O telefone tocou às cinco da manhã. Bárbara virou-se de lado, semicerrando os olhos, e olhou para a tela — número desconhecido. Soltou um suspiro silencioso.— Alô? — disse secamente, com uma voz carregada de sono e indiferença.
— Basieńka?! — ouviu-se uma voz feminina alta e entusiasmada. — É você?!Bárbara arqueou ligeiramente as sobrancelhas.— Sou eu — respondeu friamente.— Sou eu! — a mulher irradiava alegria pelo telefone. — Você me reconheceu?
Bárbara hesitou por um instante. Não fazia ideia de com quem falava, mas a educação a obrigava a responder:— Claro.— Eu sabia que você me reconheceria! — exclamou a interlocutora, cheia de entusiasmo. — Que bom que consegui te encontrar! Você tem um tempinho para conversar?
— Tenho.— Ótimo! Eu, meu marido e as crianças acabamos de descer do trem. Estamos na estação. Você me escuta bem?— Escuto.— Sua voz está tão baixa… Está tudo bem, Basieńka?— Sim, tudo ótimo.
— Fico feliz! Primeiro pensamos em ficar em um hotel, porque parecia que não conhecíamos ninguém aqui. Mas então lembramos — você mora aqui! Entende?— Entendo.— Imagine a nossa alegria! Principalmente das crianças!
— Imagino.— E meu marido disse logo: “Ligue para a Basia. Ela não vai nos decepcionar”.— Ele disse certo. Não vou decepcionar.— Então podemos ficar aí com você?— Claro. Podem vir.— Não vamos ficar muito tempo — talvez duas semanas.
Queremos conhecer a cidade e depois voltamos. Você sabe, em casa há tanto trabalho… e como dizem, em todo lugar é bom, mas em casa é melhor, certo?— Certo.— Sabia que você diria isso! Meu marido também dizia. É impossível você não nos receber.
Afinal, somos família! Distante, mesmo sem nos vermos há dez anos… mas ainda assim família! Certo?— Certo.— E agora você mora sozinha?— Sozinha.— Em um apartamento de três quartos?
— Sim.— Perfeito! Estamos a caminho!— Venham.— Em uma hora estaremos aí! Ainda mora no mesmo lugar?— Sim.Bárbara desligou o telefone e se cobriu novamente até a cabeça. Sua mente estava em outro lugar, tentando não analisar com quem realmente falava.
Uma hora depois, a campainha interrompeu seu sono. Ela suspirou pesadamente, virou-se para o outro lado e fechou os olhos. A campainha tocava insistentemente. Alguém começou a bater com o pé na porta. Bárbara não se moveu. Então o telefone tocou novamente.
— Alô? — murmurou.— Basieńka?! — a voz alegre soou de novo. — Estamos na sua porta, ligamos várias vezes e você não atende!— Estão ligando?— Sim!— Mas por que não ouço nada?— Não sei.— Ligam de novo, por favor.
Desta vez, a campainha tocou dentro do apartamento.— Estamos ligando!— Não, ainda não ouço. Agora batam na porta!— Estamos batendo!— Ainda nada.Houve um momento de silêncio.
— Acho que agora entendi… — disse a interlocutora.
— O quê?— Onde você está agora, Basieńka?— Como assim onde? Em casa.— Mas “em casa” onde?— Em Cracóvia — disse o primeiro que lhe veio à mente. — Onde mais eu estaria?— Em Cracóvia?! Por que não em Varsóvia?
— Mudei há nove anos, logo após o divórcio.— Por quê?— Por que me mudei. Varsóvia me cansou. Muitas lembranças ruins.— E em Cracóvia é melhor?— Claro! Muito melhor. Tudo aqui é diferente, fresco… sem lembranças ruins. Mas venham, vocês verão. Quantos são?

— Quatro. Eu, meu marido e dois meninos — Paweł e Andrzej. Este ano Andrzej tenta novamente entrar na universidade.— Então venham todos. Temos uma ótima universidade aqui!— Quando?— Hoje mesmo, se quiserem.
— Hoje não dá. Ainda temos assuntos para resolver em Varsóvia. Viemos trabalhar aqui, planejávamos ficar um ano… mas veja como acabou.— Então hoje não virão?— Não.— Que pena. Já estava animada.
— Nós também sentimos muito… você nem imagina o quanto!— Imagino.— Não, você não imagina! Só de pensar no que nos espera, dá vontade de desaparecer.Bárbara sentiu que era hora de encerrar a conversa.— Tudo bem, venham quando puderem.
Sempre serão bem-vindos. E quando se organizarem em Varsóvia, me passem o endereço. Vou visitá-los. Também por duas semanas. Porque, além de vocês, não tenho ninguém lá. Combinado?
A ligação caiu de repente, deixando-a sozinha no apartamento silencioso, com um leve sorriso e uma sensação de inquietação difícil de identificar.


