Durante dois anos, o jovem diretor me chamou de “vovó” em todas as reuniões. Ele não fazia ideia de que foi o pai dele quem avaliou o meu trabalho de conclusão de curso.

— Albina Sergueievna, diga uma coisa… afinal, o que a senhora faz aqui? — perguntou Denis com um sorriso, recostando-se na cadeira enquanto ajustava os óculos.

— Estou falando sério, vovó. Por que a empresa deveria pagar 120 mil rublos por mês para a senhora, se uma inteligência artificial faz o mesmo trabalho pelo preço de uma assinatura?

Era segunda-feira, nove horas da manhã. Catorze pessoas estavam sentadas ao redor da mesa na reunião semanal.

Ninguém olhava para mim. Ninguém olhava para ele. Todos mantinham os olhos fixos em seus cadernos, apenas esperando que a reunião terminasse.

Eu trabalhava naquela empresa havia dezessete anos. Entrei quando Denis ainda era um garoto de doze anos.

Naquela época, tudo era comandado por seu pai, Valéri Igorevitch. Ele conhecia todos os funcionários pelo nome e assinava pessoalmente cada contrato. Anos depois, afastou-se da administração do dia a dia.

Permaneceu como presidente do conselho de supervisão, enquanto a gestão operacional foi passada adiante. Há dois anos, chegou o novo diretor-geral: seu próprio filho.

Tinha trinta anos. MBA. Um terno caríssimo. O cabelo impecavelmente penteado, endurecido por gel em excesso. E tinha um hábito:

Nunca me chamava pelo nome.

— Vovó.

Não pelas minhas costas.

Na minha cara.

Na frente de todos.

— Sou a engenheira-chefe de processos, Denis Valériévitch — respondi calmamente. — Sou responsável pela documentação técnica, pelo controle da produção e pela certificação. Uma inteligência artificial ainda não assume a responsabilidade por um lote de produção defeituoso.

Ele sorriu de lado.

— Veremos.

Não respondi. Abri minha agenda e anotei a data.

Era a vigésima terceira segunda-feira consecutiva.

Eu estava contando.

Meu escritório era pequeno. Uma mesa, um armário cheio de documentos e uma janela voltada para o pátio. Sobre o parapeito havia uma violeta-africana que eu trouxera ainda na época de Valéri Igorevitch.

Ela sobrevivera a três reformas, duas mudanças de escritório e ao rompimento de um cano.

Era uma planta resistente.

Assim como eu.

Eu tinha cinquenta e sete anos. Minha filha morava em outra cidade. Meu neto tinha quatro anos. Ainda faltavam três anos para terminar de pagar o financiamento do meu apartamento.

Eu não podia me dar ao luxo de perder aquele emprego.

Mas o que mais doía não era o dinheiro.

Era a maneira como ele dizia:

“Vovó.”

Não havia respeito em sua voz.

Apenas desprezo.

Como se eu não fosse uma pessoa, mas um móvel velho que ninguém ainda tivera o trabalho de descartar.

Um mês depois, ele fez algo que fez meu mundo escurecer.

Passei três semanas trabalhando em um importante projeto de certificação.

Sessenta e quatro páginas de documentação.

Conferi cada número manualmente, porque sabia que uma única tolerância incorreta poderia causar prejuízos de milhões de rublos.

Chegou o dia da videoconferência com a matriz.

Eu estava na sala de reuniões, enquanto Denis participava de seu escritório.

Ele abriu meu documento na tela e declarou com toda a tranquilidade:

— Preparei todo o pacote de certificação. Revisei pessoalmente todos os cálculos.

Na tela apareciam meu trabalho.

Minhas tabelas.

Minhas fórmulas.

Minhas observações.

Ele cometeu apenas um erro.

Os metadados do arquivo ainda mostravam meu nome como autora.

Depois da reunião, bati à porta de seu escritório.

— Denis Valériévitch, meu nome ainda aparece nas propriedades do arquivo. Se a matriz verificar os metadados, fará perguntas.

Ele tirou os óculos, limpou-os lentamente e tornou a colocá-los.

— Vovó, não complique as coisas. Eu sou o diretor. Tudo o que é produzido aqui é meu trabalho. É assim que funciona a hierarquia corporativa.

— Eu sei muito bem o que é hierarquia. Eu já trabalhava aqui quando seu pai estava construindo essa hierarquia.

Seu sorriso desapareceu por um instante.

Depois voltou.

— Exatamente.

A senhora **trabalhava**.

Tempo passado.

Pense nisso.

Já era o segundo projeto que ele apresentava como sendo dele.

Na primeira vez, permaneci calada.

Na segunda, entendi que não era um acidente.

Era um método.

Trimestre após trimestre, retiravam meu bônus.

A justificativa era sempre a mesma:

“Não demonstra iniciativa suficiente.”

Enquanto isso, meu departamento alcançava 114% da meta estabelecida.

O relatório era assinado pelo próprio Denis.

Em uma página estava escrito:

“114% da meta atingida.”

Na outra:

“Bônus: 0.”

Ao longo de quatro trimestres consecutivos, perdi 120 mil rublos.

Comecei a guardar tudo.

Os metadados dos documentos.

