Naquele sábado, fechei o meu próprio portão, sentei-me na varanda com um livro e não abri quando, atrás da cerca, buzinaram dois carros com mulheres desconhecidas dentro. A minha nora ligou. Olhei para o ecrã, ouvi o toque e não atendi.
Tenho cinquenta e oito anos. E, pela primeira vez em três meses, recusei-me a lavar treze pratos sujos deixados por pessoas que viam a minha casa de campo como alojamento gratuito de fim de semana. Mas para chegar até aqui, tenho de voltar a junho.
Chamo-me Valentina Dmitrievna, mas todos me chamam Valya. Vivo assim há catorze anos: de abril a outubro na casa de campo, de novembro a março num apartamento de um quarto na Rua Botânica, que comprei ainda com o meu marido, Grisha, em 1998, quando ele trabalhava como mecânico no porto fluvial e eu era funcionária dos correios.
Grisha morreu há seis anos. De forma repentina, no trabalho. Transferiu o apartamento para o meu nome um ano antes, como se pressentisse algo, mas nunca disse nada. O terreno também ficou meu em 2005, quando comprámos aos vizinhos Vorobyov, que se mudaram para Krasnodar.
O meu filho, Anton, tem trinta e quatro anos. Trabalha com transporte de carga ao longo do Volga e do Kama, é um homem respeitado. Está casado há dois anos. A sua esposa, Kristina, tem trinta e dois anos, é gestora de escritório num centro comercial: documentos, tabelas, pedidos — tudo passa por ela. Tem uma voz firme. Às vezes, até a dois quartos de distância, consigo ouvir claramente o que diz ao telefone.
O primeiro ano foi normal. Vinham à casa de campo uma vez por mês, às vezes com menos frequência. Kristina trazia comida pronta, Anton ajudava no jardim, pintava os troncos das árvores de branco. Eu servia-lhes sopa fria, sentávamo-nos na varanda e era bom. Simplesmente bom.
Depois Kristina apaixonou-se pela casa de campo.
As “invasões” começaram há dois anos, numa sexta-feira de junho.
— Valentina Dmitrievna, amanhã vamos, tudo bem? Vou levar uma amiga também, ela está muito cansada, precisa de natureza.
Não me opus. Havia espaço suficiente — um terreno de doze áreas, quatro quartos. Grisha dizia: “que haja espaço para os netos também”.
Eles vieram. Kristina, Anton e uma amiga chamada Alisa. Barulhenta, bronzeada, escondida atrás de óculos de sol demasiado grandes.
Estenderam um cobertor na relva, ligaram música numa coluna portátil. Não muito alto, mas cada melodia espalhava-se pelo jardim. Anton grelhava, Kristina cortava salada, Alisa apanhava sol e fotografava as nuvens.
No dia seguinte, foram-se embora.
Na cozinha ficaram quatro pratos por lavar. Uma frigideira queimada no fogão. Copos de plástico no relvado. Uma toalha molhada num arbusto de groselha — azul-turquesa, com padrão de âncoras.
Tirei-a. As folhas guardaram a marca.
“Esqueceram-se” — pensei.
Lavei tudo.
Uma semana depois, nova chamada.
Depois tornou-se rotina: todas as sextas-feiras à noite, o telefonema. “Amanhã vamos.”
Às vezes três, às vezes cinco pessoas. E ficava sempre algo para trás. Uma toalha no arbusto. Um prato gorduroso no lava-loiça. Relva esmagada. Como se a casa fosse apenas o cenário dos fins de semana deles.
Durante três meses aguentei.
Depois, num sábado, fechei o portão.

E não o abri.
Por volta das onze e meia chegaram. Buzinas, batidas no portão.
— Valentina Dmitrievna! Abra!
Anton também me ligou.
— Mãe, porque é que o portão está fechado?
— Porque eu o fechei.
— Mas o que aconteceu?
— Aconteceu que quem não arruma não entra.
Silêncio.
— Eles são apenas convidados… — disse ele.
— Um convidado não deixa treze pratos sujos.
Mais silêncio.
— Vou falar com a Kristina — disse ele por fim.
— Fala. Não estou zangada. Só estou cansada.
Passou uma semana. Kristina ligou.
— Não pensei que isso a incomodasse tanto.
— Eu disse.
— Não reparei.
— Isso já é hábito.
Depois vieram. Anton e Kristina juntos. Arrumaram o jardim, lavaram a louça.
Ao almoço, Kristina perguntou:
— Podemos vir outra vez… mas de forma correta?
— Sim — respondi. — Com uma condição.
— Qual?
— As toalhas não ficam nos arbustos. Ficam no estendal.
Desde então, vieram três vezes.
Sempre tudo arrumado.
Sempre tudo lavado.
As toalhas secam no estendal.
E eu, pela primeira vez em anos, não sinto que sou empregada na minha própria terra.
Só ficou uma pergunta:
Em que momento tu terias dito: chega?


