.

— Sentaram no nosso sofá.

— Beberam o nosso vinho.

— E você ainda acha que isso simplesmente aconteceu?

Irina abaixou o olhar.

Serguei tentou falar.

— Gália… eu queria contar.

— Quando? — interrompeu ela.

— Daqui a um ano?

— Quando as crianças crescessem?

— Ou quando outra pessoa contasse a verdade no seu lugar?

Ela levantou-se e olhou ao redor da sala.

Nas prateleiras estavam as fotos da família.

Rostos sorrindo.

Viagens juntos.

Natal.

O primeiro dia de escola dos filhos.

Agora todas aquelas imagens pareciam vazias.

Como se toda a vida que construíram fosse apenas um cenário cuidadosamente montado.

— Sabe o que mais dói? — perguntou ela em voz baixa.

Serguei olhou para ela.

— Não é o fato de você ter me traído.

Ele pareceu surpreso.

— É o fato de você ter trazido ela para cá.

— Para esta casa.

— Para o nosso lar.

— Nós plantamos aquelas macieiras juntos.

— Nossos filhos cresceram aqui.

— Você manchou todas as minhas lembranças.

Serguei ficou em silêncio.

Ele não tinha nenhuma desculpa.

Irina pegou sua bolsa.

— Eu sinto muito…

— Mais uma pergunta — disse Gália.

A mulher parou.

— Você sabia que ele era casado?

— Sim.

— Sabia que ele tinha dois filhos?

— Sim.

— E mesmo assim acreditou quando ele disse que era infeliz?

Irina fechou os olhos.

— Ele disse que vocês só continuavam juntos por hábito.

Gália assentiu tristemente.

— Então agora você sabe que ele enganou nós duas.

Irina saiu sem dizer uma palavra.

A porta se fechou suavemente atrás dela.

Serguei aproximou-se.

— Gália… por favor. Não jogue fora vinte anos da nossa vida.

— Eu não joguei nada fora — respondeu ela calmamente.

— Foi você quem fez isso.

— Eu cometi um erro.

— Não.

— Um erro acontece uma vez.

— Você tomou a mesma decisão todos os dias durante seis meses.

— Mentiu para mim todas as manhãs.

— Mentiu para mim todas as noites.

— Isso não foi um deslize.

— Foi uma escolha.

Gália saiu para a varanda.

Sentou-se no velho balanço que Serguei havia construído anos antes.

A noite estava tranquila.

O perfume das flores misturava-se ao cheiro da terra molhada.

Ela se lembrou do primeiro encontro deles.

Do casamento.

Da construção da casa.

Das risadas das crianças.

Todas as lembranças voltaram ao mesmo tempo.

Serguei saiu atrás dela.

— Eu não quero perder você — disse ele baixinho.

Ela olhou para ele por um longo momento.

Ela já não via seu marido.

Via apenas um estranho.

— Você já me perdeu.

— Não hoje.

— Há seis meses.

Naquela noite, Gália ficou sozinha na casa.

Devagar, colocou os pertences de Serguei em uma caixa.

Suas camisas.

Sua caneca.

Seus equipamentos de pesca.

Cada objeto trazia uma lembrança.

Mas ela não chorou.

Em vez disso, escreveu uma carta.

Não para Serguei.

Para si mesma.

Escreveu que nunca mais sacrificaria sua dignidade apenas para manter uma falsa paz.

Na manhã seguinte, ligou para sua melhor amiga, Lena.

Algumas horas depois, Lena chegou com comida e um abraço acolhedor.

As duas limparam a casa inteira juntas.

Jogaram fora as garrafas de vinho vazias.

Abriram as janelas.

Mudaram os móveis de lugar.

Gália queria que a casa de campo voltasse a ser seu lar, e não um lugar marcado pela dor.

Uma semana depois, Serguei apareceu novamente.

Parecia mais magro e destruído.

— Terminei aquele relacionamento — disse ele.

— Cometi um erro terrível.

— Vamos começar de novo.

Sem dizer nada, Gália entregou uma pasta a ele.

Dentro estavam os papéis do divórcio.

— Não podemos voltar no tempo — disse ela calmamente.

— E a confiança não pode ser reconstruída da mesma forma depois que é completamente destruída.

Serguei tentou convencê-la por muito tempo.

Mas foi inútil.

A decisão estava tomada.

Quando ele foi embora, Gália caminhou até o jardim.

As macieiras estavam completamente floridas.

Pétalas brancas caíam lentamente sobre a grama, como uma neve de primavera.

Ela sentou-se no banco e, depois de muito tempo, chorou pela primeira vez.

Não porque havia perdido o marido.

Mas porque finalmente deixou para trás uma vida que já não existia.

Ela enxugou as lágrimas, levantou-se e olhou para o jardim.

A casa continuava linda.

As macieiras continuavam florescendo.

Os pássaros continuavam cantando.

E, pela primeira vez em muitos anos, o futuro não parecia assustador.

Parecia livre.

Ela não precisava mais se adaptar às escolhas de outra pessoa.

A partir daquele momento, era responsável pela felicidade de apenas uma pessoa.

Dela mesma.

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