Os demonstrativos de bônus.

Os relatórios assinados.

Tudo foi para uma pasta cinza.

Mês após mês, ela ficava mais grossa.

E eu esperei.

Em outra reunião de segunda-feira, ele declarou:

— Está na hora de rejuvenescer esta empresa. Precisamos de pessoas que pensem digitalmente, não de gente que ainda anda com pastas de papel.

Olhou diretamente para mim.

Todos entenderam de quem ele estava falando.

— Isso é uma demissão? — perguntei.

Ele pareceu surpreso.

— Não.

— Então, por favor, coloque isso por escrito.

A sala mergulhou em um silêncio absoluto.

Algumas semanas depois, chamou-me ao seu escritório.

Sobre sua mesa havia uma carta de demissão já preenchida.

Meus dados pessoais já estavam nela.

Faltava apenas minha assinatura.

— Assine aqui, vovó. Vamos nos separar amigavelmente. A senhora pode se aposentar e cuidar do seu neto.

Ele falava como se estivesse me fazendo um favor.

Fechei a pasta e a empurrei de volta para ele.

— Entregarei minha demissão quando eu decidir.

— Para quem?

— Para o presidente do conselho de supervisão.

Pela primeira vez, vi medo em seus olhos.

— Meu pai vai me apoiar de qualquer jeito.

Não respondi.

Apenas saí da sala.

Na sexta-feira, três dias antes da reunião do conselho, escrevi minha carta.

Não era uma reclamação.

Era um conjunto de provas.

Vinte e seis meses.

Cento e quatro reuniões.

Cento e quatro vezes ele me chamou de “vovó”.

Três projetos roubados.

Quatro bônus retirados.

Uma carta de demissão preenchida em meu nome.

Cada alegação era acompanhada de provas.

A pasta cinza finalmente estava completa.

Chegou o dia da reunião do conselho.

Valéri Igorevitch compareceu pessoalmente.

Seu cabelo estava grisalho.

Andava mais devagar.

Mas suas grandes mãos, endurecidas pelo trabalho, continuavam as mesmas.

A primeira hora transcorreu tranquilamente.

Então ele perguntou de repente:

— Por que a rotatividade de funcionários é tão alta?

Denis respondeu com confiança:

— Substituí os funcionários mais fracos.

— Com base na idade?

— Não… com base nas competências.

Valéri tirou lentamente os óculos e percorreu a sala com o olhar.

Então seus olhos pararam em mim.

— Albina…?

Ele aproximou-se e segurou minhas mãos com as duas dele.

— Albina Krasnopólskaia. 1991. *Otimização do tratamento térmico de estruturas de aço.* Uma das melhores monografias que já orientei.

Denis empalideceu.

— O senhor a conhece? — perguntou.

— Ela é… nossa engenheira de processos.

— Não.

Ela foi a aluna mais talentosa que tive em dez anos.

Fui eu quem a contratou pessoalmente, há dezessete anos.

Depois voltou-se para o filho.

— Por que ela não está sentada nesta mesa?

Entreguei-lhe a pasta cinza.

Ele a leu em silêncio.

Página após página.

Vi sua expressão mudar a cada documento.

Quando chegou ao registro de todas as vezes em que eu fora chamada de “vovó”, seu maxilar se contraiu.

Ao ler sobre os projetos roubados, fechou a mão em punho.

Ao chegar aos bônus retirados, seu semblante escureceu completamente.

Quando encontrou a carta de demissão previamente preenchida, fechou a pasta e a colocou lentamente sobre a mesa.

— Denis…

Por que uma das melhores profissionais desta empresa quer ir embora?

— Pai… isso é apenas um desentendimento no trabalho…

— Durante vinte e seis meses?

Três projetos roubados?

Quatro bônus retirados?

Cento e quatro vezes “vovó”?

A sala ficou tão silenciosa que era possível ouvir o zumbido das lâmpadas fluorescentes.

Por fim, Valéri voltou-se para mim.

— Albina Sergueievna, investigarei pessoalmente seu caso. Até lá, peço que não se demita.

Dois meses depois, Denis foi transferido para outra filial.

Não foi demitido.

Afinal, era filho do proprietário.

Recebi de volta todos os bônus que haviam sido retirados.

No primeiro dia, o novo diretor perguntou do que eu precisava para desempenhar bem meu trabalho.

Os colegas, porém, dividiram-se.

Alguns apertaram minha mão e disseram:

— Finalmente alguém teve coragem de se defender.

Outros cochichavam na área de fumantes:

— Ela o denunciou.

— Aproveitou seus antigos contatos.

— Isso poderia ter sido resolvido em particular.

Talvez eles tivessem razão.

Talvez eu devesse ter ligado para Valéri Igorevitch muito antes.

Em silêncio.

Sem testemunhas.

Mas então eu sempre me lembrava daquelas cento e quatro segundas-feiras.

Cento e quatro humilhações públicas.

Três projetos roubados.

Uma carta de demissão preenchida antes mesmo que eu decidisse sair.

Ele me humilhou publicamente.

Repetidas vezes.

Eu respondi publicamente.

Uma única vez.

E apenas essa única vez.

O que você teria feito no meu lugar?

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