— Saiam da minha casa! E nunca mais ousem pôr os pés aqui! — A voz cortante de Zinaida Arkadievna rasgou o ar do antigo apartamento de São Petersburgo como vidro a se quebrar.
Na ampla sala de pé-direito alto, suas palavras ecoavam entre as paredes como se o próprio lugar se recusasse a deixá-las morrer. O lustre de cristal tremia levemente, seus reflexos cintilando de forma nervosa. O ambiente era luxuoso, mas sufocante — impregnado por perfumes caros misturados ao cheiro amargo de gotas calmantes.
Darya estava no batente da porta. Seus dedos apertavam com força a alça de sua bolsa de tecido gasto, até que os nós dos dedos ficaram brancos. Ela não dizia nada. Não se movia. Apenas observava a mulher que governava aquela casa como uma rainha sobre um reino em ruínas.
Zinaida recostou-se lentamente na poltrona antiga, ajeitando o lenço de seda com uma calma teatral.
Roman deu um passo à frente.
— Já chega disso — disse ele, baixo, mas tenso. — Darya é minha esposa. Ela está carregando meu filho. Se não há lugar para ela aqui, então não há para mim também.
Zinaida ergueu lentamente o queixo. A máscara frágil de mulher ferida desapareceu, dando lugar a um olhar frio e duro.
— Um filho? De uma garota provinciana que nem sabe distinguir um garfo de peixe de um de sobremesa? Você é um Voskresensky! Nosso nome significa algo!
— Um nome construído sobre mentira não significa nada — respondeu Roman, seco.
Do corredor veio uma tosse fraca.
Boris Leonidovich, seu pai, estava ali, pálido e exausto, mal conseguindo respirar.
— Zina… por favor… você está destruindo tudo…
Mas ela nem o olhou.
— Vão embora — disse friamente. — E não voltem nunca mais.
Roman segurou a mão de Darya.
— Vamos.
A porta se fechou atrás deles com um som pesado e definitivo.
Lá fora, São Petersburgo estava sob uma chuva fria. As luzes da rua se refletiam nas poças como memórias distorcidas.
Roman colocou seu casaco sobre os ombros de Darya.
— Me desculpa… eu não achei que ela fosse tão longe.
— Nós vamos sobreviver — sussurrou Darya. — Juntos.
Eles se mudaram para um pequeno apartamento na periferia da cidade. Paredes úmidas, uma mesa instável, aquecimento irregular. Mas era o lar deles.
Roman trabalhava longas horas na logística. Darya traduzia textos até tarde da noite, sob a luz fraca de uma lâmpada piscante.
Até que, três semanas depois, o telefone tocou.
Boris havia morrido.
O funeral foi silencioso, pesado, gelado.
Zinaida estava sentada à cabeceira da mesa, vestida de preto, imóvel como uma estátua. Quando Darya tentou servir água, ela empurrou sua mão com violência.
A água se espalhou pela toalha branca.
— Não me toque — sussurrou Zinaida. — Tudo isso é culpa sua.
Darya se levantou em silêncio e saiu.
Roman a seguiu, mas Zinaida o segurou pelo braço.
— Sente-se!
Ele se soltou devagar.
— Respeito não pode ser imposto — disse ele. — Você perdeu o meu.
A verdade veio depois, como uma ferida antiga finalmente exposta.
A avó Serafima Ivanovna falava em seu apartamento silencioso, cheirando a cera e livros velhos.
— Zina sempre quis ser maior do que a vida — disse ela. — E acabou destruindo tudo ao seu redor.
Então contou sobre Illya.
O filho mais velho. O amor verdadeiro. A garota que não resistiu à crueldade de Zinaida. E Illya, que nunca se recuperou da perda.
Roman ficou em silêncio por muito tempo.
— Vamos embora — disse finalmente.
Os anos passaram.
Na Carélia, à beira de um lago cercado por florestas, eles construíram uma nova vida. Casas de madeira, hóspedes, cheiro de pinho no ar. Tudo erguido com esforço, dor e liberdade.
Eles tiveram um filho.
Chamaram-no Illya.
Um dia, um SUV empoeirado parou no portão.
Zinaida saiu.
Já não era uma rainha. Apenas uma mulher cansada, quebrada, com o olhar vazio e um casaco amassado.
— Não tenho para onde ir — disse o homem que a acompanhava.
Darya a observou por um longo momento.
— Não temos quarto disponível — respondeu calmamente.
Então a criança correu para fora.
Pequeno, sorrindo, com um carrinho de brinquedo na mão.
— Quebrou! — gritou alegremente.
Ele parou.
Bem na frente dela.
Zinaida congelou.
Os olhos.
O rosto.
Illya.
— Illya… — sussurrou ela.
Ela caiu de joelhos.
Roman apareceu atrás dela.
— Já é tarde — disse ele baixo. — Não se recupera o que foi destruído.
Eles não a deixaram entrar na casa.
Mas também não a jogaram na rua.
Havia uma pequena casa de funcionários na propriedade.
— Você pode ficar lá — disse Roman. — Se trabalhar.
Zinaida não respondeu.
Pela primeira vez na vida, não tinha controle sobre nada.
Ela pegou sua mala.

E foi embora.
Não como uma dona.
Mas como alguém que finalmente entende o que significa perder tudo — e ainda assim continuar vivendo.


