“Como assim você não vai me deixar entrar no seu apartamento?” perguntou a cunhada grávida a Raisa, atônita. “Vou dar à luz em breve!”

– Como assim você não me deixa entrar no seu apartamento? – perguntou Margarita, incrédula, colocando a mão instintivamente sobre a barriga. – Estou no sétimo mês. Posso dar à luz a qualquer momento!

Raisza ficou imóvel na porta de seu próprio apartamento, exatamente na soleira. Não recuou, não cedeu. Bloqueava o caminho como uma parede. No corredor, duas enormes malas e várias caixas de papelão estavam alinhadas,

como se já estivesse decidido que Margarita iria se mudar para lá. Sob a túnica larga, a barriga de grávida se projetava como um semicírculo – impossível não notar.– Não vou deixar você entrar – disse Raisza, calmamente. – Este é o meu apartamento.

Margarita piscou, como se não conseguisse compreender as palavras.– Rája, você enlouqueceu? Styopa é seu marido. Então é um apartamento compartilhado. Eu sou a irmã dele. Não tenho onde morar!

Um sorriso cansado surgiu no canto da boca de Raisza.– Ele foi meu marido. Há três semanas entrou com o pedido de divórcio. E o apartamento não é compartilhado. Minha tia me deu antes do casamento. O contrato de doação está no meu nome.

Margarita balançou a cabeça nervosamente e deu um passo à frente, como se quisesse simplesmente passar por ela.– Não faça isso comigo! Você não pode jogar uma mulher grávida na rua!Raisza levantou a mão.

– Pare. Sinto muito, de verdade. Mas isso não é problema meu. Seus pais estão lá. Seu irmão está lá. O pai do bebê também. Por que você deveria morar comigo?– Vadik me deixou… – disse Margarita, ofendida.

– Não há lugar na casa dos meus pais. Styopa disse que você certamente me deixaria entrar. Você tem três quartos, vive sozinha!Ao ouvir o nome, a voz de Raisza esfriou.– Styopa disse? Aquele Styopa que me aterrorizou por meses para que eu colocasse o apartamento no nome dele?

Que gritava que eu era gananciosa por não querer compartilhar?– Bem, ele exagerou um pouco…– Um pouco? – Raisza riu nervosamente. – Eu tomava calmantes por causa dele. Primeiro exigiu uma parte, depois a venda, depois queria que os pais dele se mudassem para cá.

Quando recusei, ameaçou com o divórcio. Pois bem, recebeu o que queria.Nesse momento, Nyina Pavlovna, mãe de Margarita, apareceu na escada. Estava com um terno rígido, o rosto tenso, a voz autoritária.

– Raisza, que bom que você está em casa. Ajude a Rita a levar as coisas para dentro.– Não vou levar nada – respondeu Raisza, secamente. – Ela não vai se mudar para cá.– Como assim não? Nós combinamos!

– Vocês combinaram entre si. Sem mim.A sogra estreitou os olhos, desaprovando.– Egoísta. Você tem um apartamento grande, e ela está grávida. Isso é humanidade básica.– E onde estava a humanidade de vocês quando o filho de vocês me insultava? – explodiu Raisza. – Quando jogava minhas coisas pela janela?

– Não exagere. Styopa é emotivo. Como marido, tinha direito a esperar algo.– Não tinha direito – disse Raisza, firme. – Este é meu patrimônio. Segundo a lei também.– O tribunal decidirá. Raisza riu.

– Já decidiu. O processo nem foi aceito. Por isso toda essa encenação.Nesse momento, Margarita tentou passar silenciosamente por ela.– Rája, só vamos entrar… vamos conversar…– Não.Raisza se abaixou, pegou uma das malas e a jogou com toda força para a escada.

A segunda mala e as caixas seguiram-na.– Vou chamar a polícia! – gritou Nyina Pavlovna.– Chame – respirou fundo Raisza. – E conte como tentaram entrar sem permissão no apartamento de um estranho.

A porta se fechou. A fechadura clicou.Raisza encostou-se à parede. Tremia de adrenalina, mas por dentro estava leve. Livre.Dois meses depois, o divórcio foi oficializado. O apartamento permaneceu com ela.

As mentiras de Styopa foram reveladas, a história de Margarita veio à tona. Cada um pagou seu preço.Em um café, Raisza ergueu a xícara.– À nova vida. Ao aprendizado de dizer “não”.E quando um homem desconhecido se aproximou com flores,

Raisza já sabia: quem protege seus limites, a vida acaba recompensando.

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