O jantar que revelou a verdade.Mark já nas primeiras semanas de relacionamento falava muitas vezes sobre como a paz na família era importante para ele. Não gostava de conflitos, especialmente com a mãe.
— Minha mãe tem um temperamento difícil, mas só tenho uma — dizia sorrindo. — Por favor, seja paciente com ela. Por mim.Anna sempre concordava com a cabeça. Amava Mark — a voz calma, os gestos seguros, a sensação de que ao seu lado tudo era previsível e seguro.
Acreditava que ao lado de um homem assim poderia ter uma vida feliz.O encontro com a mãe dele, porém, era sempre adiado. Ora estava em tratamento, ora viajando para o interior, ora simplesmente “não estava com humor”.
Segundo Mark, a mãe era uma mulher forte e decidida, um pouco antiquada, mas de bom coração. Anna imaginava uma senhora rígida e elegante, saída de filmes antigos.Numa noite, porém, recebeu uma mensagem inesperada de um número desconhecido:
“Boa noite, Anna. Sou Larissa Viktorovna, a mãe de Mark. Gostaria de conhecê-la pessoalmente, a sós. Meu filho fala tanto de você que mal posso esperar pelo nosso encontro. Amanhã às oito da noite a espero no restaurante La Scala.”
Anna ficou surpresa e um pouco assustada. Ligou imediatamente para Mark.— Isso é bem coisa dela — riu ele. — Ela adora surpresas. Não se preocupe, vai gostar de você.— Mas o La Scala é muito caro… — disse Anna hesitante.
— Minha mãe gosta de lugares bonitos. Não diga não, você a magoaria. Eu dou um jeito.Anna não perguntou mais nada. Nem lhe passou pela cabeça que teria de pagar. Afinal, não tinha sido ela quem convidara, nem escolhera o lugar.
Na noite seguinte entrou nervosa no restaurante luxuoso. No centro do salão, numa mesa elegante, já estava sentada uma mulher de penteado impecável e olhar frio. Um enorme esmeralda brilhava em seu dedo.
— Finalmente chegou — disse sem sorrir. — Mark não exagerou. Você é bem bonita.A conversa rapidamente virou um interrogatório. Larissa Viktorovna perguntou em detalhes sobre a família de Anna, seu trabalho, seus planos.
— Arquiteta? — ergueu a sobrancelha. — Ah, então desenhista.Sem sequer olhar o cardápio, a mulher pediu ostras, carne marmorizada, risoto com trufas e um vinho francês caro. Anna pediu apenas uma salada e água mineral.
— Uma jovem deve saber aproveitar a vida — comentou friamente. — Mark está acostumado a um nível mais alto.O jantar transcorreu em clima tenso. Larissa Viktorovna falava de como fora difícil criar o filho sozinha, do grande futuro que o aguardava e de que tipo de esposa combinaria com ele — forte, elegante, de boa família.
Quando o garçom trouxe a conta, Larissa Viktorovna não a tocou. Tirou o pó compacto e começou calmamente a retocar a maquiagem.O silêncio foi longo e constrangedor.— Larissa Viktorovna… — murmurou Anna por fim. — Eu pensei que…
— Pensou o quê, querida? — perguntou sem tirar os olhos do espelho.— Que a senhora pagaria… afinal, foi a senhora quem convidou.A mulher sorriu, mas o sorriso era gelado.— Uma mulher moderna é independente — disse lentamente.

— Quis ver o quanto você é autônoma. Mark precisa de uma companheira forte, não de alguém sustentado. E como você comeu pouco, certamente ainda tem dinheiro.Anna levantou-se com as mãos trêmulas.
— Vou pagar apenas a minha parte. Mas não a sua.Deixou o dinheiro sobre a mesa e saiu sem dizer mais nada.Em casa, Mark a esperava furioso.— O que você fez com a minha mãe?! — gritou. — Ela chorou a noite inteira!
— Ela me humilhou — respondeu Anna em voz baixa. — E você a defende?— Ela só estava te testando! E você reprovou! Por causa de um jantar você destruiu nosso relacionamento!— Não era sobre dinheiro — disse Anna, lutando contra as lágrimas. — Era sobre respeito. E sobre você.
— Você é gananciosa — atirou Mark. — Minha mãe tinha razão.Foram as últimas palavras entre eles.Meses depois, Anna encontrou um novo emprego, mudou de apartamento e, pouco a pouco, suas feridas cicatrizaram.
Dois anos mais tarde, num dia de inverno, escorregou na frente de uma loja. Um desconhecido a ajudou a se levantar.Assim conheceu Egor.Um ano e meio depois, casou-se com ele.A nova sogra era gentil, calorosa, e nunca a colocou à prova.
Então Anna entendeu de verdade: naquela noite ela não perdeu apenas um jantar — ela se salvou de uma vida em que outros sempre decidiriam por ela.


