“Quem vai querer você na sua idade?” — disse o marido ao deixá-la por uma amante mais jovem. Mas, na manhã seguinte, ao passar seu crachá na entrada do escritório, ele ficou branco como a neve…

“Quem ainda vai querer você nessa idade?” — disse o marido enquanto ia embora para morar com uma amante jovem. Mas na manhã seguinte, quando encostou seu cartão de acesso no leitor do escritório, ficou branco como uma parede…

— Quem ainda vai querer você na sua idade, Lena? Você vai fazer cinquenta anos em breve. Já não consegue esconder as rugas. E eu quero viver! Quero uma vida de verdade!

Viktor fechava o zíper da mala de couro com raiva. Em cada movimento havia aquela confiança arrogante que só as pessoas que acreditam estar fazendo justiça conseguem demonstrar.

Elena estava parada na porta do quarto, apoiada no batente. Ela não chorava. Não gritava. Não implorava.

Seu olhar estava calmo. Calmo demais.

Viktor interpretou aquilo como um sinal de choque. Não fazia ideia de que sua esposa já havia tomado uma decisão há muito tempo.

— Vou morar com Alina — disse ele, colocando cuidadosamente seus relógios e abotoaduras ao lado das camisas caras. — Ela tem vinte e três anos. Ela ri das minhas piadas, me deseja, tem energia e está cheia de vida. E você… você já é apenas uma sombra. Um móvel dentro desta casa.

Elena piscou lentamente.

— Você vai levar seus pertences pessoais? — perguntou em voz baixa.

— Apenas aquilo que é meu. O resto você resolve. Vou deixar a casa para você. Considere isso uma espécie de compensação pelos anos que passamos juntos.

Nada mudou no rosto dela.

— Entendi.

Viktor pegou a mala.

— Amanhã os advogados entrarão em contato com você sobre o divórcio. Adeus, Lena.

A porta bateu.

Os passos do homem desapareceram lentamente pela enorme escadaria de mármore. A casa onde eles haviam vivido juntos por vinte anos de repente pareceu vazia e fria.

Elena caminhou até a janela. Lá embaixo, o motor do novo Porsche de Viktor rugiu.

O carro que, na verdade, ela mesma havia pago seis meses antes por meio de uma estrutura chamada “bônus de liderança”.

Ela pegou o telefone.

Ligou para um número curto.

— Andrei, bom dia. Sim, ele foi embora. Iniciem o plano B.

Ficou em silêncio por alguns segundos.

— Sim, todos os documentos estão prontos. A equipe de segurança receberá as instruções às oito horas no prédio “Imperium”.

Ela fez uma pausa.

— E mais uma coisa… cancelem meu jantar desta noite. Vou trabalhar.

Desligou.

No reflexo da janela, não havia uma “mulher envelhecida e abandonada” olhando para ela.

Havia uma empresária.

A mulher que, em dez anos, construiu o império empresarial da Vector-Tech e comprou três grandes concorrentes.

Viktor não passava de uma fachada elegante da empresa.

Um CEO contratado, a quem permitiram sentir-se como um grande chefe.

Ele acreditava que a empresa pertencia aos dois “cinquenta por cento para cada um”.

Mas havia esquecido uma coisa:

Era Elena quem assinava os contratos.

Era Elena quem criava as regras.

E era Elena quem conhecia melhor as letras pequenas dos acordos.

Na manhã seguinte, Viktor acordou como um vencedor.

Estava deitado no luxuoso apartamento de Alina, enquanto uma luz rosada entrava pelas enormes janelas. A jovem ainda dormia ao seu lado.

Viktor sorriu satisfeito.

“Pobre Lena”, pensou enquanto preparava café. “Provavelmente está chorando em algum lugar. Mas eu deixei uma casa para ela. Ela vai conseguir sobreviver.”

Vestiu seu terno italiano mais caro, passou perfume e foi para o trabalho.

O dia prometia ser perfeito.

Reuniões.

Contratos.

Pessoas que se levantavam quando ele entrava.

O respeito que ele tanto adorava.

Ele chegou ao Centro Empresarial Imperium, o palácio de vidro de quarenta andares onde ficava a sede da Vector-Tech.

Entrou no saguão com confiança.

Acenou para a recepcionista.

Depois tirou seu cartão de acesso.

