— Valentina Georgievna, comece a esvaziar o escritório — disse o novo diretor, enquanto deixava cair de forma descuidada na borda da minha mesa uma fina folha de papel sem número e sem identificação. — Svetlana será transferida para o seu departamento, e chegou a hora de a senhora encerrar sua trajetória profissional com dignidade.
A folha deslizou silenciosamente pela superfície de madeira e parou ao lado da caneta que eu segurava.
Lentamente, tirei meus óculos de cima do teclado e olhei para o diretor.
— Oleg Stanislavovich, eu não apresentei nenhum pedido de demissão. E também não ofereci meu escritório a ninguém.
Ele sorriu. Era aquele tipo de sorriso por trás do qual a decisão já estava tomada e apenas esperava que os outros a aceitassem.
— Vai apresentar — disse ele calmamente. — Aos sessenta e um anos, uma pessoa precisa saber quando chega a hora de dar lugar aos mais jovens.
Do outro lado da parede de vidro, o departamento ficou em silêncio de repente. Os colegas fingiam estar trabalhando, mas todos ouviam a conversa. A luz vermelha de erro da impressora piscava, sobre minha mesa estavam os contratos finalizados, os relatórios mensais e o resto frio do meu café da manhã.
Ele já havia planejado minha saída.
Só havia uma coisa que ele não sabia.
Eu não era o tipo de mulher que poderia ser afastada com uma folha de papel sem número.
— Svetlana virá falar com a senhora depois do almoço — continuou ele, apontando para o escritório. — A senhora entregará a ela o registro de contratos, os relatórios e o processo de aprovação.
Levantei a folha.
— Svetlana é a nova funcionária?
Ele ficou em silêncio por um instante.
— Minha esposa — respondeu finalmente, com orgulho. — Mas em breve ela será uma das líderes do departamento.
— Entendo — respondi. — Então tenho apenas uma pergunta. Com base em qual decisão oficial?
O sorriso desapareceu por um momento do rosto dele.
— Como assim?
— Com base em qual ordem ela será nomeada? Onde está o documento de transferência? Onde está a aprovação do departamento de recursos humanos? Onde estão a data, o número de registro e a assinatura?
Oleg Stanislavovich se aproximou.
— Não seja tão apegada a formalidades. Eu sou o diretor.
— Um diretor pode decidir muitas coisas — falei calmamente. — Mas nem ele pode mudar as regras conforme sua própria vontade.
Nesse momento, a porta se abriu.
Era Raisa, minha vice-diretora. Ela tinha cinquenta e quatro anos, segurava algumas folhas de presença nas mãos e imediatamente percebeu que havia algo errado.
— Valentina Georgievna, cheguei em um momento ruim? — perguntou.
— Não — respondeu o diretor antes que eu pudesse falar. — Pelo contrário, chegou na hora certa. Você também precisa saber que haverá mudanças no departamento.
Raisa olhou para mim.
— Que mudanças?
— A partir de segunda-feira, você ajudará Svetlana a se adaptar ao trabalho — disse Oleg. — E Valentina Georgievna começará a organizar os assuntos relacionados à sua saída.
Coloquei o papel sobre a mesa.
— Raisa, por favor, veja isso.
Entreguei a folha a ela.
— Isto não é uma ordem — expliquei. — É apenas um desejo que alguém colocou no papel.
O diretor começou a bater os dedos nervosamente na mesa.
— Agora você está questionando minha autoridade publicamente?
— Não — respondi. — Pelo contrário. Estou tentando impedir que o senhor perca sua autoridade por causa de uma decisão errada.
Durante alguns segundos, o silêncio tomou conta da sala.
— Você está há tempo demais neste lugar — disse ele finalmente. — O departamento precisa de uma nova visão.
Recostei-me na cadeira.
— No ano passado, nosso departamento concluiu 312 contratos sem atrasos. Recuperamos mais de dois milhões de rublos em disputas comerciais. A taxa de erros dos nossos funcionários é uma das menores da empresa.
— Não se constrói o futuro apenas com resultados do passado — respondeu rapidamente.
— Mas sem resultados passados não existe um futuro confiável — retruquei.
O olhar dele ficou mais duro.
— Está dizendo que Svetlana não é adequada?
— Eu não disse nada sobre ela pessoalmente — respondi. — Estou apenas dizendo que uma posição de liderança não deve ser ocupada por causa de uma relação familiar.

Raisa permaneceu em silêncio ao nosso lado.
Oleg percebeu que havia uma testemunha daquela conversa.
— Você pode sair agora — disse friamente a ela.
— Raisa fica — respondi. — Isso já não é uma conversa particular. Diz respeito a todo o departamento.
O rosto do diretor ficou cada vez mais tenso.
— À tarde farei uma reunião — disse ele em voz alta, para que todos atrás da parede de vidro pudessem ouvir. — Lá anunciarei a nova estrutura de liderança.
— Tudo bem — respondi. — Então poderá apresentar também a justificativa.
— A justificativa é a minha decisão.
— E decisões precisam de documentos.
Ele ficou em silêncio.
Depois desviou o olhar.
Ele não esperava por isso.
Achava que estava diante de uma funcionária mais velha que abaixaria a cabeça e aceitaria tudo.
Ele não sabia que eu trabalhava naquele lugar havia trinta e oito anos.
Não sabia que eu conhecia todas as regras.
E principalmente não sabia que naquela manhã não era a mim que estavam tentando afastar.
Era ele quem estava criando provas contra si mesmo.
Quando saiu pela porta, Raisa fechou-a lentamente atrás dele.
— Valentina Georgievna… ele realmente pretende trazer a esposa para cá?
— Ele pretende — respondi.
Peguei um envelope da pasta de documentos.
— Mas existe uma enorme diferença entre um plano e a lei.
Raisa olhou para o envelope.
— O que é isso?
Abri.
Dentro havia um convite do escritório central para uma reunião oficial de avaliação.
— O escritório central está observando como o novo diretor começa seu trabalho — expliquei.
Raisa sentou-se lentamente.
— Então ele não sabia que estava sendo avaliado?
Sorri.
— Não.
Por alguns segundos, olhei para a porta fechada.
— E é exatamente por isso que ele cometeu todos os erros que um líder pode cometer.


