O jantar já tinha esfriado há muito tempo, mas o cheiro pesado do caldo gorduroso e da carne de porco cozida ainda permanecia na cozinha, como se não quisesse ir embora. Denis engoliu em seco. Sua garganta apertou com um nó ardente, seu estômago revirou de náusea, e sua pálpebra esquerda começou a tremer em pequenos espasmos incontroláveis.
No prato à sua frente havia um enorme pedaço de carne de porco cozida. Uma película acinzentada cobria a superfície, enquanto ao redor brilhava um caldo avermelhado e cheio de gordura. Só de olhar para aquilo, ele já sentia vontade de vomitar.
— Não se atreva a me olhar assim com esses seus olhos de lobo! — gritou Galina Ivanovna, batendo a palma da mão na mesa com tanta força que o copo de compota tremeu. — Você não vai se levantar daqui até que não reste nem uma migalha no seu prato! Seu pai teria ficado feliz com uma refeição dessas quando era criança. E você fica fazendo exigências! É só pele e osso. Coma!
O menino apertou os punhos.
Ele tinha sete anos.
Idade suficiente para entender que algo estava muito errado, mas jovem demais para conseguir se defender.
Sua mãe, Alina, havia viajado para Kharkiv por duas semanas para fazer suas provas na universidade. Como o marido trabalhava no turno da noite, eles deixaram Denis aos cuidados da avó.
Galina Ivanovna havia sido, no passado, responsável pela cantina de uma fábrica de malhas em Kremenchuk. Durante toda a vida, acreditou firmemente em três coisas: disciplina de ferro, a tradição da refeição servida na hora certa — sopa, prato principal e compota — e a certeza de que uma criança magra só podia estar doente.
Ela não conhecia a palavra compaixão.
Denis colocou cuidadosamente na boca um pedaço de cebola completamente cozida. Tentou engolir, mas sua garganta simplesmente não obedecia. Um forte enjoo tomou conta dele, e logo começou a engasgar. Pequenas gotas do caldo vermelho respingaram pela toalha de mesa encerada.
— Você fez isso de propósito, não fez? — berrou a mulher, levantando-se da cadeira. — Seu ingrato! Vou contar tudo para sua mãe. Vou dizer que você quer me levar para o túmulo com essa sua desobediência.
A velha caminhou até a porta da cozinha.
— Você vai ficar aqui. Se for preciso, até de manhã. Enquanto esse prato não estiver completamente limpo, não tem banheiro e não tem brinquedos.
A porta bateu com força.
Do lado de fora, Denis ouviu a velha girar a antiga fechadura.
O apartamento mergulhou em um silêncio assustador.
O menino permaneceu imóvel.
Sua pálpebra esquerda tremia cada vez mais forte.
Ele olhou para o relógio.
Nove horas da noite.
Os minutos passavam lentamente.
A carne ficava cada vez mais fria.
A gordura endurecia sobre ela.
O pequeno Denis nem ousava chorar.
Ele sabia que chorar só pioraria tudo.
Pouco depois da meia-noite, a porta de entrada se abriu com um estrondo.
— Denis! — chamou Alina já no corredor.
Suas provas haviam sido antecipadas inesperadamente, permitindo que ela voltasse para casa três dias antes. Ela nem teve tempo de tirar os sapatos quando sua sogra apareceu diante dela.
— Por que você está gritando no meio da noite? — sibilou Galina Ivanovna. — Seu filho está fazendo birra. Alguém precisava finalmente educá-lo. Eu o tranquei um pouco para que ele pensasse no que fez. Há duas semanas ele quase não come.
O rosto de Alina ficou completamente pálido.
— O que a senhora disse?
— Você ouviu muito bem.
A jovem correu para a cozinha.
A porta estava trancada.
— Mãe… a senhora trancou ele?
Nenhuma resposta.
— Denis! Meu amor!
Silêncio.
Alina segurou a maçaneta com as duas mãos e puxou com toda a força. A velha fechadura resistiu por alguns segundos, até que se soltou do batente com um estalo alto.
A cena diante dela ficaria gravada em sua memória para sempre.
Denis estava sentado imóvel na cadeira.
Ele não chorava.
Não falava.
Apenas olhava para a parede com os olhos vazios.
O prato estava completamente vazio.
Uma camada grossa de gordura brilhava em seu rosto, como se ele tivesse tentado limpar as lágrimas com as mãos sujas de óleo.
Sua pálpebra esquerda continuava tremendo sem parar.
Ao lado da cadeira havia uma pequena poça de vômito.
O menino tentava desesperadamente escondê-la com a ponta do chinelo.
— Meu filho… — sussurrou Alina.
Quando ela tentou tocá-lo, Denis se encolheu assustado.
Ele cobriu a cabeça com as duas mãos.

— Eu comi tudo… eu juro… não me dê mais… por favor… eu vou ser bonzinho…
Sua voz estava rouca.
Quase impossível de ouvir.
Alina sentiu o coração se partir.
Atrás dela, Galina Ivanovna voltou a falar.
— Pronto, lá vem você exagerando de novo. Eu só estava ajudando. O estômago dele ficou ruim por causa dessa comida seca que vocês dão em casa. Comigo ele comeu comida de verdade. Um dia ele ainda vai me agradecer.
Alina levantou-se devagar.
Virou-se.
Toda a gentileza havia desaparecido de seu rosto.
Seu olhar ficou gelado.
— Saia da minha casa.
A velha soltou uma risada indignada.
— O quê?
— A senhora tem cinco minutos. Cinco minutos para pegar suas coisas.
— Como ousa falar comigo desse jeito? Fui eu quem criou Oleg! Enquanto meu filho trabalha dia e noite, você…
Alina não deixou que ela terminasse.
Pegou Denis no colo.
O menino ainda tremia.
Ela colocou rapidamente o casaco sobre o pijama dele, carregou-o nos braços e saiu correndo para a escada.
Nesse momento, seu telefone começou a vibrar.
Era Oleg.
— Alina! Minha mãe disse que você enlouqueceu. O que está acontecendo aí?
Alina respirou fundo.
— Sua mãe aterrorizou tanto nosso filho que ele desenvolveu um tique nervoso. Estou levando ele agora para o hospital infantil. E escute com muita atenção, Oleg… Se você ficar do lado da sua mãe neste momento, quando nosso filho mais precisa de nós, então, quando voltarmos para casa, você não deve mais estar lá.