O cartão que sempre carregava com orgulho.

Encostou no leitor.

Bip.

Luz vermelha.

A catraca não abriu.

Viktor franziu a testa.

— Deve ser um erro no sistema — murmurou.

Tentou novamente.

Bip.

Mais uma vez, luz vermelha.

O segurança se levantou.

Mas desta vez não havia aquele sorriso respeitoso que Viktor estava acostumado a receber.

Apenas uma calma fria.

— Senhor Viktor Sergeevich — disse o segurança. — Seu cartão de acesso foi desativado. Por favor, deixe o prédio.

As pessoas ao redor pararam.

Começaram os sussurros.

O rosto de Viktor ficou vermelho.

— Você enlouqueceu?! Eu sou o CEO! Eu comando esta empresa!

O segurança permaneceu imóvel.

— Por decisão da administração, o senhor foi removido do cargo. Seus acessos foram encerrados.

O rosto de Viktor de repente ficou pálido.

Branco como giz.

Naquele momento, todas as despesas do dia anterior passaram pela sua mente.

O cartão corporativo.

Os carros alugados.

O apartamento de Alina.

O apartamento que ele começava a perceber que, na verdade, era financiado por uma estrutura empresarial da Vector-Tech.

— Isso é impossível…

Com a mão trêmula, pegou o telefone.

— Vou ligar para o conselho de administração!

— Viktor.

A voz não veio do telefone.

Veio da direção do elevador.

O som de saltos elegantes ecoou pelo chão de mármore.

Elena se aproximava.

Vestindo um terno branco.

Com o cabelo perfeitamente arrumado.

Caminhando com confiança.

Ao lado dela estava Andrei, seu advogado pessoal.

Viktor ficou paralisado.

— Lena?

Ela parou diante dele.

— O que você está fazendo aqui? Como conseguiu entrar?

Elena sorriu levemente.

— Porque este prédio é meu.

Um silêncio absoluto tomou conta do lugar.

— E a Vector-Tech também é minha. Cem por cento.

Viktor riu, mas sua voz tremia.

— Você está mentindo! Nós construímos isso juntos! Trabalhei dez anos por essa empresa!

Elena olhou para ele com tranquilidade.

— Não, Viktor. Você passou dez anos assinando os documentos que eu preparava.

Ela se aproximou.

— Você nunca foi proprietário. Você era apenas um CEO contratado.

Viktor quase perdeu o equilíbrio.

— Mas… a casa? Os carros?

— A casa está no meu nome. Os carros pertencem à empresa. Seu salário será pago conforme a lei. Mas todos os seus acessos corporativos foram encerrados.

Elena baixou a voz.

— Ontem você perguntou: “Quem ainda vai querer você nessa idade?”

Ela fez uma pausa.

— A pergunta correta deveria ter sido, Viktor:

“Quem vai me sustentar nessa idade quando eu não tiver mais a inteligência, os contatos e o dinheiro de Elena atrás de mim?”

Ela olhou para Andrei.

— Acompanhe-o para fora.

Depois caminhou em direção ao elevador.

Antes que as portas se fechassem, olhou para trás uma última vez.

— Ah, e mais uma coisa… hoje meu corretor de imóveis avisará Alina. O apartamento deverá ser desocupado até a noite.

Ela sorriu.

— Boa sorte nas entrevistas de emprego, Viktor.

As portas do elevador se fecharam.

Viktor ficou parado no meio do chão de mármore.

As pessoas que ontem ainda o olhavam com respeito agora apenas observavam com pena.

Ele saiu para a rua.

Pegou o telefone.

Ligou para Alina.

Um toque.

Dois.

Cinco.

Então:

“O número chamado está temporariamente indisponível.”

Viktor abaixou lentamente a mão.

No bolso, tinha apenas alguns milhares de rublos em dinheiro.

E o Porsche nunca havia sido dele.

Era apenas um carro alugado.

Ele sentou em um banco em frente ao centro empresarial.

Olhou para o prédio de vidro de quarenta andares.

Lá em cima, Elena já havia começado seu dia de trabalho.

A mulher que, no dia anterior, ele havia chamado de “um velho móvel”.

E naquele momento Viktor finalmente entendeu:

Não era Elena quem havia perdido seu valor.

Era ele quem havia perdido tudo aquilo sem o qual não restava mais nada dele.

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