A chuva fina caía suavemente sobre o colégio Crest View naquela segunda-feira de manhã, transformando o pátio em um espelho tremeluzente, onde os alunos se agrupavam em pequenos grupos barulhentos. O sinal ainda não havia tocado,
mas risadas e cochichos já flutuavam pelo ar úmido. No meio desse caos, uma silhueta caminhava devagar, encolhida dentro de um moletom cinza, segurando uma mochila desgastada contra o corpo. Lina Dubois, nova aluna vinda de outra cidade,
avançava como uma sombra em um mundo que não a esperava.Pequena, calma, pálida, com olhos castanhos que pareciam carregar o peso de uma tempestade, ninguém prestava atenção nela… até o momento em que tudo mudou.
Mal havia atravessado o hall principal, os cochichos começaram a crepitar.— Quem é essa aí?— Parece mais um caso social, debochou alguém.Encostada na parede, Ambre Moreau, loira alta e rainha autoproclamada do time de cheerleaders,
observava com insolência, mascando chiclete como se fosse dona do colégio. Ao lado dela, Ryan, capitão do time de futebol americano, fitava Lina com um sorriso arrogante, cortando o ar com sua presença.— Ei, novata, lançou ele. Perdida ou só tímida demais para falar?
Lina não respondeu. Seguiu seu caminho, cabeça baixa, invisível em sua própria indiferença. Mas essa indiferença atiçou a vontade de provocá-la. Na hora do almoço, ela se tornou alvo. Em Crest View, permanecer sozinha era se expor.
Sentou-se no fundo da cantina, beliscando silenciosamente seu sanduíche.Ambre e suas amigas, com jaquetas combinando, avançaram, saltos ecoando pelo chão.— Vamos dar as boas-vindas do jeito certo, riu Ambre.Pararam à sua mesa.
— Ei, novata, disse Ambre empurrando seu bandeja. Grande demais para falar com os outros, é?Lina ergueu os olhos, com voz suave, mas firme, cortando o ambiente:— Não, eu só gosto de paz. Seguiu-se um silêncio atônito.
Então Ambre explodiu em uma risada cruel:— Paz? Você não vai encontrar isso aqui.Ryan surgiu atrás de Lina, sorriso arrogante.— Acha que é melhor que a gente?Lina respondeu calmamente:— Não penso ser melhor que ninguém.
Os risos surgiram mesmo assim. Os alunos ao redor murmuravam: “Ela vai chorar.” Mas Lina permaneceu imperturbável. Seus olhos brilhavam com um frio indiscernível.Então Ambre passou à ação. Agarrou a mochila de Lina,
derrubando cadernos e seu caderno de desenhos. As folhas se espalharam pelo chão: montanhas majestosas, rostos carregados de emoção, memórias congeladas na tinta. Por um instante, Ambre pareceu impressionada, mas pisoteou um dos desenhos.

— Opa, disse rindo.Lina se ajoelhou, recolhendo os esboços um por um. Não havia medo ali, mas uma chama prestes a se acender.No dia seguinte, as humilhações continuaram: insultos nos corredores, empurrões furtivos.
Lina permanecia em silêncio, esvaziando-se, recusando-se a alimentar o prazer dos agressores. Famintos por reações, eles decidiram agir.Quarta-feira, no ginásio vazio, enquanto esperava pelo treinador, Ambre e sua turma tinham o espaço só para eles.
Lina se alongava em um canto, calma e concentrada. Ryan, exasperado pela indiferença dela, gritou:— Ei, novata! Mostre do que é capaz!Ela ignorou. Ele quicou uma bola em sua direção, Ambre acrescentando:— Talvez ela tenha medo.
Lina suspirou e se dirigiu ao vestiário. Ryan bloqueou seu caminho.— Para onde vai?— Longe de vocês, respondeu ela.Maxime, ruivo e alto, avançou e a empurrou violentamente. Ela vacilou, mas não caiu. Então, num instante, ele levantou o joelho em direção ao rosto dela.
O ginásio prendeu a respiração. Mas a mão de Lina se ergueu, segurando a perna dele com força implacável. Os alunos ao redor prenderam o fôlego: a tempestade escondida em seus olhos havia despertado.


